A operação da Nissan na Argentina passa por uma reestruturação que encerra a atuação direta da filial no país. A montadora assinou um memorando de entendimento para transferir sua gestão comercial e logística aos grupos locais SIMPA e Tagle. Na prática, a mudança estabelece um modelo baseado em importação e distribuição terceirizada, com redução de custos fixos e maior agilidade administrativa diante de um cenário econômico instável.
O anúncio ocorre um ano após uma mudança estrutural na operação industrial da marca no país. Em 2024, a fabricante decidiu encerrar definitivamente a produção na fábrica de Santa Isabel, em Córdoba. A unidade era responsável pela montagem apenas da picape Frontier do lado da Nissan, mas ainda é utilizada pela Renault para montar outros modelos – inclusive irá produzir a Niagara, picape intermediária que estreia ainda este ano.
Na ocasião, a justificativa esteve diretamente ligada à estrutura de custos. As vendas no mercado interno ficaram abaixo das projeções da matriz, enquanto as exportações perderam competitividade frente a outras plantas globais. Como alternativa, a empresa vai começar a importar a picape do México, onde a carga tributária é menor e o fluxo financeiro mais favorável.
O fim da produção local representou apenas a primeira etapa de um movimento mais amplo. A decisão de transferir a operação comercial está alinhada ao plano global de reestruturação “Re:Nissan”. A estratégia prevê otimização de recursos financeiros, com a transferência da complexidade operacional para parceiros locais, preservando a rentabilidade em mercados considerados voláteis.
As negociações com os novos operadores estão em estágio avançado. A expectativa é que a transição seja concluída entre julho e setembro deste ano. O Grupo SIMPA deve assumir 90% da nova operação de importação, enquanto o Grupo Tagle ficará com os 10% restantes.

O SIMPA tem atuação consolidada na indústria de plásticos e representa marcas de motocicletas como KTM e Harley-Davidson. Já o Grupo Tagle traz experiência no varejo automotivo, operando o complexo Autocity, com concessionárias de Renault e BYD. Caberá a esse consórcio definir estratégias comerciais, marketing, distribuição e pós-venda.
Com a mudança, a operação deixa de funcionar como uma filial independente da matriz japonesa. A estrutura passará a integrar a divisão NIBU (Nissan Importers Business Unit), responsável por supervisionar 36 mercados na América Latina operados por importadores. Esse modelo já foi adotado em países como Chile e Peru.
O comunicado oficial contrasta com declarações recentes da própria direção local. Dias antes da divulgação do acordo, durante o lançamento do utilitário esportivo Nissan Kait na Argentina, o presidente da filial, Ricardo Flammini, classificou as informações como rumores. “Investir tempo em boatos sobre coisas que não estão acontecendo não vale a pena”, afirmou à época.
Apesar do encerramento da filial e do programa de demissões, a fabricante afirma que o atendimento aos clientes será mantido. A rede de concessionárias continuará operando normalmente, com portfólio e lançamentos preservados. Os contratos do programa de compras programadas, conhecido como Nissan Plan de Ahorro, também seguirão válidos sob a gestão dos novos operadores.
