
O presidente americano Donald Trump exigiu que o Irã reabra o Estreito de Ormuz às vésperas das negociações de paz marcadas para este sábado (11) em Islamabade, enquanto Israel e Hezbollah seguiam trocando ataques e o Kuwait acusava o Irã e grupos aliados de violar os termos do cessar-fogo de duas semanas.
“O Irã está fazendo um trabalho muito ruim, desonroso diriam alguns, de permitir que o petróleo passe pelo Estreito de Ormuz. Esse não é o acordo que firmamos!”, escreveu Trump na Truth Social na quinta-feira. “Vocês verão o petróleo começar a fluir, com ou sem a ajuda do Irã e, para mim, não faz diferença de qualquer jeito.”
O tráfego pelo estreito, que antes da guerra respondia por cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito negociados no mundo, mostrou pouco sinal de retomada desde o anúncio da trégua. O petróleo Brent operava com alta de cerca de 1,9%, a quase US$ 98 o barril, em Londres nesta sexta-feira. As bolsas asiáticas avançaram, registrando o primeiro ganho semanal desde o início do conflito, com investidores cautelosamente otimistas antes das negociações do fim de semana.
O novo líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, filho do líder morto no primeiro dia da guerra, disse em publicação no Telegram que o Irã “certamente levará a gestão do Estreito de Ormuz a um novo estágio”, sem deixar claro se a declaração se referia à pretensão iraniana de manter controle sobre a passagem, posição que os EUA já rejeitaram. Khamenei reiterou também que o Irã exige reparações de guerra, condição considerada inviável para os negociadores americanos.
Apesar do cenário, Trump disse à NBC estar “otimista” em relação a um acordo e descreveu os líderes iranianos como “muito mais razoáveis” do que suas declarações públicas sugerem. O vice-presidente JD Vance liderará a delegação americana nas negociações em Islamabade, acompanhado pelo enviado especial Steve Witkoff e por Jared Kushner.
O Líbano segue como o principal ponto de tensão antes das conversas. Trump disse à NBC que pediu a Netanyahu para “baixar o tom” nos ataques ao Líbano, após conversa telefônica entre os dois na quarta-feira. Mesmo assim, Israel continuou a atacar cidades no sul do país nesta sexta. O Hezbollah respondeu com drones e salvas de foguetes em direção ao território israelense, e socorristas israelenses relataram feridos em cidades do centro e sul de Israel.
O chefe do estado-maior do IDF, Eyal Zamir, foi direto: “O IDF está em estado de guerra; não estamos em cessar-fogo na frente norte. Continuamos a operar nesta frente. Este é nosso foco operacional primário.”
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que os ataques israelenses no Líbano constituem uma “clara violação” do cessar-fogo e tornariam as conversas de paz “sem sentido”. Netanyahu anunciou a abertura de negociações diretas com o Líbano para discutir o desarmamento do Hezbollah, e os EUA confirmaram que vão sediar uma reunião com Israel e Líbano na semana que vem. O governo libanês, porém, disse que não negociará “sob fogo”.
A guerra no Oriente Médio já causou mais de 5.500 mortes, segundo governos e organizações não governamentais. Mais de 3.600 pessoas morreram no Irã, segundo estimativa da Human Rights Activists News Agency, com sede nos EUA, e mais de 1.700 no Líbano, de acordo com o governo do país. Israel afirma ter eliminado mais de 1.400 militantes do Hezbollah, incluindo 200 somente na quarta-feira. Cerca de três dezenas de pessoas morreram em Israel e número semelhante nos países do Golfo Árabe. Treze militares americanos foram mortos, segundo o Comando Central dos EUA.
A Arábia Saudita confirmou ter perdido mais de 500 mil barris por dia de capacidade de produção de petróleo em decorrência dos ataques iranianos à infraestrutura do país. Ataques a uma estação de bombeamento do oleoduto leste-oeste reduziram o fluxo diário em 700 mil barris, segundo a agência estatal Saudi Press Agency.
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