
O avanço de Flávio Bolsonaro (PL-SP) nas pesquisas e o empate técnico no segundo turno acenderam o alerta no Planalto. Ainda assim, a estratégia do governo, ao menos por ora, não passa por uma guinada fiscal ou por uma expansão acional de gastos.
Durante o Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, dessa sexta-feira (27), a avaliação foi de que não há disposição imediata para lançar novos pacotes com impacto direto nas contas públicas. “Não há hoje uma disposição para sair apertando botões”, afirmou analista de política da XP, Bianca Lima, ao relatar a leitura de bastidores em Brasília.
A aposta segue sendo a colheita das medidas já implementadas ao longo de 2025, como a ampliação da faixa de isenção de Imposto de Renda, expansão do vale-gás e estímulos ao crédito. “O governo espera fazer essa colheita”, disse Bianca.
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No entanto, até esse momento, os levantamentos divulgados desde janeiro ainda não apontaram um crescimento nas intenções de voto atrelado a estratégia eleitoral do Planalto.
Falar para a base
Um dos dilemas apontados pelo programa é o alcance dessas políticas implementadas no terceiro mandato de Lula. Para o cientista político e vice-presidente da Arko Advice, Cristiano Noronha, existe o risco de o governo investir energia em medidas que não ampliem sua base eleitoral. “Será que ele não vai beneficiar só quem já não vota nele?”, questionou.
Noronha destacou que o eleitorado está altamente segmentado. “Quem é lulista vai sempre votar no Lula (…) quem vota no Bolsonaro vai votar no Bolsonaro (…) e aí tem um meio”, afirmou, ao lembrar que a disputa tende a ser decidida por uma parcela menor e menos ideológica do eleitorado.
A observação dialoga com o retrato atual do eleitorado, fortemente polarizado. Com cerca de 80% dos votos concentrados entre Lula e o campo bolsonarista, a disputa tende a ser decidida por uma parcela menor, mais volátil e menos ideológica. Nesse cenário, programas que reforçam vínculos com a base histórica podem ter efeito limitado na ampliação de apoio.
Agenda positiva no lugar de impulso fiscal
Sem abrir espaço para uma expansão fiscal que comprometa o discurso de responsabilidade das contas públicas, o governo tem buscado pautas com maior apelo social. A discussão sobre o fim da escala de trabalho 6×1 e a tramitação do PL Antifacção entram nesse pacote.
A leitura é que segurança pública e temos trabalhistas podem funcionar como vitrines políticas sem necessidade de um novo ciclo de gastos imediatos. Ao mesmo tempo, o Planalto tenta evitar ruídos que ampliem a percepção de risco fiscal em um momento em que o mercado acompanha de perto a trajetória da dívida.
O alerta, porém, já está aceso. “O governo tem que entender o porquê que ele está perdendo isso. E precisa tentar reverter”, afirmou Noronha ao comentar o encurtamento nas pesquisas.
Estratégia em construção
O empate com Flávio Bolsonaro aumenta a pressão por ajustes, mas a fotografia atual indica cautela. A equipe econômica mantém o compromisso com o arcabouço fiscal e evita movimentos que possam ser interpretados como populistas ou eleitoreiros.
Com mais de um ano até a eleição, a estratégia ainda pode ser recalibrada. Por ora, a escolha é preservar o discurso de responsabilidade e apostar na agenda legislativa como instrumento de reação política, em vez de lançar novos estímulos de impacto imediato.
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