
Christine Lagarde aproveitou uma reunião com autoridades de alto escalão do Grupo dos Sete para confrontar o otimismo do secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, em relação à ideia de que os impactos econômicos da guerra no Irã serão de curta duração, segundo pessoas a par das discussões.
Bessent minimizou os danos causados por semanas de combates no Oriente Médio e argumentou que as perturbações — incluindo o fechamento, na prática, do Estreito de Ormuz — serão temporárias, disseram essas pessoas, que pediram anonimato por se tratar de conversas confidenciais.
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“Vocês terão que começar a aprender a lutar por si mesmos, os EUA não estarão mais lá para ajudá-los, assim como vocês não estiveram lá para nos ajudar”
A presidente do Banco Central Europeu, porém, rebateu. De acordo com essas fontes, Lagarde afirmou a Bessent e aos demais participantes da videoconferência do G-7 na segunda-feira — que reuniu presidentes de bancos centrais, ministros de Finanças e de Energia — que os efeitos serão duradouros porque já houve destruição demais.
Porta-vozes do Tesouro americano não responderam a ligações, mensagens de texto nem e-mails. O BCE se recusou a comentar.
O embate reflete as crescentes tensões entre os EUA e a Europa, muito mais exposta ao disparo dos preços de energia e às interrupções no transporte marítimo provocados por um conflito que o continente não iniciou.
O custo econômico já aparece nos dados: números divulgados nesta terça-feira mostraram que a inflação na zona do euro saltou em março no ritmo mais forte desde 2022, quando a Rússia invadiu a Ucrânia. Ao mesmo tempo, governos dos 21 países que usam a moeda comum estão cortando projeções, na tentativa de evitar que um ano inicialmente visto como início de recuperação acabe se transformando em recessão.
Bessent tem tentado, nos últimos tempos, acalmar os temores da opinião pública americana em relação à guerra, argumentando que o mercado de petróleo continua bem abastecido e dizendo que o estreito entre o Irã e outros países do Golfo deve ser reaberto ao longo do tempo.
Lagarde, por outro lado, tem soado o alarme. No cenário severo traçado pelo BCE — que considera interrupções agudas no fornecimento de energia até o fim de 2026 e destruição adicional significativa de infraestrutura —, a inflação atinge um pico de 6,3%.
“Estamos enfrentando um choque real — provavelmente além do que conseguimos imaginar neste momento”, disse Lagarde em entrevista à revista The Economist. Em relação à extração, ao refino e à distribuição de petróleo, “já houve danos demais, e não há como reverter isso em questão de meses”.
O embate com Bessent não foi o primeiro atrito da francesa com um integrante do governo americano neste ano. Em janeiro, ela deixou no meio um discurso do secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, no Fórum Econômico Mundial, por considerar que sua retórica anti-europeia havia passado dos limites.
A teleconferência de segunda-feira fez parte dos esforços globais para mitigar a crise, com alguns governos já decidindo recorrer a reservas estratégicas de petróleo. Os países do G-7 disseram estar prontos para tomar “todas as medidas necessárias” para “preservar a estabilidade e a segurança do mercado de energia”.
Eles também reconheceram a importância de uma “ação internacional coordenada” para reduzir efeitos de contágio e proteger a estabilidade macroeconômica.
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