
O avanço de 0,8% no indicador que é considerado uma prévia do PIB, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), aponta para um crescimento generalizado em janeiro, embora isso não afaste a leitura de desaceleração na atividade, devido aos juros restritivos.
Mas a expectativa é que os estímulos de renda e crédito acelerem a atividade econômica neste ano, incluindo a isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil e a linha de crédito consignado para trabalhadores do setor privado.
Serviços, indústria e impostos avançam
Rodolfo Margato, economista da XP, destacou que o setor de serviços avançou 0,8% em janeiro, após resultados fracos no final de 2025. Os dados de indústria indicaram crescimento de 0,4% após três trimestres consecutivos de queda. O indicador de imposto também avançou (0,5%), apesar de ter tido queda em relação ao ano anterior.
Já o setor de agricultura e pecuária teve recuo de 1,5%, mas a XP destaca que isso se deve à base elevada em função da safra recorde do ano passado. “No geral, o IBC-Br, excluindo Agricultura e Pecuária, aumentou 0,9% m/m em janeiro, sugerindo uma aceleração nos setores mais sensíveis ao ciclo econômico”, avalia Margato.
Para o economista da Suno Research, Rafael Perez, o crescimento “robusto” do setor de serviços reflete o avanço da renda das famílias, a maior digitalização da economia e a expansão de serviços empresariais. Já a indústria, apesar dos desafios relacionados aos juros elevados, tem sido puxada pelo forte avanço na indústria extrativa.
“O comportamento dos dados de atividade econômica neste início do ano sugere que o primeiro trimestre do ano deve trazer sinais de reaceleração do crescimento, refletindo um ambiente mais favorável ao consumo e o avanço de segmentos mais exógenos da economia, como a indústria extrativa e a agropecuária”, diz.
Dados positivos não excluem desaceleração
Leonardo Costa, economista do ASA, afirma que o quadro geral segue consistente com uma desaceleração gradual da atividade, apesar do resultado forte.
Para André Valério, economista sênior do Inter, o dado é mais um “repique” do que uma mudança de trajetória, já que recupera as perdas em dezembro. Sara Paixão, analista de macroeconomia da InvestSmartXP segue na mesma linha de análise.
Valério destaca que, na comparação com janeiro do ano passado, o crescimento foi de apenas 1%, abaixo do observado em dezembro.
Matheus Pizzani, economista do PicPay, diz que a perspectiva de bom desempenho da atividade no período se deve essencialmente a fatores sazonais relacionados ao consumo das famílias no início de ano, que não apenas se concentra no grupo de serviços, como possui catalisadores importantes como o reajuste do salário-mínimo e, a partir deste ano, os recursos liberados a partir da implementação da isenção do pagamento de IR para parcela importante do mercado de trabalho.
A expectativa de Pizzani é positiva para o restante do ano, com destaque para as culturas voltadas para o comércio exterior, como soja e milho.
Segundo o economista, após o período de sazonalidade mais positiva, a expectativa é que os impactos da política monetária sobre consumo e investimento façam com que o crescimento perca do fôlego de maneira gradual.
Projeção para o PIB
Com o resultado, a XP estima que as medidas governamentais vão adicionar 0,9 ponto percentual ao crescimento anual do PIB. A projeção é de crescimento forte no PIB do primeiro trimestre, de 1% (frente a 1,7% no ano anterior) e de 2% até o fim de 2026.
Para a Suno Research, a projeção é de expansão de 1,8% na economia em 2026.
Já a PicPay projeta crescimento de 1,7% para o PIB em 2026.
Corte na Selic
Apesar de o mercado ter aumentado as apostas em um corte mais cauteloso na taxa Selic – e até na manutenção de 15% –, o Inter aposta em redução de 0,50 p.p. nos juros, apoiando-se no câmbio e no processo de desinflação.
“Além disso, apesar do mercado focar muito no aspecto inflacionário do choque do petróleo, historicamente, preços de petróleo elevados por muito tempo estão associados a desaceleração da economia global. Portanto, em meio a esse contexto acreditamos que o mais adequado seria o Copom iniciar o ciclo de cortes, ajustando o aperto monetário e ajustar a intensidade e a duração do ciclo de cortes caso necessário”, afirma Valério.
Para Sara Paixão, o cenário de decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) está desafiador. Os dados de inflação piores do que o esperado, o cenário internacional exigindo maior cautela e o avanço na atividade econômica contribuem para que o comitê adote um tom de cautela. Na avaliação dela, a expectativa passou de um corte de 0,5 p.p. para um de 0,25 p.p.
Para o PicPay, a taxa de juros ao fim deste ano será de 12%.
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