O custo médio global de uma violação de dados alcançou a marca recorde de US$ 4,99 milhões (cerca de R$ 28 milhões na conversão atual), uma alta de 12% em relação ao período anterior. A informação consta na edição de 2026 do relatório “Cost of a Data Breach Report”, publicado pela empresa International Business Machines (IBM) e desenvolvido pelo Ponemon Institute. A análise teve como base incidentes de segurança reais vivenciados por 602 organizações em todo o mundo entre março de 2025 e fevereiro deste ano.
Entre as principais razões para o prejuízo elevado estão a perda de negócios e a despesa com detecção e encaminhamento, que juntas representaram 63% dos custos totais analisados. As organizações sofreram com a paralisação imediata das vendas e enfrentaram a debandada de clientes a longo prazo por perda de confiança, identificou o documento.
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A mudança de comportamento dos criminosos também intensificou o impacto financeiro das invasões. Nos casos de ransomware, o sequestro de dados, a ameaça de danos à reputação da marca por exposição de dados de clientes ou incapacidade de prestar serviços superou a criptografia de sistemas como principal forma de pressão. A tática de coagir a vítima ameaçando a imagem do negócio foi relatada por 41% das instituições atingidas por esse tipo de ataque.
“Esta mudança reflete uma transição de ataques voltados exclusivamente para a interrupção técnica para estratégias de extorsão em várias camadas, que têm como alvo a confiança, a percepção pública e o impacto de longo prazo nos negócios”, aponta o relatório da IBM.
O peso da inteligência artificial e os setores mais atingidos
A proliferação do uso de inteligência artificial (IA) generativa e modelos de vanguarda (Frontier LLMs) remodelou a economia dos ataques virtuais, reconheceu a IBM.
De acordo com o levantamento, mais de uma em cada quatro empresas vítimas de ações maliciosas informaram que a investida foi impulsionada por IA, um salto de 56% em relação ao ano anterior. Golpes com deepfakes para falsificação de identidade e malwares gerados por IA foram as modalidades mais recorrentes e adicionaram, em média, US$ 1 milhão ao custo final de cada invasão.
“A IA reduziu dramaticamente a barreira para os cibercriminosos. Os invasores agora podem executar ataques em minutos em vez de dias com modelos de vanguarda avançados. As organizações precisam mudar mais rápido da segurança reativa para uma defesa autônoma contínua se quiserem acompanhar”, afirmou Mark Hughes, parceiro gestor global de serviços de cibersegurança da IBM.
No recorte por segmentos econômicos, o setor de saúde liderou o ranking de prejuízos pelo 13º ano consecutivo, com um custo médio de US$ 6,6 milhões por violação de dados. “Os invasores continuam valorizando e visando as informações de identificação pessoal de pacientes, que podem ser usadas para roubo de identidade, fraudes em seguros e outros crimes financeiros”, alertou a publicação.
O setor financeiro apareceu na segunda posição ao registrar uma média de US$ 6,3 milhões por ocorrência. Na sequência do ranking de prejuízos surgem a indústria (US$ 5,5 milhões), o segmento de tecnologia (US$ 5,5 milhões) e o de entretenimento (US$ 5,4 milhões).
Frente ao cenário de novas ameaças, 85% das organizações que sofreram violações afirmaram, ao estudo, que pretendem aumentar seus orçamentos e investimentos em ferramentas de segurança e governança para fazer frente aos riscos representados por modelos de IA.
Por falar em novas descobertas em segurança digital, o vírus ACR Stealer também entrou no radar de grandes empresas de tecnologia. A Microsoft identificou um aumento expressivo nos ataques que utilizam este programa malicioso, que atua de forma silenciosa. Siga o TecMundo no X, Instagram, Facebook e YouTube e assine a nossa newsletter para receber as principais notícias e análises diretamente no seu e-mail.
