
Uma empresa teria gasto cerca de US$ 500 milhões em apenas um mês com o uso do Claude, modelo de inteligência artificial da Anthropic, segundo relato de um consultor de IA ao site Axios.
O episódio, ainda não identificado publicamente, virou símbolo de uma nova fase do mercado: a do choque de gastos em um setor que, até aqui, vinha sendo adotado quase sem freios.
De acordo com o consultor, o cliente não estabeleceu qualquer limite para o uso das licenças de Claude pelos funcionários. Na prática, isso liberou a equipe para acionar o modelo em massa, inclusive para tarefas triviais que poderiam ser executadas facilmente por humanos, como checar a previsão do tempo, segundo um CTO ouvido pela Axios.
O caso viralizou nas redes sociais, com usuários ironizando o montante. “Cinco jatinhos privados. Dois iates. Uma ilha inteira. Tudo vaporizado em tokens”, escreveu um deles. Outro comentou: “Queria estar na reunião com o sujeito que deixou a conta do Claude chegar a meio bilhão de dólares em um mês. Faz o quê? Demite na hora?”.
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Pressão por corte de custos
Apesar de extremo, o episódio ilustra um movimento mais amplo: empresas que abraçaram a IA generativa agora começam a rever o ritmo e a forma de uso, à medida que a conta se torna mais visível — e nem sempre aparece correlacionada a aumento de produtividade ou lucro.
A Axios cita casos de grandes companhias que estão reduzindo ou reorientando gastos com IA. A Microsoft estaria substituindo licenças do Claude Code por alternativas como o GitHub Copilot CLI, da própria empresa, em busca de mais eficiência de custo.
Já a Uber teria estourado já em abril todo o orçamento de 2026 para Claude Code, o que levou o executivo Andrew Macdonald a dizer que “a ligação não está lá” entre o aumento de uso de IA e o retorno para o cliente.
Além do custo direto, empresas que incentivaram agressivamente o uso de IA agora recuam.
A Amazon, por exemplo, está encerrando um “placar” interno criado por funcionários para medir quem mais consumia tokens de IA. Segundo fontes ouvidas pelo Financial Times, havia uma pressão implícita para que colaboradores usassem cada vez mais as ferramentas, ainda que o ganho real não estivesse claro.
Em mensagem recente aos funcionários, o vice-presidente sênior da Amazon, Dave Treadwell, pediu que a IA não seja usada “apenas por usar”. “Use IA para resolver problemas de clientes, problemas de negócio, para inovar”, afirmou.
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