
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, fez um apelo ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), em reunião nos Estados Unidos nesta semana, para que ele apoie seu plano de indicar o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, André do Prado, como vice na chapa de reeleição do governador Tarcísio de Freitas.
Eduardo se mostrou receptivo à hipótese, segundo relatos de aliados. Ainda assim, a ideia é tratada com ceticismo tanto por integrantes do entorno do ex-presidente Jair Bolsonaro quanto por aliados do próprio governador, que trabalham para manter o atual vice, Felicio Ramuth.
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Procurado, Valdemar negou que tenha tratado do tema com Eduardo, embora interlocutores tenham confirmado ao GLOBO que o assunto foi discutido.
— Não tocamos nesse assunto. Quem resolve isso é o Tarcísio — disse.
A conversa entre Valdemar e Eduardo ocorreu na terça-feira, em Dallas, no Texas, e fazia parte de uma tentativa do presidente do PL de destravar o tabuleiro eleitoral da direita em São Paulo para 2026.
A avaliação dentro do partido era que um alinhamento direto com o filho do ex-presidente poderia ajudar a organizar as diferentes correntes do bolsonarismo no estado.
Interlocutores da legenda relatam que a proposta de lançar André do Prado para a vice surgiu como uma forma de ampliar o espaço do PL na chapa majoritária paulista. O presidente da Alesp é aliado histórico de Valdemar e mantém boa interlocução com setores do bolsonarismo.
A hipótese, no entanto, enfrenta resistência em diferentes frentes. No entorno de Eduardo, aliados afirmam que o nome de André não empolga o núcleo bolsonarista mais ideológico. Entre interlocutores do próprio governador, a avaliação também é de que a mudança seria difícil.
Tarcísio tem sinalizado a aliados que pretende manter o atual vice, Felicio Ramuth, na chapa da reeleição. O cálculo, segundo pessoas próximas ao governador, é evitar abrir um desgaste político desnecessário com Ramuth, que integra o governo desde o início da gestão, além de impedir que a troca gere disputas dentro da base.
Além disso, o governador tem dito a interlocutores que, na sua avaliação, o espaço do PL na composição majoritária de 2026 tende a estar mais ligado à segunda vaga ao Senado do que à vice do governo. A posição é interpretada dentro do partido como uma tentativa de acomodar a legenda sem alterar o desenho atual da administração estadual.
A discussão ocorre em meio à movimentação que transformou Dallas, nesta semana, em ponto de encontro de aliados do bolsonarismo. Cerca de 15 deputados do PL viajaram aos Estados Unidos para participar de uma reunião prevista para esta sexta-feira com Eduardo, em que devem discutir estratégias eleitorais para 2026. A ida do grupo foi descrita por aliados como uma forma de demonstrar apoio político ao ex-deputado e também de buscar sua bênção nas articulações para as eleições.
O próprio André do Prado também viajou aos Estados Unidos. Sua presença é interpretada como parte desse movimento mais amplo de aproximação com Eduardo, hoje visto como peça central nas decisões do bolsonarismo sobre o cenário eleitoral paulista.
A conversa entre Valdemar e Eduardo também ocorreu em meio à intensificação das articulações para o Senado. Uma das duas vagas em disputa em São Paulo em 2026 já é tratada nos bastidores como praticamente reservada ao deputado federal Guilherme Derrite, aliado de Tarcísio e já chancelado por Jair Bolsonaro.
A segunda cadeira, porém, virou objeto de disputa entre diferentes alas do bolsonarismo. O intuito inicial de Valdemar era definir isto com Eduardo, mas retorna ao Brasil sem martelo batido.
Anotações do senador Flávio Bolsonaro que vazaram recentemente mostram como o cenário segue aberto. Nos registros aparecem diferentes possibilidades para a vaga: o empresário Renato Bolsonaro, irmão do ex-presidente; o deputado federal Mario Frias; o próprio Eduardo Bolsonaro; o vice-prefeito paulistano Mello Araújo; e o deputado federal Marco Feliciano.
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