Para quem aprecia a beleza das flores, uma das épocas mais encantadoras do ano já começou em Campinas. Entre junho e novembro, a cidade entra na temporada dos ipês, período em que diferentes espécies da árvore florescem e transformam ruas, praças, parques e jardins em verdadeiros cartões-postais.
Os primeiros a colorir a paisagem são os ipês-roxos e os ipês-rosas, que florescem entre junho e julho e já chamam a atenção em diversos pontos da cidade. As copas repletas de flores criam cenários que atraem olhares e rendem belas fotografias.
Locais como a Rua Coronel Quirino, no Cambuí, e os arredores do Cemitério de Sousas estão entre os pontos onde é possível admirar a exuberância dessas árvores.
Cinco espécies espalhadas pela cidade
Campinas conta atualmente com cinco espécies de ipês:
- Ipê-roxo
- Ipê-rosa
- Ipê-amarelo
- Ipê-branco
- Ipê-verde
Além das árvores presentes em calçadas, canteiros e áreas verdes, parte das mudas é cultivada no Viveiro Municipal Otávio Tisseli Filho, localizado no Parque Xangrilá. As espécies produzidas no local são utilizadas em projetos de arborização, revitalização de praças, jardins, parques e implantação de microflorestas urbanas.
Segundo a Secretaria de Serviços Públicos, o viveiro mantém cerca de 15 mil mudas de ipê em cultivo. As sementes utilizadas são coletadas das próprias árvores espalhadas pelo município.
Árvores adaptadas ao ambiente urbano
Nativas da região, as diferentes espécies de ipê apresentam boa adaptação ao ambiente urbano, o que favorece sua presença em diversos bairros de Campinas.
Uma das características mais marcantes dessas árvores está nas chamadas “sementes aladas”, estruturas leves que lembram pequenas asas e são facilmente carregadas pelo vento. Esse mecanismo natural permite que as sementes se espalhem por diferentes locais, onde germinam e dão origem a novas árvores.

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Outro aspecto que chama a atenção é que a maioria dos ipês pertence ao grupo das espécies caducas ou decíduas. Isso significa que elas perdem completamente as folhas durante o período de floração, deixando apenas as flores em destaque na copa.
Floração acontece em etapas
Cada espécie possui um período específico de floração ao longo do ano:
- Ipê-roxo: de junho a setembro;
- Ipê-rosa: de junho a setembro;
- Ipê-amarelo: de setembro a outubro;
- Ipê-branco: de setembro a novembro;
- Ipê-verde: de setembro a outubro.
A duração da florada também varia entre as espécies:
- Ipê-roxo: cerca de 15 dias;
- Ipê-rosa: cerca de 15 dias;
- Ipê-amarelo: cerca de 15 dias;
- Ipê-branco: entre dois e três dias;
- Ipê-verde: entre cinco e seis dias.
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Diferenças também aparecem no porte das árvores
Além das cores e dos períodos de floração, as espécies apresentam características físicas distintas.
O ipê-roxo pode atingir entre 10 e 20 metros de altura, com tronco de 60 a 80 centímetros de diâmetro. Já o ipê-rosa possui altura semelhante, variando também entre 10 e 20 metros, mas com tronco de 40 a 60 centímetros de diâmetro.

O relógio biológico por trás da florada
Segundo o biólogo e professor André Bourg, do Colégio Oficina do Estudante, a floração dos ipês está diretamente ligada à quantidade de luz solar recebida ao longo do dia.
Ao contrário dos seres humanos, que frequentemente ignoram os ciclos naturais devido à iluminação artificial, as plantas são altamente sensíveis à duração dos dias. Quando a incidência de luz começa a diminuir, sinalizando a chegada do inverno, os ipês recebem o estímulo para iniciar o processo de florescimento.
Cada espécie segue um cronograma próprio. Primeiro florescem os ipês-roxos, depois os rosas, os amarelos e, por fim, os brancos. Segundo o especialista, essa sequência é uma estratégia natural que reduz a competição entre as espécies pelos polinizadores.
Flores têm função estratégica na reprodução
De acordo com André Bourg, as flores têm a missão de atrair polinizadores por meio das cores vibrantes e da produção de néctar.
“Depois da polinização, a flor perde sua função. Não vale mais a pena manter as pétalas. Então, elas caem, e a energia da planta é direcionada para formar os frutos e sementes”, explica o professor.

Poucos dias após a queda das flores, surgem vagens secas que abrigam as sementes. Quando amadurecem e se abrem, o vento se encarrega de espalhá-las, garantindo a continuidade do ciclo e ajudando a colorir Campinas ano após ano.
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