Após inúmeras reclamações de moradores de Hortolândia, Paulínia e Monte Mor sobre água com cheiro de mofo e gosto ruim, a Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) anunciou, nesta segunda-feira (4), a adoção de uma nova medida. O órgão vai instalar uma sonda automática no Rio Jaguari, manancial que abastece os três municípios, para acompanhar em tempo real a qualidade da água captada.
O equipamento será colocado na área de captação e fará medições a cada cinco minutos, monitorando indicadores como pH, oxigênio dissolvido, turbidez e temperatura. Segundo a companhia, o objetivo é identificar rapidamente mudanças na água antes mesmo do processo de tratamento, permitindo maior controle sobre o abastecimento.
Antes mesmo do anúncio da sonda, a Cetesb já havia reforçado o monitoramento no manancial. Desde o fim de abril, foram realizadas mais de 20 inspeções e coletas de água em pontos estratégicos do Rio Jaguari e também em afluentes, como o Rio Camanducaia, além de captações nas regiões de Paulínia e Limeira.
Análises apontam água dentro dos padrões e sem substâncias de odor
Apesar das queixas, os resultados das análises indicaram que os principais parâmetros estão dentro dos padrões de qualidade e que não foram identificadas substâncias associadas a gosto e odor.
Os dados apontam que o carbono orgânico total variou entre 2,9 e 3,2 mg/L (abaixo do valor de referência de 6 mg/L). O oxigênio dissolvido ficou entre 6,7 e 7,1 mg/L (acima do mínimo exigido de 5 mg/L). Já a turbidez variou entre 11 e 16 UNT (bem abaixo do limite de 100 UNT), enquanto o pH permaneceu entre 6,9 e 7,2 (dentro da faixa adequada, de 6 a 9).
Também não foram detectadas substâncias orgânicas associadas a gosto e odor, como geosmina e metilisoborneol, frequentemente relacionadas ao cheiro de mofo na água, que ficaram abaixo dos limites de quantificação nas análises.
A presença de microrganismos foi considerada baixa, variando entre 5 e 128 organismos por mililitro, e os resultados não indicam que microalgas tenham causado as alterações sensoriais percebidas pela população.
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Moradores seguem relatando problemas

Mesmo com os resultados considerados dentro da normalidade, moradores de Paulínia, Hortolândia e Monte Mor continuam relatando problemas com a água fornecida pela Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo). A situação vem sendo acompanhada e noticiada pelo acidade on desde abril.
Em Paulínia, o vigilante Ângelo Santos, do bairro Parque Bom Retiro, afirma que o cheiro ainda não está aceitável e, por isso, tem comprado água mineral até para escovar os dentes.
“A água está inviável, até para fazer a higiene bucal. Sem condições de estar usando ela. Tive que comprar água, porque a situação ao invés de melhorar, ela só piorou. Em contrapartida, a Prefeitura de Paulínia e a Sabesp dizem que a água de Paulínia está dentro dos padrões”.
Os moradores de Hortolândia também têm optado por comprar água ou recorrer a poços artesianos em Sumaré.
A trabalhadora autônoma Elaine Augusto, do bairro Vila Real, está sem filtro e tem pegado a água diretamente da torneira. De acordo com ela, hoje a líquido está com cheiro de cloro, mas apresentava odor de mofo nos últimos dias.
“A gente precisa ter uma análise da água, para saber o que de fato está acontecendo. Como fica a nossa saúde? Cada dia que passa, a água está vindo de uma maneira. Um dia ela está branquinha, clarinha, com cheiro de cloro. Um dia está com cheiro de mofo e por aí vai”,
disse.

Maria Aparecida reclamou da cor do líquido, que vem saindo do seu chuveiro.
“Desde ontem a gente está abrindo o chuveiro para tomar banho e sentido que a água está com cheiro forte, bem forte mesmo. É um cheiro que a gente não define, mas está cheirando forte. A cor está amarelada, não está branquinha”,
reclamou.
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Sabesp afirma que situação foi normalizada

A Sabesp, responsável pelo abastecimento nas cidades, informou que já havia resolvido o problema após a adoção de um novo tratamento com carvão ativado, implementado há pouco mais de duas semanas.
A concessionária orienta que moradores que ainda enfrentam alterações entrem em contato com a central de atendimento para registrar a reclamação e solicitar uma visita técnica. Segundo a empresa, a avaliação pode indicar necessidade de limpeza da caixa d’água ou dos encanamentos internos, e, caso isso seja confirmado, o custo será coberto pela própria Sabesp.
Já a Cetesb afirma que continuará acompanhando a situação de forma contínua, agora com o reforço da sonda no Rio Jaguari, em articulação com outros órgãos e concessionárias. O objetivo é identificar a origem das alterações relatadas pelos moradores.
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