
A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que derrubou grande parte das tarifas globais impostas pelo presidente Donald Trump provocou reações no exterior, no Congresso dos Estados Unidos e também no Brasil.
A notícia, no entanto, acabou sendo mais comemorada dentro dos EUA, com políticos do partido Democrata e Republicano celebrando a decisão ao lembrar o benefício para os consumidores. Já no resto do mundo, parceiros comerciais dos EUA preferiram manter tom de cautela, lembrando que a batalha contra a política agressiva de Trump pode ainda não ter terminado.
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Reino Unido
O governo do Reino Unido afirmou que continuará trabalhando com a Casa Branca para entender como a decisão afetará as tarifas aplicadas ao país. Um porta-voz declarou que se trata de “uma questão a ser determinada pelos EUA”, mas que o governo seguirá apoiando empresas britânicas à medida que novos detalhes forem divulgados.
Ainda assim, a British Chambers of Commerce afirmou que o julgamento “faz pouco para clarear as águas turvas” para empresas britânicas. William Bain, chefe de política comercial da entidade, alertou que o presidente ainda dispõe de “outras opções” para manter o regime tarifário sobre aço e alumínio e que não há clareza sobre reembolsos.
Canadá
No Canadá, o ministro responsável pelas relações comerciais com os EUA afirmou que a decisão “reforça a posição do Canadá de que as tarifas impostas com base na IEEPA eram injustificadas”, mas que ainda há trabalho sobre tarifas setoriais de automóveis, aço e alumínio.
Alemanha
Na Alemanha, a associação empresarial DIHK ressaltou que a administração americana pode usar outros instrumentos para medidas restritivas e que a economia alemã precisa se preparar para esse cenário.
Suíça
A associação industrial suíça Swissmem classificou a decisão como positiva para a exportação, mas ressaltou que o processo ainda não configura vitória definitiva, dada a possibilidade de outras bases legais para tarifas.
A Câmara de Comércio Internacional afirmou que empresas podem receber a decisão com alívio, mas que eventuais pedidos de reembolso tendem a ser administrativamente complexos e que o julgamento não trouxe orientação clara sobre esse ponto.
União Europeia
Na União Europeia, o porta-voz da Comissão Europeia para Comércio e Segurança Econômica disse que empresas dos dois lados do Atlântico dependem de “estabilidade e previsibilidade”. A UE informou que está analisando a decisão e busca clareza sobre próximos passos, reiterando defesa de tarifas mais baixas.
Brasil
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o efeito imediato da suspensão das tarifas nos EUA é favorável ao Brasil. Segundo Haddad, a decisão reduz incertezas para empresas exportadoras brasileiras e melhora o ambiente para negociações comerciais com os parceiros americanos.
Ele destacou que, ao derrubar a base legal das tarifas amplas, a Corte americana sinaliza maior previsibilidade nas relações comerciais, o que tende a beneficiar o setor exportador nacional.
Estados Unidos
Nos EUA, a decisão também gerou forte manifestação entre líderes tanto democratas quanto republicanos.
O governador da Califórnia Gavin Newson, rival declarado de Trump, classificou a decisão como vitória para famílias e pequenas empresas e pediu nas redes sociais que a administração emita “reembolso imediato” dos valores pagos.
A senadora Elizabeth Warren, outra democrata, disse que nenhuma decisão pode “desfazer o dano massivo” causado pelas tarifas e que “não há mecanismo legal” para consumidores e pequenas empresas recuperarem o que foi pago.
Já Mike Pence, ex-vice-presidente no primeiro mandato de Trump, afirmou que o tribunal reafirmou que a Constituição concede ao Congresso – e não ao presidente – o poder de tributar, e que a decisão traz alívio para famílias e empresas.
O senador Rand Paul, também republicano, classificou a decisão como reafirmação de que o poder de impor tarifas é um componente do poder de tributar, “como deveria ser óbvio”.
(com agências internacionais)
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