O CEO da Amazon, Andy Jassy, afirmou que jovens da Geração Z precisam “pagar o preço” no início da carreira, começando por cargos mais baixos e aceitando erros como parte do processo de crescimento profissional.
A promessa de sair da faculdade direto para o emprego dos sonhos pode até render bons posts no LinkedIn, mas, segundo Andy Jassy, não é bem assim que o mundo funciona. Em entrevista concedida em fevereiro ao podcast Power of Advice do Capital Group, o executivo foi direto ao ponto ao dizer que o sucesso exige paciência, esforço e, principalmente, disposição para começar de baixo, algo que nem sempre combina com as expectativas da Geração Z.
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Para Jassy, a ideia de entrar no mercado já com salário alto, equilíbrio perfeito entre vida pessoal e trabalho e estabilidade total é mais fantasia do que realidade.
Ele defendeu que os primeiros anos de carreira são, basicamente, um teste de resistência, e não tem atalho. É aquele momento em que você faz um pouco de tudo, aprende na marra e, sim, erra bastante.
O executivo afirmou ainda que profissionais que se destacam costumam ter algumas características em comum: são confiáveis, atentos aos detalhes e trabalham duro sem reclamar (ou pelo menos sem reclamar muito). Em outras palavras, não basta querer crescer rápido, é preciso mostrar que dá conta do básico primeiro.
Seja uma “máquina de aprender”
Se existe um diferencial claro, segundo Jassy, é a capacidade de aprender constantemente. Ele resumiu isso de forma simples: é preciso virar uma “máquina de aprender”. Em um mercado que muda o tempo todo, especialmente com a inteligência artificial (IA) entrando em cena, quem para de aprender, fica para trás.
E não adianta fingir que sabe tudo, pelo contrário: a curiosidade e a disposição para testar coisas novas contam mais do que qualquer plano perfeito. Afinal, como o próprio Jassy sugere, ninguém tem um mapa detalhado da própria carreira aos 20 e poucos anos, e tudo bem.
A trajetória do CEO da Amazon ajuda a reforçar esse ponto, porque antes de chegar ao topo de uma das maiores empresas do mundo, ele tentou caminhos bem diferentes. Já quis ser comentarista esportivo, trabalhou com produção, tentou carreira no esporte e até passou por áreas como direito e banco de investimento.
Foi só depois de concluir um MBA que ele entrou na Amazon, em 1997, ou seja, nada de plano perfeito desde o início.
Pressão para acertar cedo
Apesar do discurso otimista, Jassy reconhece que a realidade atual não ajuda muito. O mercado de trabalho está mais competitivo, com demissões em massa, automação e menos garantias de estabilidade, o que aumenta a pressão sobre os jovens para tomar decisões “certas” desde cedo.
Segundo ele, essa ansiedade pode acabar atrapalhando mais do que ajudando. A sensação de estar sendo avaliado o tempo todo, como se cada escolha fosse definitiva, cria um peso desnecessário e, na prática, o mundo real é bem menos rígido do que parece.
Outro ponto que o executivo destaca é a importância de lidar bem com o fracasso, e aqui não tem muito romantismo: erros vão acontecer, planos vão dar errado e nem tudo sai como esperado. A diferença está em como cada pessoa reage a isso.
Para Jassy, fracassar não é um veredito final, mas parte do processo. A dica dele é simples: caiu, levanta e tenta de novo no dia seguinte.
