
O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, afirmou que “não há chance” de que os Estados Unidos se envolvam em uma guerra prolongada no Oriente Médio, caso o presidente Donald Trump decida realizar novos ataques contra o Irã. A declaração foi dada em entrevista ao The Washington Post, publicada na quinta-feira (26).
Segundo o jornal, Vance disse que não sabe qual decisão Trump tomará sobre o Irã. Ele mencionou como possibilidades tanto uma nova rodada de ataques militares, com o objetivo de impedir que Teerã desenvolva arma nuclear, quanto uma solução diplomática.
“A ideia de que vamos entrar em uma guerra no Oriente Médio por anos, sem perspectiva de fim, não tem chance de acontecer”, afirmou Vance ao Post, durante viagem de retorno a Washington após evento em Wisconsin.
De acordo com o The Washington Post, autoridades americanas avaliam que eventuais ataques poderiam ser mais amplos do que os bombardeios contra instalações nucleares iranianas realizados em junho do ano passado.
Vance, veterano da Guerra do Iraque e ex-senador, declarou ao jornal que continua cético em relação a intervenções militares no exterior. “Acho que todos preferimos a opção diplomática”, disse. “Mas depende muito do que os iranianos fizerem e disserem.”
As negociações entre Estados Unidos e Irã continuaram na quinta-feira em Genebra, sem acordo até o momento. Mediadores informaram que as conversas serão retomadas na próxima semana. Paralelamente, os EUA ampliaram a presença militar na região, no que é descrito como um dos maiores deslocamentos de forças em mais de duas décadas, desde antes da Guerra do Iraque.
Em declarações públicas neste mês, Trump disse que considera positiva a possibilidade de mudança de regime no Irã, com a saída do líder supremo aiatolá Ali Khamenei. Ele também mencionou supostos mísseis balísticos iranianos que seriam capazes de atingir os EUA, mas a informação não foi corroborada por agências de inteligência americanas, segundo relatou a agência Reuters.
Questionado pelo Post sobre a aparente contradição entre suas críticas passadas à Guerra do Iraque e a participação em um governo que admite a hipótese de mudança de regime estrangeiro, Vance afirmou que é preciso evitar repetir erros do passado, mas também não descartar totalmente o uso da força.
O vice-presidente também comentou o debate interno entre conservadores sobre o envolvimento dos EUA no Oriente Médio e a relação com Israel. Segundo o Post, ele defendeu que haja espaço para diferentes posições dentro do movimento conservador, inclusive vozes mais críticas a Israel, mantendo, contudo, o reconhecimento do país como aliado estratégico.
O tema ganhou destaque após entrevista do comentarista Tucker Carlson com o embaixador dos EUA em Israel, Mike Huckabee, que gerou reações dentro do Partido Republicano. Vance afirmou ao jornal que vê o debate como algo positivo e necessário para a coalizão política ligada a Trump.
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