A Stellantis tem procurado diversos acordos com outras fabricantes para reduzir custos e otimizar suas linhas de montagem. Uma delas é a chinesa Dongfeng, como foi anunciado há algumas semanas. Só que este plano também afetará o Brasil. A engenharia local, inclusive, já trabalha na adaptação de projetos globais para a região, conforme revelou Herlander Zola, presidente da Stellantis América do Sul, ao site AutoIndústria.
“Vamos ampliar portfólio no Brasil a partir de parcerias”, disse Zola, “podemos trazer produtos [da Dongfeng] para o Brasil e estamos em desenvolvimento conjunto.” Porém, segundo o AutoIndústria, o executivo não descartou a possibilidade de produzir carros para a Dongfeng em alguma das fábricas no país.
Com o complexo em Betim (MG) voltado para a nova linha de carros da Fiat e as linhas de montagem em Goiana (PE) sendo preparadas para fazer os veículos da Leapmotor, a fábrica em Porto Real (RJ) seria uma boa candidata. A planta fluminense hoje monta somente os três carros da Citroën (C3, Aircross e Basalt) e está para começar a fabricação do Jeep Avenger.
Seria uma plano diferente do que a Stellantis tem para a Europa. No Velho Continente, a empresa criará uma joint venture com a Dongfeng, que não só irá fabricar carros como também vender os modelos da submarca de luxo Voyah.
A decisão segue uma mudança que vem ocorrendo na indústria brasileira, com cada vez mais empresas usando suas parcerias com marcas chinesas para ter novos produtos e ocupar a capacidade ociosa das fábricas. A própria Stellantis fará isso com a Leapmotor e a Renault iniciará em breve a montagem dos carros da Geely em São José dos Pinhais (PR).

As mudanças na estratégia da Stellantis não alteram o montante do ciclo de R$ 32 bilhões em investimentos anunciados para a região até o fim da década. Contudo, o direcionamento desse capital foi ajustado. A empresa percebeu que precisa fortalecer os territórios onde as marcas chinesas ainda não conseguiram penetração profunda ou não possuem tradição de vendas.
Isso explica a prioridade absoluta no desenvolvimento de modelos compactos inéditos, sob o guarda-chuva da Fiat, e a renovação pesada no segmento de picapes, como foi anunciado durante a apresentação para investidores realizada recentemente. Hoje, as asiáticas sofrem para emplacar veículos de carga voltados ao agronegócio e ao trabalho pesado urbano.
Apesar de ter falado sobre a possibilidade de produzir no Brasil, Zola afirma que nada está definido não só neste sentido como também sob vender carros da Dongfeng. A chinesa está prestes a estrear no país com uma operação própria, com o início marcado para agosto, durante o Festival Interlagos.
