Mais da metade das mulheres com deficiência em Campinas não concluiu o ensino fundamental ou não possui instrução formal, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O levantamento faz parte do Censo 2022 e foi divulgado em uma plataforma lançada em março de 2026, que reúne indicadores sobre a população feminina no país.
Ao todo, o município tem 34.018 mulheres com 25 anos ou mais que possuem algum tipo de deficiência. Destas, 17.454 estão nesse grupo com baixa escolaridade — o equivalente a 51,3%.
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Desigualdade educacional
O recorte mostra ainda que:
- 4.409 mulheres não concluíram o ensino médio;
- 7.783 terminaram o ensino médio ou não finalizaram o ensino superior;
- 4.372 concluíram o ensino superior.
Entre os homens com deficiência na cidade, o percentual com ensino fundamental incompleto ou sem instrução é ligeiramente menor: 48,7%.
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Vulnerabilidade ampliada
Para a pedagoga Gisele Pacheco, fundadora do Movimento Brasileiro de Mulheres Cegas e de Baixa Visão, o cenário revela um problema estrutural.
“As mulheres são consideradas mais vulneráveis na nossa sociedade. Quando se trata de mulheres com deficiência, a vulnerabilidade se torna ainda maior, dependendo do tipo de deficiência. Então, além da superproteção das famílias, há falta de informação de que essas mulheres podem se tornar pessoas produtivas na sociedade”, disse.
“As mulheres acabam se sentindo mais vulneráveis e as famílias dessas mulheres também sentem que elas são mais vulneráveis na nossa sociedade”, completou.
Mudanças recentes e desafios históricos
A coordenadora do Núcleo de Estudos de População Elza Berquó (Nepo), da Universidade Estadual de Campinas, Glaucia Marcondes, explica que parte desse cenário está ligada ao passado recente.
Segundo ela, muitas das mulheres que compõem a estatística têm mais de 35 anos e cresceram em um período em que políticas de inclusão ainda eram limitadas.
“Hoje você tem leis que lidam com essa inclusão, mas muitas gerações de crianças acabaram indo para instituições especializadas, que não tinham vagas para todos ou nem todas as famílias tinham condições. Era um problema crônico de acessibilidade à educação”, afirmou.
Barreiras persistentes
A própria Gisele Pacheco relata dificuldades enfrentadas durante a vida escolar. Mesmo com apoio familiar, ela contou que frequentemente não tinha acesso a materiais adaptados.
“Aí a gente contava com a ajuda de uma rede de apoio permanente, que são os colegas de classe, para ditar o que está na lousa. Contava também com a ajuda do professor para trazer o material de uma forma mais resumida”, lembrou.
Ela destaca que ainda existem diversos obstáculos para que pessoas com deficiência consigam avançar na educação, como:
- falta de acessibilidade física, como ausência de rampas e elevadores;
- barreiras arquitetônicas em prédios não adaptados;
- preconceitos e estereótipos (acessibilidade atitudinal);
- escassez de materiais adaptados;
- falta de preparo de profissionais da educação.
A plataforma “Mulheres no Censo 2022”, onde os dados foram reunidos, foi criada para facilitar o acesso às informações e subsidiar políticas públicas voltadas à redução dessas desigualdades
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