O consumo de álcool tem sido um elemento recorrente em casos de violência contra a mulher, em São Paulo. Segundo um levantamento do Instituto Sou da Paz, entre 2023 e 2024, foram registrados por dia 70 casos associados à bebida alcoólica. Em Campinas, as ocorrências cresceram em 12% em um ano.
A pesquisa do instituto foi feita com base nos boletins de ocorrência da SSP (Secretaria do Estado da Segurança Pública) dos anos de 2023 e 2024, e com classificação feita pela Polícia Civil como violência doméstica. O levantamento ainda fez uso de filtros como “bebida alcoólica”, “embriagado/a”, “bêbado”, “álcool” e “alcoolizado/a”.
Perfil da vítimas
O estudo apontou que 93% das vítimas dos casos analisados são mulheres, com maior concentração nas faixas de 27 a 44 anos. Essas mulheres estão em plena vida ativa e, frequentemente, têm filhos. Já quanto ao perfil dos agressores, 95% são homens.
Ocorrências se concentram nos finais de semana
No conjunto de mais de 50 mil casos analisados, os registros de violência doméstica se concentram nos finais de semana. Cerca de 42% das ocorrências foram observadas aos sábados e domingos. Já no período noturno, ocorreram 36% dos episódios de violência.
Além disso, três em cada quatro dos casos aconteceram dentro de casa, o que reforça o caráter muitas vezes oculto desse tipo de crime.
Uma vítima de violência doméstica contou à EPTV Campinas que, há quatro anos, quando se casou, acreditava estar vivendo um sonho. Em um primeiro momento, o marido parecia calmo, mas com o tempo acabou se tornando um agressor.
“No começo do relacionamento, ele mostrava ser uma pessoa muito boa, calmo, uma pessoa educada pra falar. Depois, começou a surgir ciúmes, por causa da roupa, por causa de amizade, telefone, redes sociais”, disse.
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Ela relatou que se separou neste mês, após um episódio de agressão na frente da filha de dois anos.
“Ele bebeu, aí fui levar minha filha até a escola, né? E aí, quando eu cheguei em casa, ele desferiu um soco no meu rosto, onde eu caí com a minha filha de dois anos assistindo tudo. E aí ele me deu muitos socos na barriga, meu rosto ficou desconfigurado”, contou.
De acordo com Bruno Langeani, consultor do Instituto Sou da Paz, o número de casos é um alerta tanto para a sociedade quanto para as autoridades.
“50 mil ocorrências em dois anos, uma média de 2 mil ocorrências por dia, é muita coisa e isso deveria chamar a atenção não só da sociedade com relação ao álcool, mas especialmente das autoridades, para pensar em políticas públicas para a gente reduzir essa violência contra a mulher”, disse Langeani.
É importante ressaltar que, quando se fala em consumo de álcool, nem sempre é possível afirmar que foi o agressor que consumiu bebida alcoólica. Em alguns casos, pode ter sido a própria vítima que consumiu álcool, ficando mais vulnerável durante a violência.
*Com informações da EPTV Campinas
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