Há quem acredite que a próxima disrupção da indústria automotiva será a autonomia completa, com os carros andando sem nenhuma interferência dos ocupantes. O problema ainda está em conseguir dados suficientes para que o veículo consiga reagir a inúmeros cenários diferentes no trânsito.
Para a Geely, uma das soluções está fora do planeta. A fabricante chinesa criou uma divisão chamada Geespace, dedicada a desenvolver, lançar e operar satélites de baixa órbita. A ambição da empresa é ter uma constelação formada por 72 satélites – até agora, 41 deles já estão no espaço.
Os satélites serão uma ferramenta crucial para o desenvolvimento dos sistemas autônomos de nível 4 (autonomia completa em locais predeterminados) e nível 5 (autonomia completa em qualquer condição). Os equipamentos oferecerão conexão de alta velocidade para os veículos, independentemente de onde estiverem no mundo.
Cada satélite se comunicará com os veículos e fará leituras, com alta precisão, de sua localização e sua área ao redor, processando todas as informações por meio de uma inteligência artificial chamada G-Pilot. A IA também estará nos carros, utilizando até treze câmeras, três radares e cinco sensores LiDAR a laser.
A Geely afirma que os 72 satélites são apenas a primeira fase – o plano é expandir a rede para 168 unidades e, depois, chegar a 240 satélites. Alguns de seus carros já estão preparados para se comunicar com os satélites, como o Geely Galaxy E8 e os Zeekr 001 FR e 007.
Posicionamento global
Os carros atuais usam sinal de GPS de satélites de alta órbita, com uma precisão limitada a poucos metros da posição do automóvel. A Geely afirma que os novos satélites são mais precisos, realizando uma leitura exata do veículo com uma margem de erro de centímetros.

Macro e micro Os dados obtidos pelos satélites são usados para criar uma imagem de tudo o que está ao redor do automóvel, antecipando informações como condições climáticas e possíveis obstruções no caminho escolhido. Isso libera o poder de processamento do veículo para que ele se concentre, por exemplo, no movimento dos outros carros.

Inteligência de transporte
No centro de todo o sistema autônomo está o G-Pilot, uma inteligência artificial desenvolvida para realizar o processamento de dados tanto nos satélites quanto nos carros. Poderá ser oferecido em cinco níveis diferentes, dependendo do veículo e de sua versão, com funções que vão desde estacionar e seguir o trânsito até a autonomia completa em qualquer lugar.
