
O senador Sergio Moro (União-PR) bateu o martelo e vai se filiar ao PL no próximo dia 24 de março em solenidade em Brasília, consolidando a aproximação com o partido em meio a um acordo político que envolve tanto a disputa pelo governo do Paraná quanto a estratégia nacional da legenda para 2026.
O movimento ocorre após o senador se alinhar ao pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que decidiu romper com o PSD do governador Ratinho Júnior e apoiar Moro na eleição estadual, diante do fracasso das negociações para uma aliança mais ampla com o partido de Gilberto Kassab.
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A decisão do PL ocorre após semanas de tratativas com o entorno de Ratinho, em que aliados de Flávio chegaram a oferecer apoio ao candidato do PSD ao governo do Paraná em troca da retirada de uma eventual candidatura presidencial do governador.
A proposta, no entanto, foi rejeitada na semana passada. Ratinho sinalizou que não abriria mão de um projeto nacional caso fosse escolhido pelo partido, o que levou o PL a avaliar que o governador não daria garantias e estaria apenas “ganhando tempo” nas conversas.
Com o impasse, a legenda decidiu mudar de estratégia e apostar em Moro como forma de pressionar o PSD e, ao mesmo tempo, garantir um palanque competitivo no estado.
Nos bastidores, aliados de Flávio avaliam que o Paraná é peça-chave na disputa presidencial e que a entrada de Moro no PL ajuda a reduzir o poder de barganha de Ratinho nas negociações nacionais, além de reorganizar o campo da direita no Sul.
A aproximação ganhou um gesto público ainda nesta quarta-feira, antes mesmo do encontro com a cúpula do partido.
Durante reunião da CPI do Crime Organizado no Senado, Moro saiu em defesa de Valdemar Costa Neto ao comentar um requerimento que pedia a quebra de sigilo do presidente do PL, o que foi interpretado por dirigentes da legenda como uma sinalização direta de alinhamento político:
— Outro caso aqui é Valdemar Costa Neto, presidente do Partido Liberal. O que ele tem a ver com o escândalo do Banco Master? — questionou o senador.
Moro se reuniu nesta quarta-feira com o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, na sede do partido em Brasília, em um encontro que vinha sendo costurado há dias por interlocutores dos dois lados.
Segundo relatos, a conversa avançou rapidamente para um entendimento político e ocorreu em clima descrito como “pragmático”, com Valdemar deixando claro que o PL não esperaria indefinições do PSD.
O PL dará apoio à candidatura de Moro no Paraná, e o senador se comprometeu a garantir palanque para Flávio no estado, considerado peça-chave no Sul. Auxiliares de Valdemar dizem que o acordo foi tratado como “prioridade” diante do impasse com o PSD.
Nos bastidores, integrantes da cúpula do PL afirmam que o gesto na CPI ajudou a destravar a reta final das negociações, ao reduzir resistências internas e reforçar a leitura de que Moro já atua politicamente alinhado ao partido, mesmo antes da formalização da filiação.
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