
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), usou o encontro de empresários do grupo Mercado e Opinião, nesta terça-feira (31), para colocar em dúvida a qualidade do debate eleitoral no país e questionar diretamente a ausência de propostas estruturais na disputa presidencial. Em tom crítico, afirmou que a eleição se aproxima sem clareza sobre caminhos para o Brasil.
“A gente está indo para uma eleição presidencial. Quais são as ideias que estão na mesa? Alguém sabe?”, disse.
Segundo o governador, questões como produtividade e desigualdade deixaram de ocupar o centro da agenda, substituídas por discussões de curto prazo e pautas com apelo eleitoral.
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“Qual é o projeto? O que tem de novo?”, questionou ao mencionar propostas apresentadas por adversários, em crítica indireta ao governo federal.
A crítica vem acompanhada de uma leitura sobre o funcionamento do ciclo eleitoral. Para Tarcísio, anos de eleição tendem a deslocar o debate para o populismo, reduzindo o espaço para discussões mais complexas. Ele cita como exemplo o tratamento dado a temas ligados ao mercado de trabalho.
“Quando entra em ano eleitoral, o tema é capturado pelo populismo, que não deveria haver num tema tão sério”, afirmou.
Ao comentar propostas como a redução da jornada de trabalho, o governador argumenta que mudanças desse tipo exigem medidas compensatórias para evitar impactos negativos sobre emprego e renda.
“Para eu cuidar do trabalhador, eu tenho que cuidar do empresário. Se eu não cuidar do empresário, eu não cuidarei”, disse.
Ao longo da fala, Tarcísio insiste que o país conhece os caminhos que deram certo no passado, mas não consegue replicá-los no presente, o que atribui a falhas de liderança e coordenação política.
“O Brasil não é um país onde tudo dá errado. […] A gente sabe exatamente qual é o caminho”, afirmou, ao citar exemplos como agronegócio e indústria aeronáutica.
Ele também associa a dificuldade de avançar em reformas à fragmentação do debate público. Segundo o governador, a dinâmica atual, marcada por redes sociais e polarização, tem reduzido a capacidade de formular consensos.
“A política virou uma política de redes sociais. […] A gente tem uma liderança que perde tempo com uma polarização extremada e inútil”, disse.
Tarcísio afirma que o país vive uma desorganização política que compromete a definição de prioridades e amplia a judicialização de decisões.
“Houve um tempo em que os partidos organizavam a política. Hoje, ninguém organiza”, afirmou.
Nesse contexto, ele defende que a revisão do sistema político deve preceder outras mudanças. A proposta inclui a rediscussão de mecanismos como a reeleição e o financiamento de campanhas.
“A mãe de todas as reformas é a reforma política. […] Faz sentido ainda a reeleição?”, questionou.
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