A concentração de roubos e furtos no período da tarde e em vias públicas tem marcado a rotina no Centro de Campinas e ampliado a sensação de insegurança na região. O cenário ficou ainda mais evidente após o assalto a uma joalheria ontem (28), quando um homem foi baleado na cabeça ao tentar impedir a fuga dos criminosos e, na sequência, atropelado.
Segundo a família, a vítima passou por uma cirurgia de sete horas e segue internada no Hospital Municipal Dr. Mário Gatti. Dois suspeitos foram presos e um terceiro envolvido continua foragido.
Violência reforça sensação de insegurança
O caso recente ampliou o medo de quem trabalha ou circula pela região central.
“O Centro de Campinas está abandonado. Os clientes preferem os shoppings por essas questões mesmo de segurança, porque eu já vi pessoas sendo roubadas aqui em frente. Está complicada a situação aqui”,
disse a comerciante Rosana Fedrigo.
Neide Ferreira, vendedora, também relata preocupação constante:
“Sempre está acontecendo esses casos aqui. Está precisando muito de policiamento para estar subindo e descendo mesmo, porque a violência aqui está terrível. Aqui arrancam joias do pescoço das pessoas. Os trabalhadores saem de casa para ganhar o pão de cada dia, mas aqui não tem segurança”.
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Crimes se concentram à tarde e em vias públicas
Dados da SSP (Secretaria de Segurança Pública) do primeiro bimestre apontam 390 registros de furtos e roubos na região central. A maior parte dos casos ocorreu no período da tarde e em vias públicas.
Distribuição por período:
- À tarde: 89
- Pela manhã: 78
- À noite: 55
- De madrugada: 34
- Em hora incerta: 6
- Sem informação: 128
Do total, 327 ocorrências aconteceram em vias públicas.
Comerciantes relatam prejuízos e se unem
Além do medo, comerciantes relatam prejuízos frequentes com a criminalidade. Thiago Veronez, dono de uma assistência técnica de celulares, afirma que também já foi alvo de criminosos e conhece a vítima baleada.
“A gente teve um assalto à mão armada, deram um tiro em direção a nossa colaboradora, infelizmente, e uns cinco arrombamentos à noite”,
contou.
Diante do cenário, comerciantes têm se organizado em grupos para tentar melhorar a segurança que compete à eles, mas cobram mais ações do poder público.
“Falta ajuda. A gente quer muito melhorar esse centro, trazer vida para esse Centro. Tenho certeza de que, com tudo isso que está acontecendo, não é momento de desanimar, é momento de se unir e se fortalecer”,
disse.
Problemas estruturais e aumento de reclamações
A insegurança se soma a outros problemas enfrentados no Centro nos últimos meses, cenário que o acidade on vem mostrando em reportagens recentes. Comerciantes relatam que têm fechado as lojas mais cedo e instalado grades para proteção.
A convivência com moradores em situação de rua também tem gerado reclamações. Em Campinas, os registros feitos pela Central 156 cresceram 20% em 2025, atingindo o maior número dos últimos cinco anos, segundo dados obtidos via LAI (Lei de Acesso à Informação). O Centro concentra boa parte dessas queixas.
O serviço 156 registrou ainda um aumento de 26,8% nas solicitações relacionadas à manutenção e conservação da infraestrutura urbana na região central no ano passado, em comparação com 2024. Já nos primeiros meses deste ano, foram 1.331 pedidos, com destaque para problemas em calçadas.
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Entenda o assalto à joalheria
O crime ocorreu por volta das 15h, no cruzamento das ruas Dr. Costa Aguiar e Álvares Machado. Segundo atualização do boletim de ocorrência, os produtos roubados pertenciam à própria loja, e não a um cliente, como informado anteriormente.
Câmeras de segurança registraram o momento em que um homem tenta impedir a fuga dos suspeitos, é baleado na cabeça e, em seguida, atropelado pelo carro usado pelos criminosos, que fogem logo depois.
A vítima foi socorrida e segue internada após cirurgia.
Após o crime, a Polícia Militar prendeu dois suspeitos: Raniel Machado, de 24 anos, e Vitor Hugo da Silva, de 20. Segundo a polícia, ambos já têm passagem por roubo. O terceiro envolvido ainda é procurado.
O carro utilizado na fuga foi abandonado na Avenida João Jorge e localizado pelos policiais. Dentro do veículo, que estava com o vidro estilhaçado pela marca do tiro, foram encontrados os produtos roubados da joalheria.
A arma do crime foi deixada em uma ótica próxima ao local do assalto. A ocorrência foi registrada no plantão do 1º Distrito Policial.
Loja já havia sido alvo de criminosos
José Carlos, vigilante da joalheria, estava de folga no momento do crime e soube do ocorrido pela televisão. Segundo ele, não foi a primeira vez que o estabelecimento foi alvo de criminosos.
“Há quatro meses também teve roubo. Entraram pelo telhado”,
afirmou.
O que diz a Guarda Municipal
Em nota, a Guarda Municipal de Campinas informou que mantém presença permanente na região central, com foco na prevenção e combate à criminalidade.
Segundo a corporação, equipes realizam rondas com viaturas e motocicletas, com apoio de câmeras de monitoramento, o que contribui para maior agilidade no atendimento das ocorrências.
A GM também destacou que atua em operações contra tráfico de drogas, furtos, roubos, receptação e comércio irregular, tanto de forma independente quanto em conjunto com as polícias Civil e Militar.
Ainda de acordo com a Guarda, no primeiro trimestre deste ano foram registradas 2.452 ocorrências na região central, com 53 prisões efetuadas.
*Com informações de Júnia Vasconcelos/EPTV Campinas
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