
(Bloomberg) — René Redzepi, cofundador e chef de longa data do Noma, restaurante de três estrelas Michelin em Copenhague, afirmou que deixará o cargo após acusações de comportamento abusivo contra ex-funcionários.
Redzepi anunciou sua decisão em um story no Instagram na noite de quarta-feira, escrevendo que, após mais de duas décadas construindo e liderando o renomado restaurante, ele irá “assumir a responsabilidade” por suas ações e deixar “nossos líderes extraordinários agora guiarem o restaurante em seu próximo capítulo”. Ele também disse que deixará o conselho da MAD, a organização sem fins lucrativos dedicada à gastronomia que fundou em 2011.
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“Tenho trabalhado para ser um líder melhor e o Noma deu grandes passos para transformar a cultura ao longo de muitos anos. Reconheço que essas mudanças não reparam o passado. Um pedido de desculpas não é suficiente”, disse ele na postagem no Instagram. “Àqueles que sofreram sob a minha liderança, meu mau julgamento ou minha raiva, sinto muito profundamente.”
A decisão vem depois de o New York Times ter publicado, no início desta semana, uma reportagem baseada em entrevistas com 35 ex-integrantes da equipe e estagiários do Noma. Eles descreveram episódios, entre 2009 e 2017, em que disseram que Redzepi e outros chefs seniores batiam neles com utensílios de cozinha, davam socos em seus rostos e estômagos ou os empurravam contra paredes.
Na postagem no Instagram, Redzepi reconheceu o que descreveu como seu comportamento “inaceitável” no ambiente de cozinha, dizendo que tinha dificuldades para lidar com a pressão e, em alguns momentos, reagiu a pequenos erros com raiva e agressão física, algo de que agora se arrepende profundamente. Ele afirmou que passou a última década em terapia para entender melhor e controlar seu temperamento e que se afastou da liderança do serviço do dia a dia.
As acusações vieram à tona enquanto o Noma se preparava para lançar um pop-up em Los Angeles que ofereceria menus degustação de US$ 1.500 por pessoa, de 11 de março a 26 de junho. Após a reportagem do New York Times, vários patrocinadores — incluindo a American Express Co. e a fabricante dinamarquesa de ingredientes Novonesis A/S — retiraram seu apoio, e cerca de uma dúzia de manifestantes se reuniu do lado de fora do local com cartazes que diziam “Sem estrelas Michelin para a violência” e “Você comprou um ingresso para uma cena de crime”.
Fundado em 2003 por Redzepi e pelo renomado chef dinamarquês Claus Meyer, o Noma foi eleito o melhor restaurante do mundo cinco vezes e ajudou a consolidar o status de Copenhague como uma capital global da gastronomia, com sua abordagem experimental da cozinha nórdica. O restaurante fechou por tempo indeterminado em 2025, com Redzepi direcionando o foco para o Noma Projects e uma série de pop-ups internacionais.
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