Campinas registrou, em 2025, o maior número de casamentos civis entre mulheres já contabilizado na cidade em um único ano. Segundo dados da Arpen-SP (Associação dos Registradores de Pessoas Naturais do Estado de São Paulo), foram 102 uniões oficiais, estabelecendo um novo recorde para o município.
Em 2026, até 8 de junho, já haviam sido registrados 47 casamentos entre mulheres na cidade.
Mulheres concentram a maior parte dos casamentos
O protagonismo feminino aparece também no acumulado da última década.
Entre 2016 e 2025, além dos registros parciais de 2026, Campinas contabilizou 1.356 casamentos homoafetivos. Desse total, 777 foram entre mulheres.
A evolução dos registros mostra como essas uniões cresceram ao longo dos anos. Em 2016, foram 35 casamentos entre mulheres. O número passou para 41 em 2017 e praticamente dobrou em 2018, quando chegou a 94. Depois, os registros oscilaram entre 54 e 94 uniões anuais, até atingirem o recorde de 102 casamentos em 2025.
Casamentos homoafetivos em Campinas
| Ano | Mulheres | Homens | Total |
|---|---|---|---|
| 2016 | 35 | 39 | 74 |
| 2017 | 41 | 59 | 100 |
| 2018 | 94 | 87 | 181 |
| 2019 | 75 | 65 | 140 |
| 2020 | 54 | 43 | 97 |
| 2021 | 64 | 46 | 110 |
| 2022 | 87 | 68 | 155 |
| 2023 | 94 | 51 | 145 |
| 2024 | 84 | 56 | 140 |
| 2025 | 102 | 43 | 145 |
| 2026* | 47 | 22 | 69 |
Faça uma denúncia ou sugira uma reportagem sobre Campinas e região por meio do WhatsApp do acidade on Campinas: (19) 97159-8294.
Estado de São Paulo também registrou recorde
Assim como em Campinas, o Estado de São Paulo também registrou recorde de casamentos homoafetivos em 2025.
Em 2025, o Estado de São Paulo registrou o maior número de casamentos homoafetivos de toda a série histórica, com 4.955 uniões oficializadas. Em 2026, até junho, já são 1.963 casamentos registrados.
Mudanças na legislação ampliaram os direitos dos casais
O aumento das uniões ocorre pouco mais de uma década após importantes avanços jurídicos para os casais homoafetivos no Brasil.
Em maio de 2011, o STF (Supremo Tribunal Federal) reconheceu, por unanimidade, que a união entre pessoas do mesmo sexo é uma entidade familiar, garantindo aos casais os mesmos direitos e deveres de qualquer união estável. A decisão foi considerada histórica e teve seus documentos reconhecidos posteriormente pela Unesco como Patrimônio da Humanidade.
Dois anos depois, em 2013, o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) determinou que nenhum cartório brasileiro poderia se recusar a celebrar casamentos civis entre pessoas do mesmo sexo, consolidando o direito em todo o país.
LEIA TAMBÉM: Nova frente fria chega na despedida de junho e vai trazer mais chuva ao interior de SP
Casal enfrentou preconceito para realizar a cerimônia
A dentista Letícia Morato e a gerente Ana Claudia Carvalho oficializaram a união em Campinas no ano passado e fazem parte das estatísticas que colocaram a cidade em nível recorde.
As duas se conheceram por meio de amigos em comum e descobriram rapidamente diversas afinidades, entre elas a mesma data de aniversário. Desde então, nunca mais se separaram.
Apesar da tranquilidade para realizar o casamento civil, elas contam que enfrentaram dificuldades para encontrar um espaço que aceitasse receber a festa.
“Depois de muitas portas fechadas, a gente encontrou um lugar que nos acolheu. Mas o casamento civil em si, no cartório, foi tranquilo”,
relata Ana Claudia.

Hoje, casamento homoafetivo segue as mesmas regras do casamento heterossexual
A oficial de registro civil Julia Claudia Rodrigues da Cunha Mota explica que os direitos garantidos aos casais homoafetivos mudaram completamente a realidade jurídica dessas famílias.
Segundo ela, antes do reconhecimento legal, o companheiro não era considerado herdeiro necessário, o que levava muitos casais a recorrerem a testamentos para assegurar proteção patrimonial.
Hoje, o procedimento para um casamento homoafetivo é exatamente o mesmo aplicado aos casamentos heterossexuais, garantindo os mesmos direitos e as mesmas obrigações.
“Antes, os casais homoafetivos não tinham proteção na lei. Hoje isso mudou. O mesmo procedimento que existe para um casamento heterossexual vale para um casamento homoafetivo, com os mesmos direitos e as mesmas obrigações”.

Receba notícias do acidade on Campinas no WhatsApp e fique por dentro de tudo! Basta acessar o link aqui!
Casamento trouxe segurança para formar uma família
A psicóloga Luma Bueno e a enfermeira Stefany de Oliveira Aguiar Bueno, também de Campinas, estão casadas há cinco anos.
Segundo Luma, o desejo de ter filhos fez com que o casal percebesse a importância de oficializar a união, principalmente pela segurança jurídica necessária diante das questões burocráticas.
Dois anos após o casamento civil, nasceu Joaquim.
Para Stefany, a luta pelo reconhecimento vai além dos direitos do casal.
Ela afirma que deseja que o filho cresça em uma sociedade onde exista pertencimento, respeito e liberdade para amar quem quiser, sem julgamentos.
“O quanto a gente luta todos os dias para que exista esse pertencimento na sociedade, no mundo, é isso que a gente quer para o nosso filho. É isso que queremos passar para ele: a questão do amor, de poder amar quem ele quiser, sem julgamentos, e crescer com isso para disseminar esse sentimento.”

*Com informações de Heitor Moreira/EPTV
O post Casamentos entre mulheres batem recorde em Campinas apareceu primeiro em ACidade ON Campinas.
