No Dia Internacional da Mulher, celebrado neste domingo (8), a conquista de uma jovem cientista formada em Campinas reforça a presença feminina em áreas historicamente dominadas por homens. Aos 20 anos, a pesquisadora Gabriela Frajtag foi a única brasileira premiada em um concurso internacional que discute a interface entre a física quântica e a biologia, que é um dos temas mais complexos da ciência atual.
Recém-graduada em Ciência e Tecnologia pela Ilum Escola de Ciência, escola de ensino superior ligada ao CNPEM (Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais), em Campinas, Gabriela conquistou reconhecimento em uma competição científica que reuniu participantes de seis continentes.
A jovem recebeu o Prêmio Especial de Graduação, no valor de US$ 3 mil, no concurso promovido pelo FQxI (Foundational Questions Institute), em parceria com o Paradox Science Institute e com apoio do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino. A iniciativa recebeu 97 inscrições de pesquisadores, estudantes e cientistas de diferentes áreas do conhecimento, e apenas oito trabalhos foram premiados.
Única brasileira entre os premiados
O artigo desenvolvido por Gabriela, intitulado “The Quantum of Biology: History and Future”, analisa o surgimento da biologia quântica, seus principais marcos históricos e os desafios futuros da área.
O ensaio propõe reflexões sobre como fenômenos da física quântica podem atuar em sistemas biológicos, um campo de estudo ainda recente, que busca entender processos da natureza a partir de princípios da mecânica quântica.
Segundo o comitê avaliador, o trabalho se destacou não apenas pela qualidade científica, mas também pela forma clara de explicar um tema complexo para o público não especializado.
Gabriela conta que a ideia de escrever o artigo surgiu após participar de um evento científico sobre o tema.
“Eu descobri um evento chamado Escola de Biologia Quântica, que foi um evento durante uma semana que aconteceu em Paraty, no Rio de Janeiro. Eu e uma colega fomos para esse evento, que reuniu então mais ou menos 40 pessoas, jovens cientistas de diferentes áreas. Então tanto gente da física, biologia e entre outras. E lá eu pude conhecer um pouquinho melhor do que que era biologia quântica”, contou.
Após o encontro, os participantes criaram um grupo para trocar informações e foi ali que surgiu o convite para participar da competição.
A premiação, segundo ela, foi uma surpresa. “Eu não esperava ter sido premiada, foi uma grande surpresa. A sensação foi ótima. Minha família ficou muito feliz e está sendo algo incrível”, disse.
Formação científica em Campinas
Gabriela se formou em dezembro do ano passado no curso de Ciência e Tecnologia da Ilum, graduação interdisciplinar criada dentro do CNPEM.
O modelo do curso reúne diferentes áreas do conhecimento, como biologia, física, química, matemática, computação e humanidades, com aulas em tempo integral e forte participação em atividades de pesquisa.
Segundo a jovem cientista, essa formação foi essencial para o desenvolvimento de seu trabalho.
“A Ilum teve esse papel de apresentar a interdisciplinaridade muito cedo e me proporcionar ser inserida nesses campos tão novos”, afirmou.
Ela explica que sempre teve interesse em diversas áreas da ciência, o que tornou difícil escolher uma única graduação.
“Eu pensava em engenharia, matemática, química, biologia, até linguística. Quando descobri a Ilum e o curso interdisciplinar, para mim foi perfeito”, contou.
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Durante a graduação, Gabriela também participou de iniciativas acadêmicas internacionais, como o Programa Kupcinet-Getz, em Israel, liderado pela ganhadora do Nobel de Química de 2009, Ada Yonath.
Próximo passo: mestrado em Campinas
Natural do Rio de Janeiro, Gabriela atualmente mora lá, mas vai retornar a Campinas para dar continuidade à carreira científica.
O próximo passo será iniciar um mestrado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), onde pretende pesquisar um tipo de proteína relacionada ao câncer.
A competição internacional do FQxI, que premiou a brasileira, integra uma série de iniciativas voltadas ao debate de questões fundamentais da ciência. Em edições anteriores, o concurso já contou com a participação de cientistas renomados, incluindo vencedores do Prêmio Nobel.
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