O sistema elétrico REEV, da chinesa Leapmotor, vai equipar outros carros das marcas da Stellantis, no Brasil. Quem deu a informação foi o presidente da empresa no Brasil, Herlander Zola, em um encontro com jornalistas especializados, esta semana.
O executivo não diz quais os modelos receberão o recurso e nem a data para isso acontecer. Mas destacou que essa é uma tecnologia muito apreciada pelos consumidores brasileiros, de acordo com pesquisas feitas pela Stellantis.
“O ponto que é crucial para nós é que essa tecnologia e a capacidade de adaptação dessa tecnologia em outros produtos das nossas marcas é um caminho sobre o qual a gente quer avançar rapidamente”, afirmou Zola. O sistema chinês, de acordo com o executivo, trabalhará em conjunto com os motores flex disponíveis na linha nacional do grupo – ou seja, os motores Firefly e GSE Turbo, 1.0 ou 1.3, e o recente 2.0 Hurricane flex.
Os carros equipados com o sistema REEV são considerados como híbridos plug-in pela legislação brasileira, mas funcionam como carros elétricos com extensores de autonomia: motores à combustão que servem apenas como geradores para recarregar as baterias, tendo tração exclusivamente elétrica. É o caso atual do SUV C10 e como acontecerá com o B10, que será apresentado com essa tecnologia no Festival Interlagos, em São Paulo, em agosto.
Perguntamos se essa tecnologia concorreria com a família Bio-Hybrid de modelos híbridos, e Zola disse que não e que a linha Bio-Hybrid segue seu planejamento anunciado em 2023. Os primeiros modelos dessa estratégia foram os modelos híbridos leves (MHEV) da Fiat, Pulse e Fastback, apresentados em 2024. E outros, com maior grau de eletrificação, como híbridos plenos (HEV), híbridos plug-in (PHEV) estão previstos.
Outra estratégia considerada pela Stellantis para atender o mercado nacional, com a Leapmotor, é produzir no Brasil carros dessa marca pelos sistemas SKD e CKD, que vem sendo adotado por outras marcas chinesas recém-chegadas. A fabricante anunciou, em abril, que os Leapmotor B10 e C10 serão produzidos em Goiana (PE).

Nos sistemas Semi-Knocked Down (do inglês, semi-desmontado) e Completly Knocked Down (completamente desmontado), produzem os modelos a partir de peças e conjuntos prontos. No primeiro caso, SKD, o carro vem com a carroceria armada e pintada, quase que totalmente pronto.
Segundo Zola, essa estratégia pode ser adotada se ela se confirmar como a mais rentável, das alternativas. De acordo com o executivo, um dos fatores que influenciam na escolha do modo de produção é o volume de unidades produzidas.
A favor dessa estratégia, a Stellantis também poderia lançar mão das instalações da Nordex, fábrica de automóveis White-label, no Uruguay, que já produz carros para outras marcas, no Uruguai, da qual a Stellantis detém 51% do capital.
Dongfeng no Brasil com Peugeot e Citroën

Além da Leapmotor, outra marca chinesa também entra nos planos da Stellantis no Brasil. Essa marca é a Dongfeng, que deve ter participação nos futuros lançamentos da Peugeot e da Citroën no Brasil, como já ocorre nas linhas dessas marcas na Europa.
A Dongfeng é parceria de Peugeot e Citroën há cerca de 30 anos, ou seja, muito antes da Stellantis existir. Na China existe uma empresa chamada DPCA (Dongfend Peugeot-Citroën Automotive). Mas, diferentemente da Leapmotor, da qual a Stellantis detém 51%, a Dongfeng é uma empresa independente que faz associações pontuais com a Stellantis.

Na conversa com os jornalistas, o executivo falou sobre o futuro das marcas francesas no Brasil. Segundo ele, uma vez criada, em 2021, a Stellantis deu sequência aos projetos que já estavam aprovados ou andamento, mas agora é hora de rever o posicionamento dessas marcas no Brasil.
“A Peugeot será uma marca de nicho posicionada acima da Fiat”, afirmou Zola, que não foi tão enfático em relação à Citroën, lembrando apenas que mundialmente essa marca opera nos segmentos de entrada.
A parceria com a Dongfeng pode ser estendida de outra forma, com a produção no Brasil de modelos dessa marca chinesa. Em outra ocasião recente, Zola declarou que a engenharia local da Stellantis já trabalhava na adaptação de modelos globais de parceiros para a nossa região. Esses projetos incluiriam carros compactos, SUVs e picapes.
Zola afirmou que o segmento de picapes é muito importante para o Grupo, por representar cerca de 25% do mercado brasileiro, afirmando que a RAM deve receber uma maior atenção, principalmente entre as picapes médias, onde a Dakota pode chegar com diferentes versões e motorizações das oferecidas hoje.
