Lembra-se de quando a primeira geração do Volkswagen Tiguan chegou ao Brasil, em 2009, como um SUV do Golf? O Tiguan cresceu muito desde então (só o entre-eixos passou de 2,60 m para 2,79 m), mas esta terceira geração tenta recuperar as boas qualidades daqueles tempos.
Foi a segunda geração que mudou tudo. O Tiguan Allspace chegou em 2018 com sete lugares e com até 220 cv, saiu de linha em 2021 e retornou no final de 2023 com potência reduzida a 186 cv e só com tração dianteira.
Só nesta terceira geração o SUV volta a ser vendido no Brasil com apenas cinco lugares e com um merecido ganho de potência. O motor 2.0 TSI da família EA888 (mesma da primeira geração) está em sua quinta geração e entrega 272 cv e 35,7 kgfm – é a mesma configuração presente no Audi A5 – e supera os 245 cv do Golf GTI.
O câmbio é o automático de oito marchas da japonesa Aisin, que o Tiguan já usava antes, mas a tração 4Motion, com diferencial central Haldex, está de volta. Com ele, a força do motor é distribuída entre as quatro rodas sob demanda. E isso faz uma grande diferença em um SUV deste porte.

Dada a relevância da evolução mecânica do SUV, podemos começar pelos resultados disso. Agora com 86 cv e 5 kgfm a mais, o Tiguan chega aos 100 km/h em 7,6 s, o que representa uma melhora e tanto na comparação com os 10,1 s que medimos no modelo antigo.
O antigo motor era focado em eficiência, funcionava em ciclo Miller. O novo funciona em ciclo Otto, entrega toda sua força quase imediatamente após o primeiro toque no acelerador e ganha giro rápido, de forma extremamente linear e sem passar vibração para a cabine. Parece que tantas evoluções tornaram este 2.0 turbo muito mais suave e responsivo.

O câmbio automático de oito marchas faz suas trocas no momento certo quase sempre. Na ânsia por escalar a marcha certa, acontece de reduzir mais marchas que o necessário em retomadas, avançando logo para a marcha seguinte. Quando em modo Sport, porém, o motor passa a trabalhar sempre “cheio” e seu ronco, ou as frequências mais graves deles, se fazem mais presentes na cabine – e não há problema nenhum nisso.

O escalonamento de marchas longo e a aerodinâmica podem explicar uma melhora significativa no consumo rodoviário, de 12,5 para 13,4 km/l nesta nova geração. O consumo urbano, porém, piorou discretamente, de 9,6 para 9 km/l. Em todas as medições de ruído, porém, o Tiguan revelou estar mais ruidoso. Veja abaixo a comparação com a geração anterior:
A combinação de direção rápida e suspensão firme na medida certa, que sempre foram uma marca do Tiguan, permanecem nesta nova geração. O SUV contorna as curvas com precisão, também ajudado pela tração integral. O mais interessante é que, mesmo com 1.820 kg, o Tiguan R-Line parece leve. Esta, aliás, é uma vantagem frente aos concorrentes híbridos.
O novo Volkswagen Tiguan é enviado do México para o Brasil apenas na versão R-Line e custa a partir de R$ 299.990. Na prática. custa o mesmo que um BYD Song Plus Premium e é um pouco mais caro que um GWM Haval H6 PHEV35 (R$ 289.000), ambos híbridos plug-in e que também têm tração nas quatro rodas. O Tiguan é um dos poucos carros das marcas tradicionais que têm o mesmo porte dos SUVs chineses – são 4,69 m de comprimento no total.
As mudanças que você vê

O design e as proporções do novo Tiguan são bem diferentes. O carro ficou mais largo e a nova identidade de design da Volks valoriza isso com os para-lamas mais encorpados e os faróis (de led e matriciais, que se adaptam às condições de trânsito) com formato hexagonal, que continuam interligados por uma barra iluminada. Mas agora tanto o logotipo dianteiro quanto o traseiro também são iluminados, porque as lanternas também foram unificadas. Estas ainda têm três animações diferentes de boas-vindas, que podem ser escolhidas pelo motorista.

A cabine do novo Tiguan mostra que pode existir, sim, certo revanchismo contra os chineses. Foram generosos ao colocar uma central de 15” polegadas no meio do painel, que é decorado por uma faixa imitando madeira e por outra de vinil, com toque macio.

O Tiguan não só tem iluminação ambiente como vai além: as luzes podem mudar de cor e intensidade de acordo com o modo de condução, por meio da seleção de “ambiente” – um conjunto de configurações que usa até a equalização do sistema de som para adequar o carro ao humor do motorista – e até como forma de alerta: ao entrar no carro ou ao acelerar, elas emitem um tipo de padrão e se uma criança tentar abrir a porta traseira, por exemplo, elas piscam um padrão de emergência.
O mesmo nível de personalização é encontrado no quadro de instrumentos digital de 10,25 polegadas, com diversos modos de exibição e que pode exibir funções do ADAS e até o mapa de navegação.


A posição de dirigir continua ótima, mas o motorista dirige mais alto e mais recuado no carro do que antes. Desta forma, a sensação de amplitude da cabine aumentou. Os bancos dianteiros têm aquecimento, ventilação, ajustes elétricos e função de memória, itens que os rivais chineses estão popularizando isso.

No geral, a ergonomia é boa: só mesmo o seletor de marcha, que é uma haste giratória herdada dos elétricos da marca, que causa estranheza nos primeiros dias. Se a haste se movimentasse para cima e para baixo, como em outros carros, passaria batido.

Um outro inconveniente é que o Volkswagen Tiguan continua sem auto-hold, ou seja, não mantém o freio pressionado em paradas. Desde que o SUV passou a usar o câmbio automático de oito marchas, esta função não está disponível.
O teto solar panorâmico e as rodas de liga leve de 19 polegadas fazem parte do pacote padrão da versão R-Line. Não há equipamentos opcionais, mas existe a opção de teto preto (R$ 3.970) para as cores cinza e azul, que é perolizado. Para algumas cores, como o preto e o cinza, o revestimento do painel, das portas e dos bancos é caramelo, em substituição ao preto e cinza do carro das fotos.

No contexto atual, o Volkswagen Tiguan R-Line é o SUV certo para aqueles que buscam um carro potente e prazeroso ao volante, e que ainda resistem a comprar um híbrido. E isso faz sentido, porque os híbridos na faixa de preço dele, ainda que venham a ser mais potentes e rápidos que ele, não são tão envolventes.
Ficha Técnica – Volkswagen Tiguan R-Line 350TSI 4MOTION 2027
Motor: gasolina, dianteiro, transv., 4 cilindros, turbo, 16 válvulas, 1984 cm³, 272 cv a 5500-6500 rpm, 35,7 kgfm a 1900-5400 rpm
Câmbio: automático, 8 marchas, tração integral
Suspensão: independente, McPherson (dianteiro), independente, multilink (traseiro)
Freios: disco ventilado (dianteiro), disco ventilado (traseiro)
Direção: elétrica, 11,6 m de diâmetro de giro
Rodas e pneus: liga leve, 255/45 R19
Dimensões: comprimento 4,70 m, largura 1,86 m, 1,67 m, entre-eixos 2,79 m, peso 1.820 kg, porta-malas, 423 litros; tanque 59,1 litros
Agradecimento ao Reserva Parques


































