
A consolidação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como nome da direita na disputa presidencial de 2026 tem sido acompanhada por uma mudança sutil na forma como ele é apresentado no debate público.
Nos bastidores da política e até no discurso de eleitores, o pré-candidato passou a ser tratado cada vez mais apenas como “Flávio”, em um movimento que analistas associam à tentativa de suavizar a imagem ligada ao sobrenome Bolsonaro.
A mudança foi destacada no episódio desta sexta-feira (13) no Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney. Para o cientista político Renato Dolci, a alteração não é apenas semântica, mas revela uma estratégia de reposicionamento político do senador.
“Flávio Bolsonaro deixou de ser ‘Flávio Bolsonaro’ para se tornar apenas ‘Flávio’. A imprensa chama de Flávio, os eleitores chamam de Flávio”, afirmou.
Segundo ele, a simplificação do nome ajuda a reduzir a associação direta com a figura do ex-presidente Jair Bolsonaro, o que pode gerar maior aceitação entre eleitores que não se identificam com o bolsonarismo mais radical.
“Isso gera até mais simpatia entre quem não gosta do Bolsonaro. Ele vira simplesmente o Flávio”, disse.
Moderação sem esforço
A tentativa de ampliar o eleitorado passa por um posicionamento considerado mais moderado em comparação com o estilo político do pai. Ainda assim, analistas observam que essa moderação não aparece como uma mudança forçada de discurso.
Segundo avaliação apresentada no programa, Flávio consegue ocupar esse espaço de forma relativamente natural, justamente porque sua trajetória política sempre foi vista como menos confrontacional.
“Flávio não precisa fazer esforço para parecer moderado, porque ele já tem o eleitorado bolsonarista garantido”, explicou o analista de política da XP, João Paulo Machado.
Na avaliação de lideranças políticas ouvidas por Machado, o sobrenome Bolsonaro garante automaticamente o apoio da base mais fiel do movimento, o que permite ao senador buscar novos eleitores sem precisar radicalizar o discurso.
“Ele já teria os votos do pai automaticamente. Por isso não precisa fazer acenos mais radicais para esse eleitor”, relatou.
Disputa pelo eleitor menos polarizado
A estratégia mira sobretudo o eleitor que decidiu as últimas eleições presidenciais: o segmento menos ideologizado e mais sensível a mudanças na percepção política.
Esse grupo tende a rejeitar discursos mais extremos, mas também não se identifica necessariamente com a esquerda. Por isso, a campanha de Flávio tenta construir uma imagem capaz de dialogar com esse público sem romper com a base conservadora.
O movimento ajuda a explicar o crescimento recente do senador nas pesquisas de intenção de voto. Ao mesmo tempo, cria um desafio estratégico: expandir a candidatura para além do bolsonarismo sem perder o apoio do núcleo mais fiel da direita.
A aposta, segundo analistas, é que Flávio consiga equilibrar esses dois mundos — sendo “Bolsonaro” quando necessário para mobilizar a base e apenas “Flávio” quando o objetivo for conquistar o eleitor menos polarizado.
O Mapa de Risco, novo programa de política do InfoMoney, vai ao ar todas as sextas-feiras, a partir das 5h da manhã, no YouTube e no seu tocador de podcast preferido.
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