
A prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e a decisão da CPMI do INSS de quebrar os sigilos bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, ampliaram a pressão política sobre o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os dois episódios passaram a dominar o debate em Brasília e já são explorados por governo e oposição na disputa de narrativa sobre corrupção e responsabilidade política.
No Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, desta sexta-feira (6), o cientista político e sócio da Tendências Consultoria, Rafael Corteza avaluou que investigações desse tipo tendem a se transformar rapidamente em instrumentos do debate público. O cenário muda quando diferentes fatos passam a dominar o debate público ao mesmo tempo, e alimentam a disputa política entre governo e oposição.
“Isso certamente vai servir de instrumento para o debate público, para governo e oposição se posicionarem junto ao eleitorado”, afirmou Cortez durante o programa.
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Segundo a leitura de Cortez, o peso político dessas investigações depende principalmente da forma como cada lado constrói sua narrativa sobre os acontecimentos.
Do ponto de vista do governo, a estratégia tende a enfatizar a atuação das instituições de controle. “Do lado do governo, qual que é o grande jogo? Ele dizia: olha, a Polícia Federal foi lá, achou e está fazendo toda a operação”, afirmou o cientista político.
Essa abordagem busca transmitir a ideia de que eventuais irregularidades estão sendo apuradas pelas próprias instituições do Estado. A oposição, por sua vez, tende a explorar o tema com outra interpretação.
“A oposição é o contrário, vai dar uma ideia de que vai juntar isso e dizer: olha como o governo, inclusive do ponto de vista da corrupção, nada fez”, disse Cortez.
Potencial de desgaste
Na avaliação apresentada no programa, investigações e crises políticas frequentemente se tornam insumos para o debate público e para a disputa eleitoral. “Isso talvez apareça e dê um recheio a esse tipo de argumento”, afirmou o cientista ao comentar como novos episódios podem ser utilizados politicamente.
Ainda assim, Cortez ponderou que é cedo para prever efeitos diretos sobre o cenário eleitoral. “Imaginar que a magnitude vai ser a ponto de agora a oposição ganha ou o governo ganha é uma ilusão, vai precisar de trabalho político”, afirmou.
Outro fator destacado é a distância em relação ao calendário eleitoral. “Sem contar que a gente está há muitos meses da eleição”, disse.
Apesar disso, o ambiente político pode se alterar rapidamente caso surjam fatos novos de maior impacto. “Se tiver uma delação premiada de algum nome importante, esse fenômeno vai ser maior”, afirmou.
A avaliação, no entanto, é de que o impacto político das investigações dependerá menos da existência dos casos e mais da capacidade de governo e oposição de transformar esses episódios em narrativa pública nos próximos meses.
O Mapa de Risco, novo programa de política do InfoMoney, vai ao ar todas as sextas-feiras, a partir das 5h da manhã, no YouTube e no seu tocador de podcast preferido.
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