Vista como uma opção promissora do ponto de vista nutricional e ambiental, a proteína de grilo começa a ganhar espaço em pesquisas no Brasil. Apesar dos avanços, o consumo ainda encontra obstáculos como a resistência cultural, riscos de alergia e a ausência de regulamentação para uso em alimentos.
Pesquisadores da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) têm desenvolvido técnicas para transformar o inseto em ingredientes com maior valor agregado. O processo envolve a produção de farinha, geralmente a partir da espécie Gryllus assimilis, adaptada ao clima brasileiro. A partir daí, são feitas etapas de separação de componentes como proteínas, gorduras e fibras.
De acordo com o professor Guilherme Tavares, da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA), a ideia é reorganizar esses elementos para criar produtos com funções específicas na indústria, como maior concentração proteica ou presença de compostos bioativos.
Além de ampliar as aplicações, o método permite o aproveitamento integral do inseto, reduzindo desperdícios e a geração de resíduos.
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Benefícios nutricionais e funcionais
Testes laboratoriais indicam que a proteína de grilo apresenta boa digestibilidade, superior à de algumas fontes vegetais, como a soja. Isso ocorre porque alimentos vegetais podem conter substâncias que dificultam a absorção de nutrientes.
Segundo a engenheira de alimentos Camila Paglarini, professora da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/ USP), em Piracicaba, a farinha produzida a partir de grilos possui todos os aminoácidos essenciais, aqueles que o organismo não consegue produzir sozinho. Isso coloca o produto em nível semelhante ao das proteínas de origem animal.
Outro ponto positivo é a versatilidade tecnológica: a proteína pode atuar na estabilização de espumas e emulsões, características importantes na fabricação de alimentos processados.
Além das proteínas, a farinha de grilo reúne lipídios, vitaminas e minerais, o que amplia seu potencial nutricional e abre caminho para uso em estratégias de combate à desnutrição.
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Resistência cultural ainda é desafio
Apesar dos benefícios, o consumo de insetos ainda enfrenta rejeição, especialmente em países ocidentais, onde são frequentemente associados a sujeira ou pragas.
Uma das estratégias para contornar esse problema é transformar o inseto em farinha ou ingrediente isolado, eliminando sua aparência original e facilitando a aceitação pelo consumidor.
Falta de regulamentação trava mercado
No Brasil, o uso de insetos na alimentação humana ainda não é regulamentado. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária abriu uma consulta pública em 2024 para discutir o tema, mas ainda não há autorização para comercialização em larga escala.
Sem uma definição, empresas acabam direcionando a produção para ração animal, enquanto aguardam avanços na legislação.
Pesquisadores apontam que, além da regulamentação, ainda é necessário ampliar a produção em escala industrial e desenvolver produtos que atendam às demandas do mercado consumidor.
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