
O ex-presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) João Pedro Nascimento demonstra otimismo com a possibilidade de reestruturação do orçamento da autarquia, considerada o xerife do mercado financeiro do País. “Quando cheguei lá, o prédio não tinha nem Wi-Fi”, revela.
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, deu cinco dias para que partidos políticos, entidades da sociedade civil, o Congresso Nacional e a Presidência da República se manifestem sobre o plano emergencial de reestruturação da atividade fiscalizatória da CVM.
Após a apresentação das manifestações, o ministro vai decidir se o plano é suficiente e atende às balizas que foram fixadas quando identificou um quadro de “carência fiscalizatória” do mercado de capitais e demandou uma “atuação repressiva de choque” da comissão.
Durante evento promovido pela consultoria AAWZ, em São Paulo (SP), Nascimento manifestou satisfação com a decisão do STF que, segundo ele, ajudaria a atenuar uma situação delicada na autarquia.
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“A CVM é um órgão muito pobre, e é importante que a gente diga isso”, afirmou o advogado, que presidiu a comissão entre junho de 2022 e julho de 2025, quando renunciou ao cargo. “E agora [isso] vai mudar. Eu tenho a esperança de que essa decisão fundadora [do STF] vai mudar isso”, disse.
A uma plateia formada por assessores de investimentos e outros representantes do mercado financeiro, Nascimento também detalhou um cenário de precariedade no órgão responsável pela fiscalização, normatização e desenvolvimento do mercado de valores mobiliários no Brasil.
“Quando eu cheguei à CVM, o prédio não tinha nem Wi-Fi”, afirmou. “O regulador do mercado de capitais não tinha Wi-Fi no Rio, não tinha Wi-Fi em São Paulo, não tinha Wi-Fi em Brasília”, completou.
Como, questiona o ex-presidente da comissão, é possível enfrentar um mercado que utiliza high frequency trading e algoritmos sem Wi-Fi?
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Nascimento conta que trabalhou com um orçamento anual que variou entre R$ 20 milhões e R$ 37 milhões. Descontados gastos como locação, IPTU, limpeza, segurança e demais serviços básicos, o valor caía para algo em torno de R$ 10 milhões.
“E, desses R$ 10 milhões, você ainda tem que pagar diárias e passagens para os deslocamentos dos servidores”, lamentou.
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