
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o Irã está trabalhando para reconstruir seu programa nuclear enquanto negocia com Washington, o que aumenta as especulações de que ele prepara uma nova rodada de ataques militares nos próximos dias.
Autoridades iranianas estão “novamente perseguindo suas ambições sinistras” após os ataques aéreos dos EUA terem devastado o programa nuclear do país no ano passado, disse Trump em seu discurso do State of the Union (Estado da União) na noite de terça-feira (24).
“Eles querem fazer um acordo, mas ainda não ouvimos aquelas palavras secretas: ‘Nunca teremos uma arma nuclear’”, acrescentou. “Nós destruímos tudo, e eles querem começar de novo.”
O Irã sustenta há anos que seu programa nuclear tem fins exclusivamente pacíficos. Em publicação nas redes sociais também na terça-feira, o chanceler iraniano Abbas Araghchi afirmou que o país “sob nenhuma circunstância jamais desenvolverá uma arma nuclear”.
Trump combinou o discurso com um reforço militar significativo no Oriente Médio nas últimas semanas. Seu enviado, Steve Witkoff, e o genro Jared Kushner devem participar de uma nova rodada de negociações com autoridades iranianas em Genebra na quinta-feira.
O presidente advertiu que avalia uma série de opções para ataques militares caso as conversas fracassem, embora diga preferir um acordo. Trump e integrantes do governo apresentaram versões públicas divergentes sobre o que exatamente buscam em um novo entendimento com Teerã.
“Um acordo está ao alcance, mas apenas se a diplomacia tiver prioridade”, disse Araghchi.
Em 2015, o Irã firmou um acordo com os EUA e potências globais comprometendo-se a nunca buscar uma arma nuclear. Trump retirou os EUA do pacto em seu primeiro mandato, argumentando que ele não oferecia salvaguardas suficientes contra uma eventual corrida armamentista. Antes dos ataques em junho, o Irã tinha material altamente enriquecido suficiente para produzir rapidamente cerca de uma dúzia de ogivas, caso decidisse militarizar seu programa nuclear.
Inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica não verificam o estado do estoque iraniano de urânio próximo ao grau militar nem avaliam a extensão dos danos às instalações de enriquecimento há mais de oito meses.
Embora as negociações estejam centradas na questão nuclear, o presidente também mencionou o programa iraniano de mísseis balísticos, atividades terroristas e apoio a grupos aliados que ameaçam os EUA e seus parceiros na região.
Mais cedo, o secretário de Estado Marco Rubio e o diretor da CIA, John Ratcliffe, informaram líderes do Congresso sobre o Irã, em meio a crescentes pressões para que a Casa Branca explique as razões do reforço militar, que incluiu porta-aviões, destróieres com mísseis guiados, caças e aviões-tanque.
A reunião com o chamado “Grupo dos Oito” durou cerca de uma hora, segundo uma pessoa com conhecimento do assunto, que pediu anonimato ao comentar as discussões.
O grupo, que trata de temas de inteligência altamente confidenciais com o Executivo, costuma reunir os líderes republicanos e democratas dos comitês de inteligência da Câmara e do Senado, além dos líderes da maioria e da minoria nas duas Casas.
“Cabe ao presidente explicar quais são os objetivos do nosso país, quais são os nossos interesses e como vamos proteger os interesses americanos na região”, disse o senador Mark Warner, principal democrata no Comitê de Inteligência do Senado, a jornalistas após participar do encontro.
“Isso não é algo que este governo tenha feito com frequência”, afirmou.
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