
(Bloomberg) — A aguardada reformulação da Siri, da Apple Inc., está prestes a se tornar o foco principal das próximas atualizações de software para iPhone, iPad e Mac — e a Bloomberg News está oferecendo a primeira visão de como será a nova assistente digital.
Ilustrações criadas pela Bloomberg mostram a interface redesenhada da Siri, um novo app no estilo chatbot e outras mudanças importantes do iOS 27 que a empresa planeja anunciar na Worldwide Developers Conference (WWDC) de 8 de junho. As imagens se baseiam em informações vistas pela Bloomberg e em pessoas familiarizadas com os planos da empresa, que pediram anonimato porque o software ainda não é público.
Um porta-voz da Apple se recusou a comentar. A empresa costuma testar internamente vários designs de recursos, e a versão final que será apresentada ao público em junho pode ser diferente.
Principais palestrantes na Apple WWDC
Participantes assistem à WWDC do ano passado, quando a empresa anunciou importantes novos recursos de IA. Fotógrafo: David Paul Morris/Bloomberg
O lançamento tem tudo para ser um momento decisivo na estratégia de inteligência artificial da Apple, enquanto a companhia corre para alcançar rivais como a OpenAI, o Google da Alphabet Inc. e a Samsung Electronics Co. É algo que vem se desenhando há bastante tempo. A Apple chegou a pré-visualizar parte dessa tecnologia em 2024, mas sofreu uma série de atrasos que a colocaram ainda mais atrás da concorrência e prejudicaram sua reputação. A empresa passou o último ano reconstruindo partes da assistente e repensando sua abordagem mais ampla em IA.
A reformulação da Siri — a maior na história de quase 15 anos da assistente — será lançada para os consumidores já em setembro. É provável que seja o último grande lançamento de produto do diretor-presidente Tim Cook antes de ele passar a liderança para o veterano chefe de hardware John Ternus. O sucesso — ou fracasso — dos novos recursos de IA também ajudará a determinar a reação dos consumidores à linha iPhone 18 Pro deste outono (no hemisfério norte) e ao primeiro iPhone dobrável da Apple.
A nova Siri incluirá os recursos atrasados, anunciados em 2024, como a capacidade de entender dados pessoais e analisar o conteúdo exibido na tela. Mas essas capacidades são apenas uma parte de uma onda mais ampla de melhorias: um modelo reconstruído que utiliza a tecnologia Google Gemini, busca na web com IA e uma interface completamente redesenhada. Haverá também um app dedicado da Siri, projetado para competir de forma mais direta com o ChatGPT e outros assistentes de IA.
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Além da Siri e da IA, os próximos sistemas operacionais da Apple têm como objetivo corrigir bugs e refinar as polêmicas mudanças de design do ano passado, chamadas de Liquid Glass, ao mesmo tempo em que adicionam novos recursos, como um app Câmera mais personalizável. A empresa também planeja oferecer a capacidade de criar passes personalizados no app Carteira, como para eventos esportivos ou academias.
A Apple redesenhou a Siri para o hardware moderno do iPhone, fazendo com que ela “viva” dentro da Dynamic Island como um agente sempre ativo, capaz de ajudar os usuários a realizar tarefas em todo o sistema operacional e dentro dos apps. O sistema pode recorrer a dados da web, informações pessoais e ao que está na tela do usuário para concluir tarefas.
Há dois pontos de partida para a Siri. A abordagem clássica — dizer “Siri” ou manter pressionado o botão de energia do iPhone — passa a acionar uma animação redesenhada da Siri na Dynamic Island, o elemento em forma de pílula introduzido em 2022. Esse modo é mais adequado para consultas por voz e buscas.
O segundo método é totalmente novo: a Apple planeja permitir que os usuários deslizem o dedo de cima para baixo a partir do centro superior do iPhone, em qualquer parte do sistema, para abrir uma nova interface de Busca ou Pergunte (Search ou Ask). (A Central de Notificações agora pode ser aberta deslizando-se de cima para baixo a partir do lado superior esquerdo.) Isso abre uma experiência reformulada da Siri, voltada para realizar tarefas ou buscar por digitação — embora o uso da voz continue sendo uma opção.
Esse menu também exibe a mesma interface presente no iOS atual que mostra as Sugestões da Siri. Isso inclui oito apps usados com frequência, funções como buscas recentes na web ou recursos como gravar um memorando de voz. Há ainda um painel para exibir a previsão do tempo pela manhã ou à noite.
A partir dali, os usuários podem abrir apps, iniciar mensagens de texto, perguntar sobre a previsão do tempo, adicionar compromissos ao calendário, buscar em notas, acionar atalhos dentro de apps ou fazer buscas na web usando o novo sistema de busca com IA da Apple, que concorre com ferramentas como a Perplexity. Os resultados são exibidos em um cartão de texto rico que “salta” a partir da Dynamic Island. Os usuários podem deslizar ainda mais para baixo para abrir uma conversa no estilo chatbot dentro do app da Siri.
A Apple também vem testando maneiras de abrir o iOS 27 para agentes de IA de terceiros instalados via App Store. A empresa já tem uma parceria com o ChatGPT, da OpenAI, e testou internamente integrações da Siri e de outros recursos de IA com o Gemini, do Google, e o Claude, da Anthropic PBC. Os usuários poderão encaminhar consultas diretamente para serviços externos de IA a partir da interface de Busca ou Pergunte. Há um botão que fornece um menu suspenso com as opções de agentes externos.
O novo app da Siri em si se parece e funciona de forma similar a apps como Claude, Gemini e ChatGPT. A tela inicial inclui um histórico de conversas anteriores, para que os usuários possam voltar a chats passados. Isso pode ser visto tanto como uma lista quanto como uma coleção de retângulos que resumem conversas anteriores. E a interface conversacional oferece um modo de voz, um campo de texto e um seletor de anexos para envio de documentos e fotos, usados como contexto e para análise.
Quando os usuários pedem informações, a Siri apresenta cartões de texto ricos e resultados para tópicos como pessoas, lugares e manchetes de notícias. Cartões semelhantes também aparecem para previsões do tempo e placares esportivos, além de resultados extraídos dos próprios dados do usuário, incluindo notas, mensagens de texto, e-mails, contatos, compromissos de calendário e lembretes.
A Siri também ficará mais inteligente. Na interface planejada pela Apple, será possível pedir para que ela indique horários em que você está disponível para compromissos antes de agendar algo, bem como apontar eventos sobrepostos. Também será possível pedir para a assistente redigir e-mails, notas ou mensagens de texto usando informações da web e do conteúdo do dispositivo. Isso pode incluir, por exemplo, solicitar a criação de uma nota sobre como consertar o motor de um carro ou um e-mail com a sua disponibilidade de calendário.
A Apple também está integrando a Siri ao app Câmera como um modo dedicado, ao lado de opções já existentes como foto e vídeo. O recurso substituiria a experiência atual chamada Visual Intelligence e permitiria que os usuários tirassem fotos e as submetessem à análise de um agente de IA de terceiros ou a uma busca reversa de imagens do Google. Trazer esse recurso para dentro do app Câmera — em vez de limitá-lo ao botão Camera Control — pode aumentar sua adoção e ajudar a acostumar os usuários à IA visual, preparando o terreno para futuros produtos, como óculos inteligentes e AirPods com câmera.
O app Câmera também está se tornando mais personalizável, graças a um novo painel Adicionar Widgets (Add Widgets). A fileira superior de atalhos, que atualmente aparece nos modos de captura, poderá ser substituída, permitindo que os usuários priorizem controles mais profissionais, como ajustes de profundidade, ou destaquem ferramentas como temporizadores e o modo Noite de forma mais proeminente na interface. As mudanças visam tornar o software de câmera da Apple mais atraente para fotógrafos avançados.
A empresa também está levando mais recursos de Apple Intelligence para o app Fotos, incluindo novas ferramentas chamadas Reframe (Reenquadrar) e Extend (Estender). O Reframe pode alterar a perspectiva de uma foto, enquanto o Extend usa IA para gerar partes adicionais da imagem. Isso pode significar preencher a metade inferior de um prédio que ficou de fora da foto original. Plataformas rivais do Google e de outros já oferecem capacidades semelhantes há anos.
Embora possa não chegar à primeira versão do iOS 27, a Apple também está testando edição de fotos baseada em comandos em linguagem natural, para que você possa pedir, por voz ou texto, edições específicas, como cortar a imagem ou alterar cores.
Além disso, a empresa planeja um app Atalhos (Shortcuts) reformulado, que permitirá criar automações usando linguagem natural. Em vez de construir fluxos de trabalho manualmente, passo a passo, os usuários poderiam descrever o que querem que aconteça — por exemplo, iniciar automaticamente uma playlist de música e enviar ao cônjuge uma previsão de horário de chegada (ETA) quando entrarem no carro e começarem a dirigir de volta do trabalho para casa.
Há também papéis de parede criados por IA, um corretor gramatical em todo o sistema para entradas de texto e um app Image Playground redesenhado, que oferece qualidade aprimorada para imagens geradas por IA e Genmoji (emojis personalizados), conforme noticiou a Bloomberg News.
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