Após cerca de 25 dias de paralisação, professores e estudantes da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) encerraram a greve iniciada em 18 de maio.
O fim do movimento dos docentes foi aprovado em assembleia extraordinária realizada nesta quinta-feira (11), após a categoria aceitar a nova proposta de reajuste salarial de 3,92%, definida um dia antes em negociação entre o Cruesp (Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas) e o Fórum das Seis, que representa docentes, servidores e estudantes das universidades estaduais paulistas e do Centro Paula Souza.
Já os estudantes anunciaram, em assembleia geral, o encerramento da greve após avaliarem que a maior parte de suas reivindicações foi contemplada pela universidade. A decisão, no entanto, ainda precisa ser ratificada pelas assembleias das unidades acadêmicas.
Com a confirmação do fim da mobilização estudantil, a expectativa é de que também seja encerrada a ocupação do prédio da DGA (Diretoria Geral da Administração), iniciada na segunda-feira (8).
Servidores continuam em greve
Diferentemente dos docentes, os servidores técnico-administrativos seguem mobilizados.
O STU (Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp) se reuniram em assembleia na quinta-feira e votaram pela permanência na greve.
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O que a Unicamp propôs aos estudantes?
A reitoria da Unicamp apresentou uma lista de compromissos ao movimento estudantil após uma mesa de negociação. As propostas foram apresentadas 25 dias após o início das paralisações dos cursos do campus de Campinas.
Entre os principais pontos estão:
Permanência e Moradia Estudantil:
- Investimentos em moradia estudantil nos campi de Campinas e Limeira;
- Constituição de grupo de trabalho para discutir alternativas de moradia estudantil em Limeira;
- Aperfeiçoamento das discussões relativas às bolsas e aos auxílios de permanência.
Mobilidade, Infraestrutura e Convivência:
- Ações voltadas ao aprimoramento do transporte estudantil e da mobilidade entre campi;
- Ampliação e qualificação de espaços destinados à convivência, representação estudantil e atividades comunitárias;
- Continuidade dos investimentos em infraestrutura e acessibilidade.
Acolhimento, Inclusão e Apoio Estudantil:
- Ampliação das equipes de apoio psicossocial;
- Reforço das estruturas de acolhimento, enfrentamento às violências e promoção da inclusão;
- Instituição de mecanismos de acompanhamento voltados às políticas de diversidade, acessibilidade e permanência.
Programas e Participação Estudantil:
- Constituição de grupos de trabalho para o aperfeiçoamento dos programas ProFIS e ProFIIVI;
- Avanço das discussões relacionadas à representação estudantil e ao acompanhamento das políticas de permanência.
Segundo a universidade, os compromissos foram definidos com base em análises de viabilidade acadêmica, administrativa e orçamentária.

Quais as principais reinvindicações dos estudantes?
O movimento estudantil afirma que a greve busca “dignidade para morar, estudar e trabalhar”. Entre as principais reinvindicações, estão:
- bolsas e ações para garantir permanência;
- melhorias no transporte dentro e entre os campi;
- acesso a serviços de saúde especializada e mental;
- implantação do Serviço de Atenção à Violência Sexual (SAVES) em Limeira (já existente em Campinas);
- espaço físico para centros acadêmicos e diretórios;
- fim da terceirização de serviços;
- contra a autarquização do Hospital de Clínicas.
Segundo o DCE, a greve só termina após resposta direta da Unicamp sobre as oito pautas, com prioridade para a moradia estudantil e políticas de permanência.

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Como começou a greve da Unicamp?
O movimento teve início após insatisfação com os resultados da reunião do Cruesp, realizada em 4 de maio.
A mobilização começou de forma gradual. O campus de Limeira entrou em greve em 5 de maio, enquanto cursos de Campinas passaram a aderir ao movimento a partir do dia 8. A greve geral da universidade foi aprovada posteriormente, em 18 de maio.
Segundo o DCE, apenas a FOP (Faculdade de Odontologia de Piracicaba) não aderiu ao movimento.
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E a greve na USP?
A greve estudantil da USP (Universidade de São Paulo) também foi encerrada após mais de sete semanas de mobilização.
Em assembleia realizada na segunda-feira (8), os estudantes aprovaram, por maioria, a recomendação pelo fim da paralisação e o retorno às aulas. Foram 323 votos favoráveis ao encerramento da greve, 255 contrários e nove abstenções.
Após a decisão, as unidades da universidade passaram a realizar assembleias próprias para formalizar a retomada das atividades acadêmicas. Diversas faculdades e campi já haviam retornado ao funcionamento normal, como as faculdades de Direito e Medicina, a Escola Politécnica e unidades do interior paulista.
Assim como na Unicamp, o movimento na USP teve entre suas motivações as negociações salariais conduzidas pelo Cruesp com as categorias das universidades estaduais paulistas. A proposta de reajuste de 3,92% apresentada pelo conselho foi resultado de negociações com o Fórum das Seis e contempla docentes e servidores técnico-administrativos da USP, Unicamp e Unesp.
“Como já ressaltado em comunicado anterior, a USP e a Unicamp, conforme exigência de suas normativas internas, deverão ainda submeter este percentual de reajuste à aprovação de seus respectivos órgãos deliberativos. Com esta nova proposta, o Cruesp reafirma seu compromisso de abertura ao diálogo e a preocupação de preservar o poder aquisitivo dos seus servidores docentes e técnico-administrativos, sem comprometer o equilíbrio orçamentário e financeiro das Universidades”,
informou o conselho.

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