Tênis de corrida para andar no shopping, relógio de mergulho para nadar na piscina do prédio, computador gamer para mandar e-mail… Talvez você tenha alguma coisa subutilizada em casa. O argumento da Jetour para o seu SUV topo de linha, o T2, não ter tração 4×4 vai por esse caminho: na visão da empresa, o consumidor deste tipo de carro busca o estilo, mas não usa a tração 4×4. Então, o cliente não tem que pagar por isso.
Este não é um fenômeno novo. Há muitas picapes diesel que nunca estiveram em situações que exigem o uso da tração 4×4 e, pensando bem, a maioria dos SUVs são comprados só pela posição de dirigir mais alta, porque muitos nem sequer têm suspensão elevada o suficiente para evitar raspões em rampas. Mas o Jetour T2 não, ele tem quase tudo o que todo SUV deveria ter e cobra R$ 289.990 por isso. É mais caro que SUVs 4×4 como o Ford Bronco Sport (R$ 270.000) e Jeep Compass Blackhawk (R$ 274.290), porém mais barato que um GWM Tank 300 (R$ 339.000).
Falo de ângulo de ataque (28o), saída (30o) e altura livre do solo (20,5 cm) adequados para se embrenhar numa estrada de terra desconhecida, molduras nas caixas de roda tão robustas quanto os para-choques, estepe pendurado na tampa do porta-malas, que se abre para o lado – como nos jipes mais tradicionais – e um bom rack de teto. Tem tudo isso e usa pneus de asfalto. Nem para ter um pneu de uso misto…
O T2 é um híbrido plug-in e pneus com vocação para a terra tendem a ser mais ruidosos e a prejudicar o rendimento. É uma preocupação válida, mas a aerodinâmica da carroceria alta e tão quadrada também não colabora com o consumo. O desenho dos pneus de asfalto atrapalham a expulsão da terra e da lama, dificultando a aderência nessas condições. O conjunto híbrido do T2 é diferente do usado nos outros modelos da marca S06 e T1.

Além do motor 1.5 turbo com injeção direta de 135 cv e 20,4 kgfm, há outros dois motores elétricos, um com 102 cv e 17,3 kgfm e outro de 122 cv e 22,4 kgfm. Um está conectado diretamente ao motor a gasolina e o outro, por meio de engrenagens do câmbio sequencial de três marchas, para conferir mais torque e auxiliar na regeneração de energia. A combinação resulta em até 320 cv de potência. Os outros carros da marca têm apenas um motor elétrico, de 204 cv e 31,6 kgfm, e o câmbio tem somente uma marcha e a potência combinada fica nos 315 cv.


Com dois motores e o câmbio de três marchas, a aceleração pode ser mais controlável por meio do acelerador e a regeneração, mais intensa. Mas o que se nota na condução do T2 é que o motor a gasolina participa mais da aceleração, sendo ajudado por um ou pelos dois elétricos, a depender da condição. Também é possível sentir as trocas de marcha, sendo que a segunda não é convocada nas acelerações antes dos 80 km/h. Os motores elétricos continuam atuando durante as trocas de marcha.
Quanto ao desempenho, os 2.110 kg são bem percebidos. O T2 precisou de 9,7 s para chegar aos 100 km/h, bastante tempo para um carro de 320 cv. Para efeito de comparação, os tempos de aceleração e retomadas equivalem a um VW Nivus GTS. No entanto, se não fosse híbrido, suas médias de consumo não chegariam nem perto dos 11,4 km/l no regime urbano e dos 10,1 km/l rodoviários que obtivemos em nosso teste.


Embora não seja 4×4, o T2 tem uma grande articulação nas suas suspensões, McPherson na dianteira e multibraços na traseira. É boa para andar na terra, na grama e na buraqueira em geral sem batidas secas e sem que os passageiros fiquem sacolejando, o que é bom.
Mas, se a tração 4×2 representa uma limitação para o uso off-road, é bom saber que, quando o T2 está em percursos mais sinuosos, a carroceria inclina um tanto nas curvas, da mesma forma que mergulha nas frenagens e desce a traseira nas arrancadas. O T2 brinca com o design e também com essas sensações, que lembram antigos jipões com chassi de longarinas.

Do ponto de vista mais pragmático, o T2 é um SUV grande e bastante espaçoso, como é esperado de um carro com 4,78 m de comprimento e 2,80 m de entre-eixos. Daria até para ser um carro de sete lugares, mas em vez de uma terceira fila de assentos, tem porta-malas de 580 litros. A segunda fila se beneficia: ali, mesmo pessoas de grande estatura podem experimentar cruzar as pernas e se acomodar sem risco de bater a cabeça no teto, porque nem mesmo o teto panorâmico com abertura representa um prejuízo para o espaço.

Se por fora o lado “lúdico” do off-road aflora nos parafusos fluorescentes das rodas e alças no capô que são meros enfeites, a cabine tem alças por todos os lados e abusa de diferentes texturas.
O painel é macio, mas quem merece destaque é a central de 15,6”, com bússola, inclinômetro, altímetro e até um radar de profundidade de água na tela principal. O T2 tem capacidade de imersão de 70 cm, o que já encoraja atitudes diferentes em alagamentos. É uma capacidade que, convenhamos, pode ser mais útil que a tração 4×4.


A versão Advance, de R$ 289.990, tem quase tudo. O T2 das fotos é o Premium, de R$ 299.990, e soma rodas aro 20”, em vez de 19”, som Sony com 12 alto-falantes, iluminação ambiente, soleiras e grade frontal iluminadas e ajustes elétricos extras para o banco do motorista. Mas mesmo a versão de entrada tem bancos dianteiros ventilados e os faróis de leds matriciais. Pense bem nisso: o objetivo é não pagar por aquilo que você não vai usar.
Veredicto
O Jetour T2 tem algum carisma, mas o argumento de não ter tração 4×4 para ser mais barato é fragilizado pelo preço inicial de R$ 289.990 e pelo desempenho.
★★★★
Avaliação
CONSTRUÇÃO E ACABAMENTO
O Jetour T2 traz acabamento e construção aparentemente bons, e tem preocupações como porta-guarda-
-chuva nas portas da frente e porta-copos na tampa do porta-malas.
★★★★★
TECNOLOGIA
Indo além das telas e dos comandos concentrados na multimídia, o T2 é rodeado de câmeras e ainda tem radar de nível de água, útil para atravessar trechos alagados.
★★★★★
VIDA A BORDO
O espaço é ponto forte, porque o T2 é beneficiado até pela largura da plataforma. Os bancos são muito confortáveis e o assento traseiro tem boa elevação.
★★★★★
RENDIMENTO
O Jetour T2 se mostrou lento para um SUV híbrido plug-in e tem consumo mais elevado. É de aguardar ansiosamente pela versão mais potente e com tração 4×4, que chega no segundo semestre.
★★★
COMPORTAMENTO DINÂMICO
É um carro com carroceria sólida e capaz de encarar buraqueira sem sofrimento, mas a suspensão não evita a grande movimentação da carroceria nas curvas. Falta um modo off-road melhor que o modo Neve.
★★★
SEGURANÇA
SUV tem seis airbags e pacote ADAS completo, com direito a faróis matriciais com facho alto automático. Porta traseira avisa se há carro vindo.
★★★★
SEU BOLSO
Talvez não valha a pena pagar R$ 10.000 a mais pelos adereços e equipamentos extras, pois a versão de entrada é bem equipada.
★★★★

Ficha Técnica – Jetour T2
Motor: gasolina, diant., transv. 4 cil., turbo, 16V, 1.499 cm³, 135 cv a 5.200 rpm, 20,4 kgfm a 2.500 rpm. Elétrico 1, 102 cv, 17,3 kgfm. Elétrico 2, 122 cv, 22,4 kgfm; potência combinada, 320 cv
Câmbio: sequencial, 3 marchas, tração diant.
Direção: elétrica
Suspensão: McPherson (diant.), multibraços (tras.)
Freios: disco vent. nas quatro rodas
Pneus: 255/55 R20
Dimensões: compr., 478,5 cm; larg., 200,6 cm; alt., 187,5 cm; entre-eixos, 280 cm; porta-malas, 580 l; peso, 2.110 kg; vão livre do solo, 213 mm; tanque de combustível, 50 l
Teste Quatro Rodas – Jetour T2
| Aceleração | |
| 0 a 100 km/h | 9,7 s |
| 0 a 1.000 m | 30,5 s / 175,4 km/h |
| Velocidade máxima | 180 km/h* |
| Retomadas | |
| D 40 a 80 km/h | 4,5 s |
| D 60 a 100 km/h | 5,1 s |
| D 80 a 120 km/h | 6,1 s |
| Frenagens | |
| 60/80/120 km/h a 0 | 15,6/27,4/62,2 m |
| Consumo | |
| Urbano | 11,4 km/l |
| Rodoviário | 10,1 km/l |
| Ruído interno | |
| Neutro/RPM máx. | – / 44,6 dBA |
| 80/120 km/h | 66,2 / 71,2 dBA |
| Aferição | |
| Velocidade real a 100 km/h | 98 km/h |
| Rotação do motor a 100 km/h | 2.100 rpm |
| Volante | 2,5 voltas |
| SEU Bolso | |
| Preço básico | R$ 289.990 |
| Garantia | 7 anos |
Condições de teste: alt. 660 m; temp., 28 °C; umid. relat., 75%; press., 756 mmHg. Realizado no ZF Campo de Provas.
Assistência ao Motorista

| Sensor de estacionamento | Centralização de faixa |
| Farol alto automático | Aviso de abertura de porta |
| Piloto automático adaptativo | Prevenção de saída de faixa |
| Frenagem autônoma | Alerta de saída de faixa |
| Alerta de ponto cego | Câmera 360º |
Ergonomia

A: 157 cm (diant.) / 157,5 cm (tras.) B: 95,5 cm (diant.) / 98 cm (tras.) C: 95,5 cm (diant.) / 95 cm (tras.)

















