A compra de um carro é sempre uma decisão importante, afinal, o investimento necessário para adquirir um veículo é alto. Com isso, ofertas de carros que não têm boa aceitação no mercado parecem tentadoras.
Veículos de marcas hoje consagradas à venda por R$ 10.000, R$ 15.000 e até mesmo veículos de luxo com preços muito atrativos perto dos carros 0 km chamam a atenção. Vale ressaltar que para andar com um veículo 0 km é necessário desembolsar ao menos R$ 77.000, enquanto algumas marcas já pedem mais de R$ 100.000 pelo seu carro mais barato.
Porém, essas ofertas podem se tornar verdadeiros buracos de dinheiro e frustração. Seja pela mecânica pouco confiável e problemática ou por simplesmente ser impossível realizar qualquer manutenção.
Diante desse cenário, QUATRO RODAS separou alguns veículos para você nunca comprar. Confira.
Primeira fase da Chery

Antes do sucesso da parceria com a Caoa, a Chery se aventurou no Brasil inspirada na JAC Motors. Construiu fábrica, prometeu muita coisa, mas foi somente quando se tornou parceira da empresa brasileira que as coisas melhoraram.
Portanto, se ver por aí ofertas tentadoras de QQ, Face, Cielo, Celer e da primeira geração do Tiggo, fique atento. Os produtos não possuem boa aceitação no mercado, a construção é bem inferior aos Caoa Chery e encontrar peças pode ser um desafio. As concessionárias até oferecem serviços de revisões e peças, mas os valores superam em muitas vezes aqueles cobrados pelos Chery mais recentes.
Lifan

Outra marca chinesa que chegou ao Brasil para tentar surfar no mesmo sucesso da JAC. No entanto, seu primeiro produto já causou estranheza, afinal, o hatch Lifan 320 era uma imitação do Mini Cooper. Hoje, esses carros estão aos pedaços, com pintura queimada e faróis opacos.

A Lifan ainda chegou a oferecer SUVs, sempre apostando no custo-benefício. No entanto, a empresa teve dificuldades no Brasil e faliu em seu país natal. Atualmente, seu espólio pertence à Geely e foi reativado sob a marca Livan, focada em veículos elétricos de baixo custo.
Seres

A Seres chegou atrasada ao Brasil. A marca chinesa apostava em uma rede sem concessionárias e vendas feitas diretas pelo seu site. Enquanto o pós-venda era prestado em oficinas credenciadas, como da Porto Seguro.
No entanto, os veículos nunca convenceram o consumidor, tanto que as unidades que restaram foram vendidas em um leilão em dezembro de 2024 com lances iniciais por 23% do valor do veículo. A manutenção só é possível com importação de peças da China. Há, inclusive, casos de carros sinistrados que viraram perda total por causa de um para-choque quebrado, por não existir peça de reposição.
Veículos com câmbio automatizado de embreagem única

Uma das soluções do mercado automotivo para tentar baratear o acesso a veículos automáticos foram os carros automatizados de embreagem única. Esse tipo de transmissão tem os mesmos componentes de uma transmissão manual, mas com um sistema eletrônico ou eletrohidráulico, que atua na troca de marchas.
Entre os problemas mais comuns estão vazamento de óleo do sistema hidráulico e queima da bomba de pressão do óleo do sistema hidráulico, além de problemas nos atuadores eletrônicos. Com isso, a manutenção é consideravelmente complicada e custa muito mais ao bolso do proprietário. Atualmente, há oficinas especializadas na troca do câmbio automatizado por transmissões manuais.
Portanto, os Volkswagen com nomenclatura I-Motion, os Fiat Dualogic ou GSR, Chevrolet com Easytronic e Renault com EasyR’, podem oferecer uma boa dose de dor de cabeça. Ou virar enxaqueca.
Ford com Powershift

A Ford apostou em outro tipo de câmbio automatizado, neste caso com dupla embreagem. Nesse tipo de câmbio, uma embreagem atua em marchas ímpares, outras nas pares e ré.
No entanto, no caso da Ford, falhas no módulo de controle são comuns graças a contaminação por água e vazamento de óleo. Mesmo com aumento da garantia, que passou a ser de 10 anos, a Ford não conseguiu resolver o problema e abandonou o Powershift quando lançou o Ka automático e a última reestilização do EcoSport.
Esse câmbio é uma verdadeira loteria e pode levar milhares de reais do bolso do dono. Vale ressaltar que o DSG, da Volkswagen, seguia os mesmos problemas antes de passar a banhar as embreagens com óleo.
