A Xinbi Guarantee, mercado ilegal baseado em criptomoedas que oferece serviços para golpistas, segue funcionando no Telegram mesmo depois de sofrer sanções do governo do Reino Unido, conforme revelou a Wired na terça-feira (14). O mensageiro não se posicionou.
As contas associadas ao marketplace continuaram disponíveis no app e promovendo atividades ilícitas. Nas três semanas seguintes à decisão das autoridades britânicas, as transações por meio do serviço chegaram a US$ 505 milhões, o equivalente a R$ 2,52 bilhões pela cotação atual.
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Serviços oferecidos pela Xinbi Guarantee
Mantido por operadores chineses, o mercado ilegal que funciona no Telegram atua como uma espécie de hub de serviços ilegais. Segundo a Elliptic, empresa de rastreamento de criptomoedas, a plataforma facilita a lavagem de dinheiro usando ativos digitais.
- Entre os clientes da Xinbi Guarantee estariam sindicatos do crime organizado que operam em países como Mianmar, Laos e Camboja;
- Tais grupos administram complexos onde funcionam centrais de golpes online que mantêm vítimas de tráfico humano forçadas a trabalhar nas fraudes;
- Anúncios de produtos destinados a essas operações, como algemas, armas de choque e bastões elétricos, supostamente para uso contra os trabalhadores, foram vistos em canais do app de mensagens associados ao grupo;
- Ofertas de trabalho sexual, assédio por encomenda, dados roubados e equipamentos para uso em atividades ilícitas são outros serviços disponíveis, segundo a reportagem.
Devido ao suposto envolvimento em golpes e tráfico de pessoas, o Ministério das Relações Exteriores, Commonwealth e Desenvolvimento do Reino Unido sancionou a Xinbi Guarantee. A decisão foi divulgada no dia 26 de março.
“A Xinbi facilitou e lucrou com a operação de centros de golpes no Sudeste Asiático”, diz o documento. Estima-se que o mercado ilegal tenha promovido movimentações de aproximadamente US$ 21 bilhões (R$ 105 bilhões), ao todo.
Alternativa para movimentação de fundos
Embora não tenha se pronunciado agora, o Telegram comentou, anteriormente, que a hospedagem da Xinbi e mercados semelhantes permitia que cidadãos chineses escapassem de rígidos controles financeiros do país. Assim, eles podiam “movimentar fundos internacionalmente”.
O mensageiro também afirmou que avalia cada denúncia e dá atenção especial àquelas que tentam contornar restrições de “governos opressores”. Porém, especialistas contestam essas alegações.
Para o pesquisador de segurança Gary Warner, o caso representa uma falha de responsabilização de plataformas digitais diante de atividades ilícitas de grande escala. De acordo com ele, o caso que envolve o Telegram é alarmante.
Brasileiros mantidos em cárcere privado em Mianmar, no ano passado, eram forçados a trabalhar nos esquemas citados acima. Relembre o caso.
