
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou ter recebido apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) após a divulgação de áudios e mensagens envolvendo pedidos de recursos ao empresário Daniel Vorcaro para a produção de um filme sobre a trajetória política do ex-chefe do Executivo.
Segundo relato feito à CNN Brasil, Flávio visitou o pai na quarta-feira (13), horas depois da publicação da reportagem do Intercept Brasil, e ouviu de Bolsonaro que deveria “ficar firme” diante da repercussão do caso.
Segundo o senador, Jair Bolsonaro também rejeitou qualquer possibilidade de a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro disputar a Presidência da República em 2026.
“Disse ainda que não existe nenhuma possibilidade de Michelle ser candidata à Presidência”, declarou Flávio ao relatar a conversa.
Entenda o caso
Na quarta-feira, o Intercept Brasil publicou registros de áudio e trocas de mensagens atribuídas a Flávio Bolsonaro nas quais o senador negocia apoio financeiro com Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, para concluir o filme Dark Horse.
O longa retrata a trajetória política de Jair Bolsonaro e vinha sendo apresentado por aliados do ex-presidente como uma produção internacional voltada ao público conservador.
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Flávio confirmou a autenticidade dos áudios, mas negou irregularidades e afirmou que se tratava de uma busca legítima por financiamento privado.
Segundo a reportagem, o senador teria solicitado em 2025 cerca de US$ 24 milhões para a produção do filme. O material publicado aponta que Vorcaro teria prometido o pagamento em 14 parcelas, embora parte dos recursos não tenha sido quitada.
Em um dos áudios divulgados, Flávio demonstra preocupação com atrasos financeiros da produção e menciona o impacto que um eventual calote poderia causar junto à equipe internacional do projeto.
“Imagina a gente dando calote num Jim Caviezel, num Cyrus [Nowrasteh]”, afirma o senador no trecho publicado pelo Intercept.
Jim Caviezel é o ator escolhido para interpretar Jair Bolsonaro no filme. Cyrus Nowrasteh assina a direção da obra.
Após a repercussão, Flávio divulgou nota pública tentando diferenciar sua relação com Vorcaro das investigações envolvendo o Banco Master.
O senador afirmou que conheceu o banqueiro apenas em dezembro de 2024, quando, segundo ele, ainda não existiam acusações públicas contra o empresário. Na nota, Flávio também negou ter oferecido vantagens, intermediado negócios ou utilizado recursos públicos para financiar o filme.
“O que aconteceu foi um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai”, declarou.
O senador aproveitou a crise para defender novamente a instalação de uma CPI do Banco Master no Congresso.
“Mais do que nunca é fundamental a instalação da CPI do Banco Master. É preciso separar os inocentes dos bandidos”, afirmou.
Leia a nota na íntegra:
“Mais do que nunca é fundamental a instalação da CPI do Banco Master. É preciso separar os inocentes, dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet. Conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro já havia acabado, e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro. O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme. Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem. Isso é muito diferente das relações espúrias do governo Lula e seus representantes com Vorcaro. Por isso, reitero, CPI do MASTER JÁ.”
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