A atual geração do Nissan Sentra deixará de ser vendida no Brasil, depois de três anos de seu lançamento por aqui. A informação foi confirmada pela própria Nissan.
“Como parte natural do ciclo de vida de qualquer veículo, a atual geração do Nissan Sentra está chegando ao fim de sua trajetória no Brasil”, afirma a marca, em nota encaminhada via assessoria de imprensa à QUATRO RODAS.
O carro ainda aparece no configurador presente no site da marca no Brasil e ainda há unidades em estoque nas concessionárias. A situação veio à tona após o jornalista Jorge Moraes apontar que a despedida do Sentra está diretamente ligada à importação do Nissan N7, um sedã elétrico que está em teste no Brasil há meses.
A marca não confirma oficialmente a vinda de uma nova geração ou substituição por outro modelo. Sua nota continua, e deixa o futuro do sedã médio a combustão incerto.
“A Nissan não comenta especulações, mas, seguindo sua tradição de transparência, no momento oportuno, a empresa dará informações sobre sua estratégia de produtos”, completa a fabricante.

O fim da linha da atual geração era certa, visto que o sedã médio é importado do México, país onde a nova geração do modelo já está em produção. Apesar de ter sido flagrado em testes pelo Brasil, a Nissan pode ter mudado de ideia no meio do caminho e não renovar a linha por aqui.
Atualmente, o Nissan Sentra é comercializado em duas versões: Advance CVT (R$ 174.490) e Exclusive CVT (R$ 178.990). O sedã médio é equipado com o motor 2.0 aspirado a gasolina, que desenvolve 151 cv de potência e 20 kgfm de torque, associado ao câmbio automático Xtronic CVT.

Um dos argumentos previstos são as baixas vendas do sedã, que registrou 341 emplacamentos no Brasil de janeiro até junho, muito aquém de concorrentes como o Toyota Corolla (13.025 unidades) e do BYD King (8.205 unidades). Isso, mesmo tendo preço equivalente ao praticado pelos rivais.
Outro caminho é optar por renovar o portfólio por produtos inéditos e elétricos da marca, como o sedã N7 e o SUV NX8, ambos também já flagrados sendo testados em ruas do país, assim como a Frontier Pro com mecânica híbrida plug-in, que também será importada da China. Mesmo que sejam carros fabricados na China, eles são mais tecnológicos e podem chegar ao Brasil com preços mais competitivos, e em segmentos onde os concorrentes não são tão fortes.
Como é o Nissan N7?

Desenvolvido em parceria com a chinesa Dongfeng, o Nissan N7 é quase uma reestilização do Dongfeng eπ 007. Ele foi lançado por meio da joint venture das duas montadoras. É grande para um sedã médio: são 4,93 metros de comprimento, 2,91 m de entre-eixos e 1,89 m de largura e 1,48 m de altura. Com preço inicial de 119.900 yuans (cerca de R$ 76.000), o N7 é uma das opções mais acessíveis no segmento de elétricos médios na China.
Se é grande nas dimensões, é modesto na potência. A versão mais básica tem motor de 218 cv e bateria de 58 kWh. Por outro lado, a versão mais cara terá 635 km de alcance, de acordo com o ciclo CLTC, garantidos por uma bateria de 73 kWh.
No Brasil, o Nissan N7 poderia custar pouco mais de R$ 200.000. Ainda é um valor muito competitivo, praticamente impossível de ser alcançado pela nova geração do Nissan Leaf, que já foi lançado na Europa, nos Estados Unidos e no Japão mas está muito distante do Brasil.
