Jefferson Nogueira, Rio de Janeiro (RJ)
De acordo com Luiz Castro, promotor técnico de vendas da Friction/Cobreq, o pedal borrachudo do freio pode, sim, ser o indício de algum problema mais grave. O especialista levanta hipóteses como o desgaste das pastilhas e das sapatas, no caso dos carros com freio traseiro a tambor.
O fato é que o pedal de freio borrachudo é um dos sintomas que mais evidenciam que os freios do carro precisam de manutenção emergencial, mesmo na completa ausência de ruídos. Essa alteração na sensação de dirigibilidade, caracterizada por um curso excessivamente longo e esponjoso, indica a direta de eficiência hidráulica do sistema de freio. O principal culpado para essa anomalia costuma ser o fluido de freio com o prazo de troca vencido.

“O fluido, quando vencido no seu prazo de validade, pode apresentar alterações consideráveis em suas características físicas. Estas alterações interferem na quantidade e qualidade da força que será aplicada aos êmbolos de cilindros mestres, cilindros de rodas e pinças de freio”, explica o técnico.

O fluido de freio atua como o transmissor que leva a força mecânica aplicada pelo pé do motorista até as pastilhas e sapatas de freio. Logo, se o fluido do seu freio não estiver em dia, você sentirá o pedal mais esponjoso ou borrachudo, como se costuma dizer, com o curso mais longo, quase como se você tivesse que tocar o assoalho para frear o carro. Se isso acontecer, a recomendação de Luiz Castro é de levar o veículo imediatamente para um mecânico averiguar todos os componentes do sistema, já que os riscos de perder os freios são grandes em situações de calor excessivo e/ou descidas.
A mecânica do fluido e a perda de pressão

Nos sistemas hidráulicos automotivos convencionais, a pressão gerada pelo cilindro mestre precisa chegar intacta às pinças de freio e aos cilindros de roda. O problema ocorre quando o fluido envelhece e tem sua composição física alterada pela absorção de água – o fluido é higroscópico, ou seja, absorve água. Essa degradação interfere diretamente na quantidade e na qualidade da força que será aplicada aos êmbolos, reduzindo drasticamente a capacidade do sistema de travar os discos de freio ou os tambores traseiros.
Com o fluido comprometido, o acionamento ganha um comportamento elástico, e o condutor precisa afundar o pé no assoalho para obter alguma resposta do carro. Esse problema também esconde a sensação de desgaste das pastilhas e das sapatas.

O fluido ruim cobra seu preço mais alto quando o automóvel é submetido a situações de forte estresse térmico. Dias de calor intenso ou longas descidas de serra exigem o máximo de força e dissipação de temperatura de todo o conjunto rodante. É justamente nesse cenário crítico de altas temperaturas que o fluido degradado falha por completo: a água absorvida ferve, gerando bolhas no sistema, levando ao risco de o motorista perder os freios de forma repentina.
Na dúvida, diante de qualquer alteração na firmeza ou na altura do pedal, leve o veículo a um mecânico para que seja feita uma avaliação de todos os componentes do freio.
