
A grande incerteza que assola o hoje os mercado globais é referente à duração do conflito no Oriente Médio iniciado com os ataques de Israel e Estados Unidos no Irã desde o final de semana. A retaliação iraniana, por meio do disparo de mísseis e drones explosivos, atingiu não só posições militares americanas na região, mas também alvos civis em países aliados dos EUA.
Assim, saber o tamanho do arsenal do Irã pode ser uma das peças-chave para identifica o poderio da nação ainda sob o comando de líderes islâmicos. Mas essa tarefa não é fácil, dado que a produção é secreta e as instalações estão em verdadeiras bases subterrâneas, de difícil acesso.
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O número de mísseis em posse do Irã nesse momento é uma incógnita, mas a estimativa está na casa dos milhares. Talvez não os 250 mil foguetes – informação que fontes do governo de Teerã deixaram escapar nesta semana. Mas o renomado Centro para Estratégia e Estudos Internacionais (CSIS, na sigla em inglês) acredita que Irã possui o maior e mais diversificado arsenal de mísseis do Oriente Médio, “com milhares de mísseis balísticos e de cruzeiro, alguns capazes de atingir até Israel e o sudeste da Europa”, segundo relatório do ano passado.
O think tank, que possui uma área dedicada a identificar ameaças de mísseis em todo o planeta, destaca que, na última década, o Irã investiu significativamente para melhorar a precisão e a letalidade dessas armas.
O país também é reconhecido um importante centro de proliferação de armas, fornecendo a grupos aliados como o Hezbollah, no Líbano, e os rebeldes Houthi, no Iêmen. Também vieram do Irã importantes armamentos como mísseis e foguetes usados pelo já derrotado regime sírio de al-Assad. Mais recentemente, o Irã tem equipado grupos de milícias xiitas no Iraque, que atacam com frequência instalações militares e diplomáticas iraquianas e americanas.
Já os temidos drones iranianos Shahed 136, que atingiram Bahrein, Kuwait e Emirados Árabes Unidos nos últimos dias, são conhecidos do habitantes da Ucrânia. O país é fornecedor da Rússia e esse veículos não tripulados têm sido constantemente utilizados contra tropas e infraestrutura ucranianos desde o início da invasão russa, em 2022.
O relatório também diz que a capacidade iraniana é de mísseis de curto, médio e longo alcance, podendo chegar a até 3.000 km de distância, colocando no alvo toda a região e até partes ao Sul da Europa.
E o Irã tem testado esse poderio bélico na última década. Em junho de 2017, lançou seis mísseis no leste da Síria, visando posições do Estado Islâmico perto de Deir-Ez Zour — em retaliação aos ataques do ISIS em Teerã. Esse ataque foi repetido um ano depois, em outubro de 2018.
Antes disso, em setembro de 2018, o Irã lançou sete mísseis Fateh-110 contra a suposta sede do Partido Democrático do Curdistão do Irã e do Partido Democrático do Curdistão Iraniano em Koya, no Iraque.
Já em setembro de 2019, o Irã lançou ataques coordenados com veículos aéreos não tripulados (drones) e mísseis de cruzeiro contra as instalações petrolíferas da Arábia Saudita em Abqaiq e Khurais. Esses ataques mostraram precisão, pois interromperam temporariamente a produção na refinaria de petróleo Abqaiq, que fornece de 5% a 7% do petróleo diário mundial.
Em janeiro de 2020, o Irã bombardeou tropas americanas no Iraque por várias horas com 22 mísseis balísticos, em retaliação pelo assassinato americano de Qasem Soleimani. Os ataques danificaram instalações dos EUA na Base Aérea de Al-Asad, a oeste de Bagdá, e deixaram mais de 100 militares com sequelas.
Como reflexo da escalada da guerra de Israel contra o Hamas, em Gaza, e o Hezbollah, no Líbano, o Irã respondeu a ataques israelenses disparando centenas mísseis contra Israel em abril e outubro de 2024. Em 2025, durante a Guerra dos 12 Dias, os artefatos foram usados novamente. Na época, Israel havia informado a destruição de 2/3 dos mísseis e disparadores iranianos, mas no final do ano já havia indicações que a produção tinha sido retomada e acelerada pelos iranianos.
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Veja detalhes dos mísseis em poder do Irã:
Mísseis de curto alcance
Esses artefatos, que pode alcançar alvos entre 150 km 800 km de distância são usados preferencialmente contra alvos militares próximos e em ataques regionais rápidos. Os sistemas incluem as variantes Fateh: Zolfaghar, Qiam-1 e mísseis Shahab-1/2 mais antigos.
Segundo especialistas, o alcance mais curto deles pode ser uma vantagem em uma crise. Eles podem ser lançados em rajadas, comprimindo o tempo de aviso e dificultando a prevenção.
Embora o programa esteja baseado no Irã, acredita-se que o míssil incorpore componentes de contratados chineses. Em 2006, o Departamento do Tesouro dos EUA acusou a empresa chinesa Great Wall Industry, e seus parceiros, de desempenharem um papel de liderança no desenvolvimento do sistema de mísseis Fateh. O Irã lançou vários mísseis Fateh, assim como variantes de maior alcance como o Zolfaghar em operações militares desde 2017.
Em 2014, o Corpo da Guarda Revolucionária (IRGC) exibiu duas variantes do míssil Fateh que chamou de Hormuz-1 e Hormuz-2. Afirma-se que o Hormuz-1 possui capacidades antirradiação para atacar sistemas de radar e, em 2014, a televisão iraniana transmitiu imagens de comandantes assistindo a um ataque a um alvo com antenas de radar.
Outra variante antinavio do Fateh é o Khalij Fars, que possui o buscador eletro-óptico necessário para melhorar a precisão o suficiente para potencialmente atingir um alvo em movimento. Teerã afirma que a versão inicial Khalij Fars entrou em serviço em 2008, mas só foi oficialmente entregue ao exército iraniano em uma cerimônia em março de 2014.
Mísseis de médio alcance
Os mísseis balísticos de médio alcance – que alcançam distâncias entre 1.500 km e 2.000 km – são os mais usados em retaliação direta a ataques porque possuem o potencial de chegar a Israel. Trata-se dos sistemas como os Shahab-3, Emad, Ghadr-1, as variantes Khorramshahr e Sejjil, que se juntam a designs mais recentes, como Kheibar Shekan e Haj Qassem.
Além de colocar Israel no alvo, esses mísseis podem alcançar instalações ligadas aos EUA no Catar, Bahrein, Kuwait, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.
Já o Sejjil, produzido desde 2012, é um míssil balístico de dois estágios, com combustível sólido, na prática mais ágil para ser usado como resposta a ataques.
Mísseis de cruzeiro
Mísseis de cruzeiro voam baixo, podem se aproximar do terreno e frequentemente são mais difíceis de detectar e rastrear – especialmente quando lançados junto com drones ou salvas balísticas projetadas para sobrecarregar defesas aéreas.
O Irã é amplamente avaliado por usar mísseis de cruzeiro de ataque terrestre e antinavio, como Soumar, Ya-Ali, as variantes Quds, Hoveyzeh, Paveh e Ra’ad.
O Soumar tem alcance de 2.500 km e é um míssil de cruzeiro que foi oficialmente revelado ao público em 8 de março de 2015. Acredita-se que seja uma continuação do míssil Meshkat anunciado pelo Irã em setembro de 2012. No entanto, a origem do Soumar parece vir do russo Kh-55, dispositivo capaz de usar armas nucleares.
Em 2005, a Ucrânia reconheceu que 12 Kh-55 (sem ogivas nucleares) foram vendidos ilegalmente ao Irã em 2001 por meio de uma operação de falsificação no mercado negro.
Drones
O Shahed-131 e o Shahed-136 são veículos aéreos não tripulados (VANTs), frequentemente chamados de “drones kamikaze” ou “drones suicidas” na mídia. Embora derivadas de VANTs, essas munições são essencialmente mísseis guiados — voando em direção a alvos pré-designados e explodindo ao impacto.
O Shahed-131 é uma munição menor, com alcance de 700 km a 900 km, enquanto Shahed-136 (maior) tem alcance de pelo menos 2.000 km.
A série Shahed é originalmente de design iraniano e foi documentada pela primeira vez em uso com forças iranianas e apoiadas pelo Irã no Oriente Médio. O primeiro uso confirmado de uma munição da série Shahed foi durante uma série de ataques às instalações petrolíferas Abqaiq e Khurais da Arábia Saudita, em setembro de 2019.
O Irã também forneceu essas munições a diversos atores aliados não estatais em todo o Oriente Médio, incluindo os Houthis no Iêmen e a Resistência Islâmica no Iraque.
Após a invasão em larga escala da Ucrânia em 2022, a Rússia começou a receber remessas desses drones do Irã, designando-os como ‘Geran-1’ (Shahed-131) e ‘Geran-2’ (Shahed-136).
A Rússia então teria recebido permissão para iniciar a produção em massa doméstica das munições com assistência iraniana. Cada Shahed teria um custo estimado entre US$20 mil e US$ 50 mil, ou seja, mais baratos tipo de drones militares de longo alcance.
Esse baixo custo, junto com um perfil de voo em baixa altitude e a “suicida” fez com que os Shaheds fossem rotulado como “o míssil de cruzeiro dos pobres”.
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