
A Polícia Federal informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que a substituição da área responsável pelas investigações relacionadas ao INSS teve caráter administrativo e não representou interferência política nas apurações que atingem o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
A explicação foi enviada ao ministro André Mendonça em um ofício encaminhado no início do mês, obtido pela CNN. Mendonça é relator do inquérito que investiga suspeitas envolvendo descontos indevidos no INSS e possíveis relações de pessoas ligadas ao filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A manifestação da PF ocorreu após questionamentos sobre a saída do delegado Guilherme Figueiredo Silva da coordenação do caso. A mudança passou a ser explorada por parlamentares da oposição, que acusam a corporação de tentar reduzir o alcance das investigações envolvendo Lulinha.
Segundo a Polícia Federal, a alteração decorreu apenas da transferência do caso para outra estrutura interna da instituição.
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PF transferiu caso
Conforme a corporação, o inquérito deixou a Divisão de Repressão a Crimes Previdenciários e passou a tramitar sob responsabilidade da Coordenação de Inquéritos em Tribunais Superiores (Cinq).
A área é especializada em investigações que envolvem autoridades com foro privilegiado e atua diretamente em procedimentos supervisionados pelo Supremo.
Em nota, a PF afirmou que a mudança buscou “assegurar maior eficiência e continuidade às investigações”, argumentando que a Cinq possui estrutura permanente voltada para casos considerados sensíveis e complexos.
Apesar da justificativa, a alteração resultou na saída do delegado que vinha conduzindo etapas centrais da investigação.
A equipe anteriormente responsável pelo inquérito foi autora de pedidos considerados estratégicos dentro da investigação. Entre eles, estão requerimentos de quebra de sigilo envolvendo Lulinha e a negociação da delação premiada do empresário Maurício Camisotti.
O acordo de colaboração chegou a ser encaminhado ao STF, mas acabou devolvido para reformulação após questionamentos relacionados à participação da Procuradoria-Geral da República (PGR) no processo.
O caso teve de ser reiniciado com acompanhamento formal da PGR.
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