
Começou com uma simples capa de revista e depois evoluiu para uma das empresas mais valiosas do planeta, com tecnologia usada em praticamente todas as partes da vida cotidiana.
Em janeiro de 1975, Bill Gates e Paul Allen viram o computador pessoal Altair 8800 na capa da revista Popular Electronics e enxergaram algo que a maioria das pessoas não viu: uma máquina em necessidade urgente de software. Dessa percepção nasceu a Microsoft, uma combinação de “microprocessors” e “software”, às vezes grafada nos primeiros anos como “Micro-Soft”. O que começou como uma operação de duas pessoas em Albuquerque, no Novo México, reformularia, ao longo das cinco décadas seguintes, a forma como o mundo inteiro não apenas trabalha, mas também se comunica, se diverte e cria.
Agora, 40 anos após a abertura de capital da companhia em 1986, muitos investidores colhem uma valorização antes inimaginável para uma ideia simples que surgiu daquela capa de revista décadas atrás.
Como a Microsoft conquistou o mundo
Os anos de formação da Microsoft foram construídos sobre uma percepção central: os computadores pessoais chegariam a todos, e todos eles precisariam de software. Em 1981, a IBM apresentou seu marco no mercado de computadores pessoais, acompanhado de um conjunto de produtos da Microsoft. Esse acordo não apenas colocou a Microsoft no mapa, mas transformou a empresa na infraestrutura invisível de toda a indústria de PCs. Enquanto a IBM fabricava o hardware sobre a mesa do usuário, a Microsoft, silenciosamente, controlava a linguagem que fazia a máquina funcionar.
Em novembro de 1985, a companhia lançou o Windows, um ambiente operacional gráfico sobreposto ao sistema MS-DOS, rudimentar pelos padrões atuais, mas revolucionário para a época. No mesmo ano, a Microsoft lançou a primeira versão de varejo do Excel, que mais tarde se tornaria a espinha dorsal do trabalho financeiro em todo o mundo.
O investimento de US$ 5,5 milhões
Exatos 40 anos atrás, a Microsoft estreou em 13 de março de 1989 na bolsa Nasdaq, a US$ 21 por ação. Ao fim daquele primeiro dia de negociação, os papéis haviam saltado para US$ 35,50. A oferta levantou capital para crescimento, recompensou funcionários dos primeiros anos e deu aos investidores comuns a chance de comprar uma fatia do futuro da computação. Mas a maioria deles não fazia ideia do que, de fato, estava comprando.
Um investimento de US$ 1.000 ao preço do IPO, de US$ 21 por ação, teria comprado aproximadamente 47 ações. O número parece modesto, mas o que veio depois esteve longe disso.
Se o investidor tivesse mantido o papel por todas as quatro décadas, esse investimento inicial de US$ 1.000 teria se transformado em US$ 5,5 milhões hoje, graças a alguns desdobramentos que mantiveram o preço das ações acessível e aumentaram o número de papéis detidos pelos acionistas.
Ao longo das quatro décadas seguintes, a Microsoft realizou nove desdobramentos de ações, o que teria transformado aquelas 47 ações em aproximadamente 13.700 ações. E, com a Microsoft sendo negociada perto de US$ 400 por ação hoje, um investimento de US$ 1.000 feito no dia do IPO valeria aproximadamente US$ 5,5 milhões.
Além dos desdobramentos, o retorno é quase o dobro da média do mercado. Isso representa um retorno total anualizado de cerca de 21,8%, com capitalização ao longo da vida da ação, em comparação com o retorno anualizado histórico de aproximadamente 10,8% do S&P 500 no mesmo período. Trata-se de uma das maiores histórias de criação de riqueza de longo prazo da história do mercado acionário.
E a valorização, sozinha, não mostra o quadro completo. A Microsoft iniciou o pagamento de dividendos trimestrais em 2003, o que significa que um investidor de longo prazo teria recebido US$ 341.513 adicionais em dividendos, além dos ganhos de principal, até 2022. Hoje, esse mesmo investidor estaria recebendo cerca de US$ 36 mil por ano em renda com dividendos, o equivalente a 36 vezes seu investimento original, apenas em pagamentos anuais em dinheiro.
A trajetória também exigiu sangue-frio. Após o estouro da bolha das pontocom e o último desdobramento da ação da Microsoft em 2003, os papéis entraram em um longo período de estagnação que durou quase uma década. Um investidor que tivesse vendido durante aqueles anos laterais teria saído com cerca de US$ 288 mil, menos de 7% do valor que os investidores que nunca venderam viriam a acumular. A lição foi dura e simples: os que mais ganharam foram os que nunca apertaram o botão de venda.
Uma empresa de US$ 3 trilhões
A escala atual da Microsoft é quase incompreensível quando comparada com a receita anual de US$ 197 milhões que a companhia gerava na época de seu IPO. No segundo trimestre do ano fiscal de 2026, encerrado em 31 de dezembro de 2025, a Microsoft reportou receita de US$ 81,3 bilhões, alta de 17% na comparação anual. O lucro operacional chegou a US$ 38,3 bilhões, avanço de 21%, e o lucro líquido atingiu US$ 38,5 bilhões.
A Microsoft devolveu US$ 12,7 bilhões aos acionistas no segundo trimestre do ano fiscal de 2026, por meio de dividendos e recompras de ações, alta de 32% em relação ao mesmo período do ano anterior. O CEO da Microsoft, Satya Nadella, ao comentar o momento da companhia em inteligência artificial, afirmou: “Estamos apenas no início das fases de difusão da IA e a Microsoft já construiu um negócio de IA maior do que algumas de nossas maiores franquias.”
Quarenta anos atrás, um cheque de US$ 1.000 destinado a uma empresa de software ainda em formação valeria cerca de US$ 5,5 milhões hoje.
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