
O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) afirmou que o banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, manteve relações políticas com diferentes campos ideológicos no Brasil. A declaração foi dada em entrevista ao UOL.
Segundo o senador, o histórico de contatos do empresário mostra que ele teria interlocução tanto com figuras da direita quanto da esquerda. “O Vorcaro doou para o Bolsonaro, mas fala que teve uma reunião muito importante com o Lula, que saiu de lá muito satisfeito. Foi uma ótima reunião. Então, esses caras estão se lixando pra ideologia”, afirmou Cleitinho.
A fala ocorreu no contexto da defesa de uma comissão parlamentar de inquérito para investigar o caso envolvendo o Banco Master. O senador declarou apoio à CPI proposta por Alessandro Vieira (MDB-SE), que busca apurar possíveis relações entre ministros do Supremo Tribunal Federal e Vorcaro.
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Cleitinho afirmou que a investigação precisa ir além do Judiciário e examinar também conexões políticas. Para ele, doações eleitorais por si só não indicam irregularidade, mas devem ser contextualizadas pelos candidatos que receberam os recursos.
“Cabe ao Tarcísio de Freitas, que recebeu doação, explicar. Eu não estou aqui para fazer julgamento sobre doação, porque em campanha tanto o Luiz Inácio Lula da Silva recebe quanto o Tarcísio recebe. Agora, cabe na prática, no mandato, qual ligação que o Tarcísio ou o Jair Bolsonaro teve com essas pessoas”, disse.
O senador acrescentou ainda que o próprio Vorcaro já teria feito críticas ao ex-presidente Bolsonaro, apesar de ter realizado doações políticas. Segundo Cleitinho, o banqueiro teria afirmado que considerava o ex-presidente “idiota”, mas que fez a contribuição eleitoral por decisão própria.
Ao defender a criação da CPI, o parlamentar afirmou que a investigação precisa abranger diferentes atores políticos. Para ele, casos de corrupção não estão restritos a um campo ideológico específico e devem ser apurados de forma ampla pelo Congresso.
“A CPI é extremamente importante. A gente tem que investigar tudo, a população brasileira quer resposta. E a corrupção, nesse ponto, ela é de esquerda, ela é de direita, ela é de centro. Eu não estou aqui para passar pano para ninguém não. Se tiver errado vai ter que pagar”, declarou.
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