
O Goldman Sachs está dando mais um passo para se afastar das exigências de diversidade que por muito tempo defendeu em Wall Street.
O Goldman não levará mais em conta explicitamente raça, gênero e orientação sexual ao avaliar um possível integrante de seu conselho, segundo duas pessoas com conhecimento da decisão do banco, que não puderam comentá-la publicamente por causa do caráter confidencial da medida.
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A decisão é resultado de um acordo firmado pelo Goldman com o National Legal and Policy Center, um grupo conservador sem fins lucrativos que vem pressionando diversas empresas a abandonar projetos de diversidade, equidade e inclusão, disseram as fontes.
O grupo anunciou recentemente acordos semelhantes com a American Express e com a fabricante de equipamentos Deere & Co..
Como parte do acordo com o Goldman, o National Legal and Policy Center, que possui uma pequena participação no banco, retirou uma proposta de acionistas que exigia o fim dos critérios de diversidade para o conselho. O acordo foi noticiado anteriormente pelo The Wall Street Journal.
A medida do Goldman faz parte de um recuo mais amplo das empresas americanas em relação a projetos de diversidade durante o governo Trump. A Casa Branca afirma que muitas dessas iniciativas equivalem a discriminação contra trabalhadores e candidatos a emprego brancos.
Durante anos, o CEO do Goldman, David Solomon, foi um defensor vocal do compromisso do banco com a reformulação de uma força de trabalho tradicionalmente dominada por homens brancos.
Em março de 2019, Solomon, seu principal vice, John Waldron, e o então diretor financeiro da empresa, Stephen M. Scherr, declararam diversidade e inclusão como “uma prioridade máxima”.
“Quando nos unimos em torno de um objetivo comum, avançamos juntos”, escreveram os executivos em um e-mail aos funcionários.
Eles disseram que iriam “melhorar a cada ano” em direção a metas que incluíam uma nova turma de recrutamento composta por “50% de mulheres, 11% de profissionais negros e 14% de profissionais hispânicos/latinos nas Américas, e 9% de profissionais negros no Reino Unido”.
No ano seguinte, Solomon afirmou que o Goldman não abriria o capital de uma empresa nos Estados Unidos ou na Europa a menos que ela tivesse pelo menos um membro “diverso” no conselho. Em 2021, a empresa precisaria ter ao menos dois membros diversos no conselho para que o Goldman aceitasse trabalhar em sua oferta pública inicial.
Mas, desde que o presidente Donald Trump voltou ao cargo, os ventos políticos e jurídicos em torno da diversidade mudaram — e o compromisso do Goldman com a diversidade também.
No ano passado, a Equal Employment Opportunity Commission começou a questionar as práticas de contratação em escritórios de advocacia de elite, alegando que seus esforços para recrutar advogados negros e hispânicos podem ter discriminado candidatos brancos.
Mais recentemente, a agência disse estar investigando “alegações sistêmicas de discriminação racial intencional relacionada a diversidade” contra funcionários e candidatos brancos na Nike. A empresa de artigos esportivos afirmou que estava cooperando com a investigação da EEOC.
Mesmo antes de Trump iniciar seu segundo mandato, algumas iniciativas de diversidade já enfrentavam questionamentos legais. No fim de 2024, um tribunal federal de apelações declarou inválidas as regras da Nasdaq que estabeleciam metas raciais e de diversidade para conselhos de empresas listadas em sua bolsa.
Em fevereiro do ano passado, o Goldman disse que abandonaria a política que exigia que conselhos de administração de empresas americanas incluíssem mulheres e integrantes de grupos minoritários para que o banco atuasse como coordenador de suas ofertas públicas iniciais.
No mesmo mês, a empresa também eliminou as metas explícitas que havia estabelecido anteriormente para a composição racial e de gênero de suas turmas de recrutamento.
“Isso não muda nossa forte convicção de que conselhos bem-sucedidos se beneficiam de origens e perspectivas diversas”, disse uma porta-voz do Goldman, Jennifer Zuccarelli, sobre as medidas recentes.
Espera-se que o conselho do Goldman avance com a mudança nos critérios de diversidade para possíveis membros quando se reunir nesta semana, disseram as duas pessoas com conhecimento do assunto.
O encontro será o primeiro do conselho desde que ele se reuniu na semana passada para considerar a renúncia da diretora jurídica do Goldman, Kathryn Ruemmler, que afirmou estar deixando o cargo após surgirem revelações sobre seu relacionamento extenso com Jeffrey Epstein.
Na assembleia anual de acionistas do banco no ano passado, o diretor associado do National Legal and Policy Center, Luke Perlot, elogiou o Goldman por ter “tomado medidas significativas para reduzir seus programas de diversidade”.
Ainda assim, ele propôs que o banco eliminasse metas de diversidade, equidade e inclusão vinculadas à remuneração de seus principais executivos. Nesse ponto, o conselho do banco recomendou não eliminar essas metas, e menos de 5% dos acionistas votaram a favor de suprimi-las.
c.2026 The New York Times Company
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