Os hospitais públicos e conveniados ao SUS em Campinas enfrentam uma semana de forte pressão por atendimentos, cenário que levou autoridades a discutir a criação de até 100 novos leitos do SUS na cidade. No entanto, o governo estadual informou que ainda não há prazo definido para que esses leitos estejam disponíveis.
Segundo a Prefeitura de Campinas, o secretário estadual de Saúde, Eleuses Paiva, se comprometeu com o prefeito Dário Saadi (Republicanos) a publicar em até 15 dias um chamamento público para viabilizar os novos leitos, que devem funcionar na Casa de Saúde.
A ampliação foi anunciada como uma tentativa de aliviar a pressão sobre a rede hospitalar da cidade, que enfrenta superlotação em unidades de referência.
Atualmente, o Hospital PUC-Campinas e o HC da Unicamp operam com forte sobrecarga de atendimentos, enquanto a UTI adulto do Hospital Mário Gatti está temporariamente fechada para novas internações após a identificação de casos da bactéria KPC, uma infecção hospitalar que exige medidas rigorosas de controle – veja mais abaixo.
Estado diz que processo atrasou
Apesar da previsão de publicação do chamamento, a secretaria Estadual de Saúde informou que ainda não há prazo definido para que os leitos estejam efetivamente disponíveis para a população.
De acordo com o governo paulista, o processo sofreu atraso por causa de licenças da Prefeitura de Campinas relacionadas à Casa de Saúde no final do ano passado.
Prefeitura contesta versão do governo
A secretaria de Saúde de Campinas contesta a explicação apresentada pelo governo estadual.
Em nota, a pasta afirmou que não houve atraso na emissão da licença sanitária, que teria sido concedida dentro do prazo previsto em lei.
Segundo a Prefeitura, a troca de operador da Casa de Saúde — antes administrada pela Rede Vera Cruz e agora pela São Leopoldo Mandic — exigiu uma nova avaliação sanitária.
Ainda de acordo com o município, o prazo legal para a emissão da licença acabou não coincidindo com o período do chamamento público conduzido pelo Estado.
Diante do cenário de superlotação, a secretaria de Saúde de Campinas informou que a Regulação Municipal fará articulações com hospitais conveniados para encaminhar pacientes aos leitos disponíveis na rede.
Outra medida será entrar em contato com o governo estadual para solicitar a redução no encaminhamento de pacientes de outras cidades para os serviços municipais de saúde.
Novo hospital estadual ainda não saiu do papel
Outra iniciativa apontada como solução para o problema crônico de leitos é a construção do Hospital Estadual de Campinas.
A nova unidade deverá beneficiar cerca de 4,6 milhões de moradores da região e será referência em atendimentos de média e alta complexidade.
No entanto, a obra ainda não começou. Neste momento, o projeto está apenas na fase de formalização da doação do terreno onde o hospital será construído – saiba mais aqui.
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HC da Unicamp opera com quase quatro vezes a capacidade no pronto-socorro
No HC (Hospital de Clínicas) da Unicamp, a situação é uma das mais críticas nesta quarta-feira (11). A unidade registra 100% de ocupação nas enfermarias e nas UTIs, enquanto o pronto-socorro opera com 394% de lotação, com 72 pacientes adultos aguardando atendimento ou internação.
Segundo informações da unidade, há pacientes aguardando em pé por falta de cadeiras suficientes na recepção do pronto-socorro, incluindo idosos.
Hospital PUC-Campinas registra 49 pacientes em corredores
Outra unidade que enfrenta superlotação é o Hospital PUC-Campinas, que registrou 49 pacientes em macas nos corredores do pronto-socorro na manhã desta quarta-feira (11).
De acordo com a administração do hospital, o número vem aumentando nos últimos dias. Na noite de terça-feira (10), eram 42 pacientes nos corredores, enquanto na segunda-feira (9) o total era de 38.
O pronto-socorro da unidade opera com 365% de ocupação, cenário que levou o hospital a informar que não tem condições de receber novos pacientes encaminhados pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Ao todo, o hospital possui 20 leitos destinados ao atendimento de pacientes do SUS.
“Diante deste cenário de superlotação, o hospital informa que não possui condições de receber novos casos encaminhados do SUS”,
informou a unidade em nota.
Além disso, o Hospital PUC-Campinas cancelou as cirurgias eletivas por tempo indeterminado até que esse cenário melhore.
O hospital também pediu que a Regulação Municipal avalie o direcionamento de pacientes para outras unidades, para garantir a segurança do atendimento.
A unidade funciona como serviço referenciado do SUS, recebendo pacientes encaminhados por outros serviços de saúde, o que contribui para o aumento da demanda em períodos de maior procura.
Situação semelhante já havia sido registrada recentemente. Em fevereiro, o hospital chegou a ter 74 pacientes de alta complexidade internados no pronto-socorro adulto do SUS.
UTI do Hospital Mário Gatti é fechada após casos de bactéria KPC
No Hospital Municipal Mário Gatti, a UTI adulto foi temporariamente fechada para novas internações a partir de terça-feira (10) após a identificação de sete pacientes infectados pela bactéria KPC (Klebsiella pneumoniae carbapenemase).
A bactéria é considerada uma infecção hospitalar e pode se espalhar com facilidade em ambientes de terapia intensiva, o que exige medidas rigorosas de controle.
Segundo a coordenadora do setor de informações da Rede Mário Gatti, Andrea Von Zuben, a suspensão temporária das internações permitirá reforçar os protocolos de controle.
“A ideia nesse momento é proteger o paciente, interromper a transmissão e só vir a admitir novamente pessoas quando a gente estiver com o ambiente mais seguro. Não quer dizer que não vai mais ter KPC na UTI ou que KPC é uma coisa que vai ser eliminada. Isso não existe. A gente quer voltar à medida de controle, que realmente saiu um pouco do controle.”
A expectativa do hospital é que a UTI seja reaberta em até 30 dias.
A presença da bactéria foi detectada durante monitoramento de rotina realizado pelas equipes assistenciais e pela Comissão de Controle de Infecção Hospitalar.
Os sete pacientes infectados foram isolados em um setor específico da UTI, com equipe exclusiva de atendimento. Já 13 pacientes internados em outro setor da unidade serão transferidos para enfermarias adaptadas para funcionar como terapia intensiva, modelo semelhante ao utilizado durante a pandemia de Covid-19.
Durante esse período, o hospital seguirá atendendo casos de urgência e emergência, mas pacientes que necessitarem de UTI serão encaminhados para outras unidades da cidade.
Hospital Ouro Verde
Sobre a Rede Mário Gatti, que administra o Hospital Mário Gatti e o Hospital Ouro Verde, a Prefeitura de Campinas informou que a taxa de ocupação das unidades varia entre 93% e 100%. Segundo a administração municipal, todos os pacientes são atendidos, já que os hospitais operam no sistema de “porta aberta”, recebendo casos de urgência e emergência continuamente.
O autônomo Adriano dos Santos quebrou o braço há duas semanas e recebeu o primeiro atendimento em Paulínia. Depois, foi orientado a buscar encaminhamento em Campinas, cidade onde mora, e procurou o HC da Unicamp, que fica mais próximo de sua casa. No entanto, segundo ele, não conseguiu atendimento na unidade e acabou indo para o Hospital Ouro Verde.
“Agora estou na expectativa de o Ouro Verde conseguir me ajudar, porque não tem como ficar indo de um lugar para outro”,
afirmou.
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