
Cerca de 20 mil marinheiros e 15 mil passageiros de navios de cruzeiros estão retidos no Golfo Pérsico devido à guerra no Oriente Médio, informou a Organização Marítima Internacional (OMI) da ONU à AFP nesta quinta-feira (dia 5).
O secretário-geral da agência reguladora do setor marítimo, Arsenio Dominguez, afirmou que a “OMI está pronta para trabalhar com todas as partes interessadas para ajudar a garantir a segurança e o bem-estar dos marítimos afetados”.
O setor marítimo afirmou ter designado o Estreito de Ormuz, o Golfo de Omã e o Golfo Pérsico como uma “área de operações de guerra”, concedendo aos marinheiros proteções adicionais enquanto a guerra no Oriente Médio afeta a crucial rota de trânsito de energia. Desde que a guerra eclodiu no sábado, a OMI registrou sete incidentes envolvendo navios na região, que resultaram em duas mortes e sete feridos.
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‘Ataques alarmantes’
“Além do impacto econômico desses ataques alarmantes, trata-se de uma questão humanitária. Nenhum ataque contra marinheiros inocentes jamais se justifica”, disse Dominguez à AFP. “Reitero meu apelo para que todas as empresas de transporte marítimo exerçam a máxima cautela ao operar na região afetada”, acrescentou.
O Irã efetivamente bloqueou o Estreito de Ormuz, por onde transita um quinto do petróleo bruto mundial e quantidades consideráveis de gás natural liquefeito. Diversos grupos de transporte marítimo, incluindo a gigante dinamarquesa Maersk, suspenderam as reservas no Golfo.
Empregadores marítimos e sindicatos que representam seus trabalhadores afirmaram nesta quinta-feira que a mudança de classificação do Estreito de Ormuz, Golfo de Omã e Golfo Pérsico, de “área de alto risco” para “reflete a ameaça contínua e crescente aos marítimos e embarcações que operam na região”.
“Centenas de embarcações estão retidas no Golfo Pérsico após a suspensão da circulação de navios pelo Estreito de Ormuz, o que evidencia a dimensão da perturbação e do risco que as tripulações civis enfrentam na região”, afirmou um comunicado conjunto da Federação Internacional dos Trabalhadores em Transportes (ITF) e do Grupo Conjunto de Negociação, que representa os empregadores marítimos.
O secretário-geral da ITF, Stephen Cotton, disse à AFP que, após 32 anos de envolvimento com a federação, “esta é a pior situação” que já viu, “porque está muito confusa no nível diplomático”. Embora os marinheiros possam solicitar o desembarque e a repatriação, a realidade não é tão clara.
“Você não pode simplesmente apertar um botão e sair imediatamente de uma embarcação”, disse Cotton. “Se você tem uma tripulação de 25 pessoas, provavelmente precisa de 16 para operar a embarcação com segurança.”
A Guarda Revolucionária do Irã afirmou nesta quarta-feira ter o “controle total” do Estreito, com relatos de que outras embarcações também foram atacadas. A empresa de inteligência energética Kpler afirmou que o trânsito de petroleiros pelo Estreito caiu 90% em relação à semana passada.
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Aumento do preço do petróleo
Com os preços da energia já em alta, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse na terça-feira que a Marinha do país estava pronta para escoltar petroleiros pela importante rota marítima. O contrato de referência do petróleo bruto dos EUA, o West Texas Intermediate (WTI), subiu mais de 5%, atingindo US$ 78,88 por barril nas negociações desta quinta-feira, o nível mais alto desde janeiro do ano passado, devido às ameaças da guerra com o Irã ao fornecimento de petróleo.
O preço do petróleo bruto Brent do Mar do Norte, referência internacional, subiu 3,6%, para US$ 84,34 por barril. Outras regiões já estão classificadas como “Área de Operações de Guerra” pelo setor marítimo, como partes do Mar de Azov, o norte do Mar Negro, o sul do Mar Vermelho e o Golfo de Aden.
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