Testar novas tecnologias de mobilidade fora dos ambientes controlados é uma dor de cabeça para as fabricantes. Foi por conta de um acidente fatal, ocorrido em 2018, com um protótipo de carro autônomo, por exemplo, que a Toyota suspendeu os testes que vinha fazendo com a Uber nas ruas dos Estados Unidos.
No entanto, é necessário ter a experiência real para que a tecnologia seja desenvolvida e validada. A solução da Toyota foi criar uma cidade que está preparada para servir de campo de provas para as invenções (incluindo produtos e serviços diversos, não só de mobilidade). Assim nasceu a Woven City, uma área na prefeitura de Shizuoka (na região central do Japão), que foi inaugurada em setembro, recebendo os primeiros 100 moradores.
O propósito é convidar universidades, startups e empreendedores que queiram testar novos conceitos, produtos e serviços. Irá além de cooperações mais óbvias, como a Eneos fornecendo energia e a NTT na área da telecomunicação. Há algumas colaborações bem curiosas, como a Nissin utilizando o local para experimentar novas comidas ou a UCC Japan estudando os efeitos do café na produtividade e criatividade. Oito parceiros já estão operando no local e a Toyota está terminando as negociações com mais 11 empresas, com a meta de chegar a 19 inventores.
A própria Toyota admite que não sabe o que exatamente sairá deste experimento, de tão ambicioso que é. Algumas das invenções podem render frutos, ainda que leve anos, enquanto outros podem ser descartados. É o custo de tentar prever o futuro.
Aos pés do Monte Fuji
O terreno de uma antiga fábrica da Toyota foi o local escolhido para abrigar o projeto que utiliza um espaço de 50.000 m², na primeira fase, com planos de chegar a 708.000 m² no total, quando terá 2.000 residentes
Energia limpa
Pensando no potencial do hidrogênio, a Toyota aproveita a Woven City para testar a aplicação do combustível não só nos veículos como na rede elétrica da cidade. Além do hidrogênio, o ecossistema utiliza energia solar.
Pela terra e pelo ar
Ter uma cidade estruturada permite o teste de várias modalidades de transporte. Além de automóveis autônomos, compartilhados e guiados por um pequeno robô, a comunidade terá táxi aéreo na forma de “carros voadores” e pequenos patinetes elétricos. O e-Palette, usado nas Olimpíadas de Tóquio, em 2020, servirá tanto de ônibus autônomo como de food truck e furgão de entregas.

Logística subterrânea
Um dos testes realizados é o de entregas autônomas. Veículos circulam por ruas subterrâneas, deixando os pacotes no centro de distribuição de cada prédio. De lá, uma plataforma retira a encomenda e entrega na porta do morador, eliminando a necessidade de esperar pela encomenda ou ter que buscá-la.
Valet robotizado
O experimento com carros autônomos começará com um sistema de compartilhamento. Um robô de duas rodas, chamado Guide Mobi, se conecta com o veículo eletronicamente para guiá-lo até o destino, como se estivesse rebocando o automóvel, utilizando radares a laser e câmeras para observar os arredores durante o trajeto.
