
O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID anunciou nesta quinta-feira (12) que pretende financiar até US$ 500 bilhões na América Latina e no Caribe na próxima década, mais que o dobro do volume mobilizado nos dez anos anteriores. A estratégia terá como foco a expansão do financiamento ao setor privado, o desenvolvimento da cadeia de minerais críticos e o avanço da integração regional.
De acordo com o presidente da entidade, o brasileiro Ilan Goldfajn, o objetivo é fazer com que os recursos tenham impacto sobre crescimento, emprego, redução da pobreza, ampliação de mercados e fortalecimento das cadeias de suprimento. “Quinhentos bilhões de dólares na próxima década. Mas esses recursos só fazem sentido se tiverem impacto”, afirmou.
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Parte desse plano depende da ampliação da capacidade do BID Invest, braço do grupo voltado ao setor privado. Segundo Goldfajn, a instituição pretende elevar sua capacidade de financiamento e mobilização de cerca de US$ 13 bilhões por ano para quase US$ 22 bilhões anuais ao longo da próxima década.
Essa expansão será viabilizada após a capitalização do BID Invest iniciada em 2023. A proposta foi aprovada pelo Conselho de Governadores em 2024, em reunião realizada em Punta Cana. Agora, o banco concluiu a subscrição do aumento de capital de US$ 3,5 bilhões, etapa que abre espaço para ampliar os recursos destinados a projetos com participação privada na região.
Ao detalhar as prioridades do BID, Goldfajn afirmou que uma das frentes será o avanço da cadeia de minerais críticos, insumos considerados estratégicos para a transição energética e tecnológica. Segundo o banco, esse mercado poderá alcançar US$ 770 bilhões na América Latina e no Caribe até 2040.
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Goldfajn disse que a intenção não é limitar a atuação da região à extração de matérias-primas. “Não queremos apenas extrair, precisamos processar, manufaturar, refinar e gerar empregos”, afirmou. “A pergunta é como capturar mais valor dentro da região.”
Nesse contexto, o banco lançará a iniciativa “BID LAC Minerals”, com a proposta de aproximar governos, empresas e investidores para fortalecer cadeias de suprimento e ampliar a presença regional nas etapas de maior valor agregado da indústria. Segundo Goldfajn, a instituição pretende atuar como ponte entre os setores público e privado.
Outra frente anunciada envolve um conjunto de medidas para ampliar a participação do capital privado no financiamento do desenvolvimento regional. Segundo o presidente do BID, muitos países da América Latina e do Caribe enfrentam restrições fiscais e não têm recursos públicos suficientes para bancar os investimentos necessários. “O setor público não tem recursos suficientes para fechar as lacunas de que precisamos”, disse.
A terceira prioridade será aprofundar a integração regional. De acordo com Goldfajn, o banco pretende apoiar iniciativas conjuntas entre países que estejam prontos para avançar, em uma agenda que inclui não só obras de infraestrutura, mas também maior conexão econômica e cooperação regional.
Entre os exemplos citados por ele estão plataformas já apoiadas pelo banco, como Amazonia Forever, Conexión Sur e iniciativas voltadas à América Central. Goldfajn também afirmou que o BID apoiará a implementação do acordo entre Mercosul e União Europeia.
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