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‘Navio negreiro das almas’: líder indígena critica data center de R$ 200 bi do TikTok

por SampaNews 19 de março de 2026
19 de março de 2026
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Imagine-se na sua casa em uma terça-feira qualquer. Em um momento de sossego após um dia cansativo de trabalho, você descobre que farão uma grande obra a alguns quilômetros da sua residência e que por conta disso, existe a possibilidade de haver desabastecimento de água.

Como se não fosse o bastante, além desse incomodo, a instalação será feita dentro de um parque muito especial para você. O local em que você construiu diversas das suas melhores memórias afetivas será completamente destruído por maquinários pesados e uma centena de homens. Adicione ainda em toda essa equação o fato de que você não foi consultado sobre qualquer um dos processos.

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É mais ou menos assim que os indígenas Anacé estão se sentido. O povo Anacé vive tradicionalmente entre os municípios de São Gonçalo do Amarante e Caucaia, na região metropolitana de Fortaleza (CE). Neste momento, avançam a todo vapor próximos ao local as obras de instalação de um data center do TikTok que terá custo de R$ 200 bilhões.

Assim como o morador (não tão) fictício do grande certo urbano que está vendo suas memórias e vida serem transformadas pelas retroescavadeiras, o povo originário está sofrendo com a falta de perspectiva e o receio de terem a relação com a terra totalmente transformada.

Moradores de grandes centros urbanos estão acostumados com a cidade sendo um grande canteiro de obras de verticalização. (Imagem: Debora Rodrigues/Getty Images)

Na verdade, no caso dos indígenas, ainda há o agravante de ter que conviver com situações não raras de violência, o que gera uma sensação inevitável de insegurança. Só que apesar de todos os reveses, “medo” não é um conceito que parece estar presente no vocabulário da população tradicional.

O TecMundo conversou com exclusividade com o Cacique Roberto Ytaysaba Anacé. Ele conta um pouco sobre a indignação da comunidade de ter sido somente avisada pela imprensa sobre a obra do data center e sobre um caso recente de tortura. Acima de tudo, ele relata como tem sido viver como um indígena na era dos algoritmos, big data e inteligência artificial.

 

O TecMundo entrou em contato com todas as instituições citadas pelo cacique na entrevista. Os posicionamentos de todos os órgãos e empresas poderão ser acompanhados no final da página. Além disso, para entender um pouco mais sobre o projeto, valores envolvidos, possíveis malefícios e benefícios, acesse a matéria linkada abaixo.

Entrevista com o Cacique Roberto Ytaysaba Anacé

TecMundo: Me conte um pouco sobre a sua família e o seu dia a dia?

Cacique Roberto Ytaysaba Anacé: Eu prefiro não dar detalhes sobre isso. Estamos tratando de problemas muito grandes. Nós somos a aldeia que mais tem defensores humanos no Brasil. Meu pai dizia antigamente que, na nossa região, ia chegar muito lixo químico e eu não entendia o que era realmente. Hoje eu tô [sic] vendo que o que outros países não querem, estão jogando para cá. Que é o que o governo estadual tá [sic] fazendo, de certa forma. E dizendo que é bom [para os indígenas]. [Dizem que] o verde é bom, o cimento verde é bom, a energia verde é boa e a gente sabe que tudo isso tem um custo. Muitas vezes é um custo de invasão social, de limpeza social e, principalmente, contra as comunidades indígenas que nasceram e se criaram na localidade. 

 

TecMundo: Você comentou em relação a várias questões [de violência] que não são de agora. E você compartilhou comigo aquele vídeo com relato sobre o ataque do dia 29 de janeiro*. Eu queria saber como foi esse caso e que providências foram tomadas. 

Cacique: Bom, as pessoas foram fazer os exames de corpo de delito e foi feito o BO [boletim de ocorrência]. A Secretaria de Direitos Humanos ouviu os [meus] parentes que estavam lá. A Funai também fez encaminhamentos, a Polícia Civil e a Polícia Federal também. E está tudo em segredo de justiça.

 

*Sobre esse caso de violência. A população indígena Anacé denunciou um ataque sofrido em 29 de janeiro por homens que chegaram em carros já durante a madrugada. Os indígenas afirmam ter sofrido tortura e o caso foi registrado na polícia, que segue investigando. Por enquanto, não há presos. Nesse ponto é essencial pontuar que não há nenhum indício de que o caso de tortura e outras violências e intimidações tenham algum tipo de correlação com a construção do data center. Ambos são tratados como dificuldades diferentes vividas pelo povo Anacé.

TecMundo: E como é que estão as pessoas? Você chegou a ser afetado? Como é que foi para você?

Cacique: Eu fui afetado psicologicamente porque se trata de parentes meus, do meu povo. Nesse dia, eu não estava na retomada. Não foi simplesmente agressão, foi tortura mesmo. Ficaram de meia-noite até umas 3h da madrugada com arma na boca [dos indígenas]. Às 4h da madrugada nós ligamos para o Ciop [Centro Integrado de Operações]. A viatura foi e nada fez. Eles [agressores] estavam lá e nem voz de prisão eles [polícia] deram. 

“Não foi simplesmente agressão, foi tortura mesmo”

TecMundo: A minha próxima pergunta você já meio respondeu, mas eu queria um pouco mais de uma fala sua sobre sensação. Eu queria saber se vocês se sentem seguros hoje aí na região, como é o cotidiano de conviver com todas essas questões juntas. Não só do data center e tudo, mas em relação aos ataques também. 

Cacique: A sensação de insegurança é mais pela parte da polícia. Por incrível que pareça. Porque a comunidade ainda é uma comunidade, de certa forma, pacata. Tem os seus problemas, né, que afetam o Código Penal, como tem em todo canto. [Mas] o problema maior é a polícia despreparada. O problema maior é quem nos causa insegurança ser justamente quem deveria nos dar segurança.

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Não há uma contagem oficial, mas estima-se que a população Anacé no Ceará ultrapasse 3 mil pessoas. (Imagem: Iago Barreto/Intercept)

TecMundo: Agora falando um pouco mais sobre essa questão do data center. A primeira pergunta em relação a isso é se teve alguma tentativa de diálogo direto com o TikTok, com a Casa dos Ventos ou com o governo do Ceará. Alguém procurou a liderança Anacé para falar sobre esse empreendimento?

Cacique: Esse contato só teve por que a gente soube [do data center] pelo Intercept**, né? E nós fizemos uma ação na Semace [Superintendência Estadual do Meio Ambiente do Ceará] e exigimos que os nossos protocolos fossem ouvidos, fossem vistos, fossem lidos e entendidos. Nós temos o primeiro protocolo construído no estado do Ceará. E a Casa Civil, não foi nem o governo, pediu para falar com a gente. A gente falou e eles ficaram quase que barganhando a questão do TikTok, dizendo que ia chegar para nós infraestrutura, pista, que ia melhorar energia, melhorar a internet, só que tudo isso é política pública. E até agora, nada chegou […]

**O Intercept foi um dos primeiros veículos de imprensa a cobrir a questão sobre a instalação do data center do TikTok no Ceará. Dentre outras coisas, o site revelou que o governo do Ceará autorizou as instalações a utilizarem sete vezes mais água do que o que estava previsto no licenciamento ambiental.

Cacique: […] eu estou aqui em frente ao CRAS [Centro de Referência de Assistência Social]. Está parado [o CRAS] por essa questão da energia dentro de Caucaia, que não funciona direito. É generalizado isso aqui, sabe? Todos os bairros reclamam dessa queda de energia. Infraestrutura é só um paliativo. Sabe aquela história de “engana besta”?

TecMundo: E as obras [do data center] começaram em janeiro, não foi?

Cacique: Foi. Só que parece que eles tinham começado antes, porque o negócio está avançado, viu? E aí nós tivemos essa conversa com o governo e foi uma conversa desgastante. Porque, a todo instante, o governo não quer saber das comunidades. A última pauta deles são as comunidades. Tanto municipal como estadual […]

Cacique: […] então, assim, [não teve] nada de consulta. Eles falaram que estavam consultando, mas não houve consulta. Foi uma reunião no governo e depois eles mandaram uma empresa chamada Omnia [responsável pela construção do data center] para vir fazer algumas oficinas. Eles mandaram um rapaz que disseram que era facilitador. Aí eu até brinquei com ele: “Mas graças a Deus que o senhor vem com analgésico”. E… como se chama o que bota para você dormir? Aqueles calmantes. “Então o senhor é a pessoa que anestesia as dores, para não doer muito?”. Aí ele disse: “Não, não é bem assim”. É sim. Nós não temos facilitador. O nosso povo não tem facilitador. A nossa fala é essa. A gente não vai falar bonito, a gente não quer data center e acabou-se […]

Cacique: […] não houve nem aviso. Então, até agora, a gente luta porque a consulta não houve. E por que a gente luta se já está tudo feito? Eles podem levantar o prédio, mas, para nós, é inválido tudo que eles estão fazendo.

“A gente não vai falar bonito, a gente não quer data center e acabou-se”

TecMundo: Eles não deixaram que vocês participassem do processo ativamente, sem impedimento, colocar claramente a opinião e levar em consideração…

Cacique: É. Eles são políticos, nós colocamos eles [sic] para administrar, mas, na verdade, nós colocamos eles e eles se sentem donos do que é nosso, ainda mandam no que é nosso. Ainda falam por nós sem nós presentes. 

TecMundo: E aí o senhor comentou sobre a questão da falta de energia, que já ocorre aí até antes dessa obra começar. Eu queria saber também, em relação à água e outros acessos, se vocês têm problemas.

Cacique: Todas as comunidades ao redor desse empreendimento, do próprio complexo, não têm água encanada. Então, assim, tudo que eles tirarem do lençol freático vai estar tirando das cachoeiras, das pessoas que já não têm água.

TecMundo: Inclusive, essa questão — você comentou agora também — de apoio a esse projeto: é um negócio que, pelo que dá para entender lendo as notícias, tem aceitação geral dos políticos, até da classe de empresários. Todo mundo parece que aceita. É mais ou menos essa a percepção?

Cacique: É, mais ou menos isso. Até a população, uma parte da população aceita porque não sabe o que é. E, a todo instante, nas licenças, nos diálogos, nas apresentações dos documentos, nas justificativas, eles colocam uma coisa, depois botam outra e confundem o povo sobre o que é real do estrago que vai ser feito.

TecMundo: Você acha que, se tivesse uma votação, por exemplo, na população do Ceará inteiro, passaria? A população não sabe direito do que se trata, mas você acha que passaria?

Cacique: Pois é. A população votaria contra si mesma, porque não sabe direito. Eles não falam direito o que é realmente. Eles só querem apresentar vinho, festa e pão. Dizem: “O TikTok é muito bom, guardar os dados das pessoas é muito bom, vai favorecer muito as pessoas”. Perderíamos, com certeza perderíamos.

TecMundo: O pessoal da Casa dos Ventos, da Omnia, o TikTok, enfim, estão todos com o discurso de que vai ter crescimento social, que vai ter geração de emprego, que vai ter muita oportunidade de empreendimento. Esse é meio que o contraponto que eles estão vendendo. Só que eu queria saber o que a comunidade realmente deseja ou reivindica sobre o projeto. Quero saber o que a população indígena Anacé reivindica de fato e poderia exigir diante da instalação de um data center como esse.

Cacique: Em primeiro lugar, a demarcação da nossa terra. Depois, políticas públicas de vergonha e de verdade. Que as nossas organizações trabalhem nessa infraestrutura total da nossa aldeia, das nossas localidades. A gente mostraria que a nossa aldeia seria muito mais bela do que uma prefeitura de Caucaia. Mas nós mandamos uma minuta. Sabe aquela minuta em que você estipula uma coisa, mas você não quer? Aí eu mandei, junto com a nossa organização, uma resposta dizendo: “Olha, realmente não está à venda. E nós não queremos acordo. Tá determinado isso”. E a contrapartida que eles querem dar são apenas oficinas. 

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O Rio Ceará é a principal via fluvial do município de Caucaia. (Imagem: cacio murilo de vasconcelos/Getty Images)

TecMundo: Se fosse para redesenhar esse processo desde o começo, desde o zero, se vocês estivessem no comando desse processo todo, como é que vocês fariam? 

Cacique: Em primeiro lugar, esse processo deveria ter sido democrático de fato. Eu entendo que cada comunidade poderia ter, sim, o seu data center, sem nenhum problema e sem ser tão agressivo. Mas, como é algo para enriquecer o menor grupo, então, quanto maior, maior o estrago também. Se fosse democrático e todas as comunidades, todas as prefeituras, democraticamente, com leis voltadas para segurança ambiental, para a segurança social, etc. Eu acredito que a tal IA também [pode ser] bem democrática. Mas, nesse formato que eles têm, eles dizem que a água é um circuito fechado. Não: o circuito fechado é das riquezas. Eles tiram para eles, vendem para eles e lucram para eles […]

“Meu pai dizia que quem luta por folha — a folha do dinheiro — é gafanhoto. Então, esse é um formato de gafanhotos, para acabar com toda a nossa natureza. É uma praga do deserto”

TecMundo: E que mensagem o senhor gostaria de enviar aos usuários do TikTok no Brasil e no mundo sobre o que significa, para o povo Anacé, ter um data center bilionário instalado em um território onde muitas famílias ainda vivem sem acesso adequado a água e energia?

Cacique: É que aquilo muito vezes que faz o bem e cega a grande massa, destrói grandes comunidades indígenas. Isso é criminoso, invasivo. Data center é um navio negreiro, pior que um navio negreiro. Eles não tentam carregar nossos corpos, eles querem carregar as almas, e não só dos escravos, mas de toda a população. 

Cacique Roberto Anacé
O Cacique Roberto Anacé tem sido um dos principais proponentes da luta dos indígenas Anacé contra o data center do TikTok. (Imagem: Iago Barreto/Intercept)

TecMundo: Agora quais são os próximos passos? O que será feito nos próximos meses de construção do data center?

Cacique: Agora vamos esperar a decisão do Ministério Público***. Talvez fazer ação para evidenciar a negligência da SEMACE e Funai. O nosso povo tem um número bom, temos organização. Só que o problema são as condições de carregar o povo para o embate. É uma luta injusta. Lutamos contra estado e empresários milionários. 

***Em perícia técnica, o Ministério Público Federal Federal (MPF) constatou ter havido falhas no licenciamento ambiental realizado para a construção do data center. O inquérito apura, por exemplo, que o licenciamento não considerou a utilização de geradores a diesel, o que aumentaria o impacto da obra na região.

TecMundo: Tem algo que eu não perguntei e você gostaria de falar sobre os Anacé e sobre o data center do Tiktok?

Cacique: É importante que as redes sociais, pessoas de bem, jornalistas, se debruçassem mais sobre esse tema porque depois pode ser tarde. Pode ser tarde para aqueles que sabem valorizar as coisas verdadeiras. Quando eles centralizarem os dados e comandarem a todos, nem a própria imprensa vai conseguir ir contra. Eu posso ficar um dia dentro desse navio negreiro à força, mas jamais terei remorso de ter lutado. Os que se omitiram, depois irão perceber que os Anacé estavam do lado correto.

Outro lado

Confira, abaixo, o posicionamento na íntegra dos órgãos envolvidos com a questão dos indígenas Anacé, no Ceará.

Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará 

“A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS-CE) informa que mantém diálogo contínuo com as secretarias dos Povos Indígenas (Sepince) e dos Direitos Humanos (Sedih), visando fortalecer as políticas de segurança direcionadas aos povos originários do Ceará. Sobre a situação dos Anacés, em Caucaia, a SSPDS realizou uma reunião no último dia 29 de janeiro de 2026 com representantes da Sepince, Sedih, Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Ministério Público do Ceará (MPCE) e Instituto do Desenvolvimento Agrário do Ceará (Idace). O objetivo foi adotar providências integradas para a proteção do grupo, respeitando as atribuições de cada órgão.

A SSPDS ainda destaca que no dia 22 de janeiro de 2026, o Comando de Prevenção e Apoio às Comunidades (Copac) da PMCE foi acionado para mediar um conflito na localidade de Tanupaba, em Caucaia. Na ocasião, indígenas Anacé denunciaram uma abordagem praticada por um grupo que alega ser proprietário da área. A PMCE realizou a mediação no local e encaminhou o caso à Funai, para que a reivindicação fosse tratada via Justiça Federal.

Posteriormente, no dia 29 de janeiro de 2026, equipes do policiamento comunitário especializado foram mobilizadas após denúncia de lesão corporal no mesmo local, contra os indígenas que reivindicam a posse do território. As agressões teriam ocorrido antes do acionamento policial. Diante dos fatos, a Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) instaurou um procedimento e remeteu à Polícia Federal, responsável pela investigação.

Medidas adotadas

Após a articulação entre as pastas, ficou definido o reforço do patrulhamento ostensivo com equipes do Grupo de Segurança Comunitário (GSC/Copac/PMCE). O grupo também foi encaminhado para atendimento pelo Núcleo de Assessoria aos Programas de Proteção (Napp) e pelo Centro de Referência em Direitos Humanos (CRDH), ambos da Secretaria de Direitos Humanos (Sedih).

Políticas Públicas

A SSPDS-CE reafirma seu compromisso com os povos originários por meio do Plano de Ação Integrado para a Proteção dos Povos e Territórios Indígenas (PAIPTI). Desde 2024, a Superintendência de Pesquisa e Estratégia de Segurança Pública (Supesp) mantém um painel dinâmico para monitoramento de crimes contra indígenas, garantindo transparência e embasamento para novas políticas públicas.

No âmbito da formação, uma parceria firmada em agosto de 2025 entre a Academia Estadual de Segurança Pública (Aesp) e a Sepince insere conteúdos sobre direitos indígenas nos currículos de formação dos profissionais de segurança, incluindo seminários e cursos de extensão.

Denúncia

A SSPDS reforça a importância da colaboração cidadã. Denúncias podem ser feitas pelo Disque-Denúncia 181 ou pelo WhatsApp (85) 3101-0181, que recebe mensagens, áudios e vídeos. O site e-denúncia (https://disquedenuncia181.sspds.ce.gov.br) possui, inclusive, um campo específico para crimes ocorridos em territórios indígenas. O sigilo e o anonimato são garantidos”.

Secretaria dos Direitos Humanos do Ceará 

“A Secretaria dos Direitos Humanos do Ceará (Sedih), de forma coordenada com a Secretaria dos Povos Indígenas do Ceará (Sepin), realizou atendimento a seis indígenas da etnia Anacé no dia 29 de janeiro de 2026. O grupo foi recepcionado por representantes do Núcleo de Assessoria aos Programas de Proteção (Napp) e do Centro de Referência em Direitos Humanos (CRDH), a fim de garantir escuta qualificada e os encaminhamentos necessários a partir da demanda apresentada.

Diante da constatação de situação de ameaça vivida em contexto de atuação em defesa do território, de maneira célere e em caráter de urgência, os membros do grupo que ainda não estavam integrados a essa política foram incluídos no Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, Comunicadores e Ambientalistas (PPDDH), a partir de então sendo integrados no Sistema Estadual de Proteção a Pessoas (SEPP). O PPDDH contempla uma série de medidas protetivas, além de atendimento jurídico e psicossocial, aos defensores e defensoras dos Direitos Humanos, comunicadores e ambientalistas, em situação de risco ou que sofreram violação de direitos em razão de sua atuação (Decreto nº 36.947/2025).

O Programa integra o SEPP, que conta ainda com o Programa de Proteção a Crianças e Adolescentes Ameaçados de Morte (PPCAAM), o Programa de Proteção a Vítimas e Testemunhas Ameaçadas (Provita) e o Programa de Proteção Provisória (PPPro). Com particularidades relacionadas ao público e a forma de proteção de cada um, garantindo o sigilo e a segurança dos protegidos, os Programas são gerenciados pelo Núcleo de Assessoria aos Programas de Proteção (Napp) da Secretaria dos Direitos Humanos do Ceará (Sedih) e executados por organizações da sociedade civil”.

TikTok

“O TikTok respeita as comunidades locais e as normas socioambientais aplicáveis a projetos de infraestrutura. O desenvolvimento do data center segue os processos regulatórios e de licenciamento nos termos definidos pelas autoridades competentes, que incluem avaliações de impacto aplicáveis conforme previsto na legislação brasileira. Seguiremos trabalhando com parceiros e autoridades para garantir que ele seja conduzido de forma responsável, sustentável e transparente”.

Omnia

“Todo o desenvolvimento do Data Center Pecém foi conduzido dentro dos requisitos legais e regulatórios aplicáveis. O projeto foi analisado e aprovado pela autoridade ambiental competente, a SEMACE, que atestou sua viabilidade e emitiu as licenças ambientais cabíveis. O empreendimento está localizado na ZPE Ceará, área industrial formalmente instituída pelo poder público estadual, e foi estruturado com robusta base técnica, apoiado em estudos ambientais conduzidos por equipe multidisciplinar especializada.

Consideradas as características técnicas do empreendimento, a legislação aplicável e sua inserção em área previamente destinada a uso industrial, o processo de licenciamento do empreendimento não configurou exigência de consulta livre, prévia e informada (CLPI). Ainda assim, a OMNIA atua no território de forma a ampliar o diálogo, mantendo um processo contínuo de interação e relacionamento com as comunidades locais, o que vai além das obrigações legais. 

A OMNIA desenvolve o projeto do Data Center Pecém com base em responsabilidade técnica, sustentabilidade e diálogo permanente com as comunidades localizadas na região do empreendimento, incluindo lideranças do povo Anacé. Desde o início de sua atuação no projeto, a empresa mantém interação contínua com as comunidades locais, com realização de encontros presenciais nos próprios territórios de forma a promover um ambiente aberto à   escuta e ao diálogo. Esses encontros tiveram como objetivo não apenas apresentar o empreendimento com transparência, mas também esclarecer questões relacionadas ao uso de água, consumo de energia, geração de empregos.

O Data Center Pecém é um investimento estruturante para o Ceará, com potencial de geração de empregos diretos e indiretos, capacitação de mão de obra local, fortalecimento da cadeia de fornecedores regionais e estímulo à inovação tecnológica e ao desenvolvimento da economia digital. O compromisso da OMNIA é contribuir para o desenvolvimento sustentável da região com responsabilidade socioambiental ampliada, presença ativa no território e diálogo permanente com todas as comunidades do entorno. Transparência, escuta contínua e segurança jurídica são princípios inegociáveis na condução do projeto”.

Prefeitura de Caucaia

Não respondeu aos questionamentos do TecMundo até o encerramento da reportagem.

Semace

Não respondeu aos questionamentos do TecMundo até o encerramento da reportagem.

Funai

Não respondeu aos questionamentos do TecMundo até o encerramento da reportagem.

 

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