Nos últimos meses, muito tem se falado sobre SUVs a diesel de sete lugares pela briga ferrenha entre GWM Haval H9 e Toyota SW4. Isso porque o tradicional SUV da Toyota, enfim, encontrou um rival que o incomoda e, para colocar um pouco mais de provocação na disputa, é chinês.
Mas, como em todo campo polarizado, sempre há alguém buscando ser a terceira via, eis que surge o novo Kia Sorento, um SUV coreano que chega ao Brasil com credenciais e preços intermediários aos dos concorrentes. Disponível em versão única, EX, ele sai por R$ 359.990. O GWM custa R$ 329.000 e o SW4 parte de R$ 424.590 (com sete lugares).
Em sua quarta geração, o Sorento já adota a moderna e original linguagem de design da Kia, com um visual sem intenções de parecer off-road. Na dianteira, os grandes faróis têm desenho irregular e são full-led, com fachos alto e baixo automáticos. Os faróis de neblina também são de led.
A lateral é discreta, com elementos decorativos nas portas dianteiras e na vigia traseira, e destaca as rodas de 19”. Atrás, as lanternas quadradas são de led e o limpador do vidro se esconde sob o aerofólio.

Suas dimensões ficam entre as dos rivais: são 4,82 m de comprimento, 1,70 m de altura, 1,90 m de largura e 2,82 m de entre-eixos. Mas a altura é a menor entre a dos concorrentes.
A cabine é igualmente sóbria: passa a sensação de solidez, mas com pitadas de modernidade. Entre elas está o conjunto curvo de telas, cada uma com 12,3”, para o quadro de instrumentos e a multimídia.

Abaixo das saídas de ar centrais, há comandos dispostos de forma que poupa espaço no painel e evita a concentração de funções na multimídia. Eles são digitais e podem se alternar entre ajustes do ar-condicionado (automático e bizona) e do sistema multimídia. Basta o toque em um botão e toda a sequência horizontal, incluindo os controles giratórios das extremidades, mudam de função.
Outro ponto positivo para o uso do modelo está na preservação de comandos físicos espalhados pelo console central, volante e portas, mostrando que o sul-coreano não sucumbiu às economias disfarçadas de vanguarda vistas nos chineses.

As telas do Sorento, aliás, têm funções bem definidas: o quadro de instrumentos exibe layout básico sem mostrar informações além das necessárias. A multimídia é de fácil manuseio, com menus sucintos e conta com Android Auto e Apple CarPlay sem fio.
O acabamento é bom, com variação de materiais, texturas e brilhos, uso de superfícies emborrachadas e bons encaixes, mas sem artifícios como luzes ambiente coloridas. Os bancos, segundo a marca, são revestidos de couro, assim como o volante e a alavanca de câmbio.

Em versão única e sem opcionais, o Kia Sorento traz uma boa lista de equipamentos. Além dos itens já citados até aqui, há ainda carregador de celular por indução, bancos dianteiros com ajustes elétricos (mas sem memórias, ventilação ou aquecimento), sistema de som com quatro alto-falantes e dois tweeters, tampa do porta-malas com abertura automática e seis airbags.
Há ainda câmeras 360o, sensores de estacionamento dianteiros, laterais e traseiros, além de alertas e assistentes de fadiga, permanência e centralização de faixa, partida em rampa e colisão frontal (com frenagem automática e para cruzamentos). Há também ACC e leitura de placas de velocidade.

Faltam os tradicionais alertas luminosos nos retrovisores para pontos cegos, substituídos por câmeras. Ao dar seta, as imagens para o lado indicado aparecem no quadro de instrumentos. Na prática, não é uma boa substituição, já que para checar as imagens o motorista precisará tirar os olhos do retrovisor em um momento crucial. Além disso, os alertas convencionais funcionam mesmo sem a seta acionada.
Esse contudo não é o único sistema que merece comentários: os alertas de velocidade são incômodos, já que a leitura de placas nem sempre está atualizada. Porém, caso o motorista opte por desligar a função, terá que fazê-lo a cada vez que ligar o carro.

O mesmo vale para o assistente de permanência em faixa, invasivo, que também religa a cada nova partida. Memorizar as preferências do motorista seria muito bem-vindo. Já o ACC tem bom funcionamento, com uma centralização de faixa refinada, sem que o carro fique em zigue-zague na via procurando o centro. Por fim, o Kia deve um item importante: teto solar.
Acertos e faltas
O Sorento pode levar até sete pessoas, divididas entre três fileiras. Mas, como é de costume para carros do tipo, é preciso ponderar as capacidades e acomodações. Na prática, cinco pessoas viajam com total conforto, já que a fileira intermediária pode levar até três ocupantes de estatura média-alta.
Porém, a vida não é tão fácil na terceira fila. O espaço para as pernas até pode ser negociado com quem vai à frente, graças ao trilho da segunda fileira, mas os bancos do “fundão” são baixos e posicionados quase que no assoalho. Assim, forma-se um incômodo ângulo para as pernas, com os joelhos que ficam quase na altura do peito. Além disso, o encosto da fileira à frente é alto, dando uma sensação de enclausuramento para quem vai atrás.

Outro ponto crítico está na climatização. Há duas saídas de ar no piso para a terceira fila, mas o fluxo do sistema é insuficiente e nem mesmo as saídas da segunda fila conseguem compensar. O Sorento comete ainda outra falta grave para um carro familiar: há apenas duas portas USB (do tipo C) no painel. Os passageiros das fileiras seguintes não têm onde conectar seus aparelhos.
E, por fim, com todos os assentos ocupados, o porta-malas fica reduzido, com apenas 179 litros. Com os últimos bancos rebatidos (algo fácil de fazer e como o modelo deve estar na maior parte do tempo), a capacidade vai a 608 litros.

A maior diferença entre este Kia e seus rivais, da GWM e da Toyota, no entanto, talvez seja conceitual. Enquanto os outros usam chassis de longarinas e têm tração 4×4 com reduzida e bloqueios de diferencial, como modelos off-road, o Sorento é um bom carro de passeio.
Ele tem carroceria monobloco e tração integral, sem artifícios para off-road – exceto pelos modos de tração, Lama, Areia e Neve –, uma proposta mais realista, uma vez que os proprietários desses SUVs rodam predominantemente no asfalto.

O Sorento tem motor 2.2 turbo diesel de 194 cv e 45 kgfm, e câmbio de dupla embreagem com oito marchas. Esse conjunto é suficiente para que o SUV de 1.974 kg seja relativamente ágil, com boas acelerações e retomadas. Nos nossos testes, ele levou 10,4 s para ir de 0 a 100 km/h, no modo Sport. Mas, mais do que o desempenho, o conjunto também se mostrou eficiente: as médias de consumo foram de 12,3 km/l na cidade e 16,1 km/l na estrada, no modo Eco.

Além dos dois modos de condução citados, há ainda o Normal e o Smart, sendo que este último se adéqua à condução do motorista. Ao volante, o Sorento não aparenta ter o porte que tem. Sua direção apresenta o peso adequado e a suspensão de ajuste mais rígido garante a boa estabilidade em velocidades mais altas, sustentando a carroceria sem balanços laterais. Em imperfeições do solo, o conjunto transmite as pancadas, mas sem causar grandes incômodos.

De condução refinada, com bom desempenho e bem equipado, o Kia Sorento tem escorregões, mas que não são exclusivos no segmento.
Veredicto Quatro Rodas
O Kia Sorento é moderno, bom de dirigir, eficiente e bem equipado. Há falta de espaço na terceira fila. Sua vocação mais urbana pode ser um ponto positivo para o conforto, para quem não pensa em pegar uma trilha off-road.
Ficha Técnica
Motor: diesel, diant., 4 cil., turbo, 16V, 2.151 cm³, 194 cv a 3.800 rpm, 45 kgfm a 1.750 rpm
Câmbio: dupla embreagem, 8 marchas, tração integral
Direção: elétrica
Suspensão: McPherson (diant.), multibraços (tras.)
Freios: disco ventilado nas quatro rodas
Pneus: 235/55 R19
Dimensões: compr., 481,5 cm; larg., 190 cm; alt., 169,5 cm; entre-eixos, 281,5 cm; porta-malas, 179/608 litros (três fileiras/duas fileiras); peso, 1.974 kg; tanque de combustível, 67 l; tanque arla, 14 l
Teste Quatro Rodas
| Aceleração | |
| 0 a 100 km/h | 10,4 s |
| 0 a 1.000 m | 32,2 s / 161,7 km/h |
| Velocidade máxima | 180 km/h* |
| Retomadas | |
| D 40 a 80 km/h | 4,3 s |
| D 60 a 100 km/h | 6,3 s |
| D 80 a 120 km/h | 7,6 s |
| Frenagens | |
| 60/80/120 km/h a 0 | 13,8/24/53,5 m |
| Consumo | |
| Urbano | 12,3 km/l |
| Rodoviário | 16,1 km/l |
| Ruído interno | |
| Neutro/RPM máx. | 42,1 / 67 dBA |
| 80/120 km/h | 62,3 / 68,2 dBA |
| Aferição | |
| Velocidade real a 100 km/h | 99 km/h |
| Rotação do motor a 100 km/h | 1.500 rpm |
| Volante | 2,5 voltas |
| SEU Bolso | |
| Preço básico | R$ 359.990 |
| Garantia | 5 anos |
Ergonomia

A: 161 cm (diant.) / 159 cm (tras.) / 151 cm (3ª fila)
B: 99,5 cm (diant.) / 98 cm (tras.) / 88 cm (3ª fila)
C: 100 cm (diant.) / 95,5 cm (tras.) / 77 cm (3ª fila)
Assistência ao condutor

| Farol alto automático | Sensor de estacionamento |
| Piloto automático adaptativo | Prevenção de saída de faixa |
| Frenagem autônoma | Alerta de saída de faixa |
| Câmera de ponto cego | Câmera 360º |
