
A deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ) acionou a Polícia Federal (PF), nesta sexta-feira, para denunciar ter sofrido ameaças de morte e recebido mensagens com ofensas de cunho misógino e racista. A parlamentar também pediu a realização de uma audiência com o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, para tratar do assunto. Talíria relata que as intimidações ocorrem há cerca de sete anos, sem que haja a devida investigação para responsabilizar e prender os autores.
Na ameaça mais recente, recebida na manhã de hoje, o criminoso diz que a “pele” de Talíria “suja o Congresso Nacional”. Ao longo da mensagem, a parlamentar é alvo de outros diversos ataques racistas, sendo definida como “escória racial inferior” e “selvagem”. No Brasil, o racismo é crime inafiançável e imprescritível, com previsão de dois a cinco anos de prisão.
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O agressor também direciona as ofensas à atuação de Talíria enquanto parlamentar, com críticas ao trabalho voltado para a defesa de leis que garantem cotas raciais e os direitos da população LGBTQIAPN+, o que classifica como “discursos de vítima”.
— É um histórico de ameaça e impunidade. A gente tem alguns inquéritos em aberto que, infelizmente, por diversos motivos, não tem responsabilização dos criminosos. Isso é uma autorização para que os crimes continuem acontecendo — afirma Talíria.
De acordo com a deputada, as ofensas são frequentes, com crimes de ódio e ameaças relacionadas à milícia do Rio de Janeiro. Talíria também relata já ter recebido mensagens que mencionavam a segurança de seus filhos, o que, segundo ela, gera insegurança para exercer seu mandato de forma plena.
Ainda conforme a ameaça, o autor completa a mensagem com a descrição do que seria um plano para assassiná-la, com detalhes sobre sua residência e cidade natal. O agressor também afirma que, caso a deputada não renuncie e “suma do mapa”, irá cumprir “cada detalhe” do que descreveu.
Segundo Talíria, a gravidade dos termos utilizados refletem o ódio que tem se espalhado contra mulheres na internet com base no conteúdo conhecido como “red pill”, movimento masculino que avança entre extremistas da direita.
— Tenho certeza que teremos um acolhimento da Polícia Federal para enfrentar essa impunidade que se evidencia nos casos dos quais sou vítima. A gente precisa garantir que mulheres e mulheres negras possam fazer política em paz, fazer um projeto de país. Queria conversar sobre os projetos que aprovei, mas é isso é uma tentativa sistemática de fragilizar a potência dos nossos mandatos — diz a parlamentar.
Em 2024, à época em que concorreu à prefeitura de Niterói, Talíria chegou a se reunir com a presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a ministra Cármen Lúcia, já para tratar sobre violência política e cobrar o avanço das investigações. Àquela altura, a parlamentar já havia recebido mais de dez ameaças de morte, com detalhes de sua vida pessoal e familiar.
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